História
As pessoas que mandam nas cidades não entendem o grafite porque acham que nada tem o direito de existir se não gerar lucro, o que torna a opinião delas desprezível.
A história é absolutamente fundamental para um povo. Quem não sabe de onde vem, não sabe para onde vai.
Todo mundo tem uma história triste. Todos têm sua cota de tristeza. Todos têm sua parcela de encargos.
Uma história tem pelo menos duas versões
quem sabe qual é a verdadeira?
Quem pode criticar e apontar
os teus erros ou os teus acertos?
Somente os protagonistas, sabem o real enredo, o verdadeiro sentimento
que os motivou... Que os levou
a tomar esta ou aquela atitude
Quem pode opinar?
Apenas quem viveu
quem sonhou, quem lágrimas
derramou de desespero, de dor
sabe das cicatrizes que ficou
do desapego, do dissabor
quando da vida
a página virou.
"Sou um menino que envelheceu logo à nascença. Dizem que, por isso, me é proibido contar minha própria história. Quando terminar o relato eu estarei morto. [...] Mesmo assim me intento, faço na palavra o esconderijo do tempo”.
( em "A varanda do frangipani", Lisboa: Editorial Caminho, 1991.)
E é aí que esta história começa. Meu pai desaparecido, meu tio ausente e a noiva do Frankenstein ameaçando me colocar no orfanato.
Uma situação bizarra nos uniu. Escrevo esta carta para você, pois agora estamos no fim de uma estrada. Nossa fortaleza, nossa história está sumindo. Vamos nos encontrar novamente. Venha, se ainda se importa. Assim podemos provar que somos reais. Ou não. E sumimos. Assim como este lugar.
Quando estudamos os pertences deles, o meu pai disse que o falecido nos conta uma história. Ele também disse que não posso ouvir as histórias deles se não estiver disposto a ouvir.
História de um homem é sempre mal contada. Porque a pessoa é, tem todo o tempo, ainda nascente. Ninguém segue uma única vida, todos se multiplicam em diversos e transmutáveis homens.
A história inteira não é senão uma transformação contínua da natureza humana.
A minha provocação sobre adiar o fim do mundo é exatamente sempre poder contar mais uma história. Se pudermos fazer isso, estaremos adiando o fim.
Os intelectuais fazem a teoria, as massas a economia. Finalmente, os intelectuais utilizam as massas e através deles a teoria utiliza a economia.
Por isso é-lhes necessário manter o estado de sítio e a servidão econômica - para que as massas continuem a ser massas manobráveis.
É bem certo que a economia constitui a matéria da história. As ideias contentam-se com conduzi-la.
Camus (teoria e prática)
Uma montanha é como uma pessoa. É uma história longa e cambiante feita de incontáveis pedacinhos.
No mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso (DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997. p. 16)
Não seja um livro aberto para quem pouco entende de bons conteúdos. Tem pessoas que não sabem valorizar o que leem e acabam usando os seus sentimentos, a sua história, as suas confidências contra você mesmo quando os interesses delas estiverem acima de qualquer laço afetivo.