Gotas
Rua com Rua
Em um mundo líquido as relações são como
pequenas gotas de chuvas caindo na rua.
Rua esta que faz o favor de levar a gota ao evaporar.
Nessa relação a rua sempre vencerá, seja pela força e rigidez,
ou por sua teimosia de sempre estar no mesmo lugar.
Nessa amizade não quero ser uma gota nem tão pouco uma tempestade,
que mesmo tendo o poder de levar tudo,
não pode ultrapassar a temporalidade e constância de uma rua.
Aqui sinto a essência de sua amizade.
Pois muitos olharam e não enxergaram.
Outros pisaram e não perceberam que ela serve de caminho,
e nesse caminho há vida, ou melhor esse caminho é a vida.
Alias! Não apenas sinto, pois sou
rua que encontra com rua, sou caminho
que contigo cria caminhos.
Somos força e sempre estaremos
no mesmo lugar, pois os amigos possuem a certeza que não importam
o tempo e a tempestade, tudo passa menos
a nossa teimosia de permanecer.
Gotas de esperança, através de um instrumento chamado foco, contornam da melhor maneira a obra prima de um belíssimo destino, sobre a sustentação do apoio principal, chamado fé.
O jornal na soleira do dia
Um embrulho na porta
Até mesmo Deus entregou
As gotas de orvalho durante a madrugada
Num jardim de flores mortas
Um caminho solitário além do portão
Solidão apressada e insistente
Vem gritar na janela
Aquela palavra que eu tanto fugia
Assim começa outro dia
Não me basta trocar de endereço
Neste vasto mundo
O preço que pago é tão alto
Que tudo isso me alcança amanhã
As portas sempre abertas pra sair
Mas fechadas, quando a gente quer entrar
Tanto faz
O jeito é viver a vida
Como ela vier
Pois qualquer lugar é lugar
Qualquer coisa é ruim.
Edson Ricardo Paiva
GOTAS DE ENTUSIASMO
Morta a ilusão, sepulte-a e siga em frente
e não lamente o que se foi, passou.
Desate os pés, alce vôo pelo espaço,
busque outros braços, outros laços de amor...
Tudo na vida tem limite e tempo
e não convém estagnar o seu viver.
Plante outros sonhos, sementes de esperanças
e certamente novos frutos hás de colher...
ELA
Escorrem as gotas da chuva
nas janelas dos seus olhos.
Sua ausência nos meus braços
se multiplica em lembranças.
Vislumbres amarelados das nossas bocas
matraqueando sorrisos.
Agora a tablatura ficou cheia de pausas
com o seu olhar naufragado
na imensidão das palavras imaginadas.
Sua lágrima escorre na minha face.
Nela sinto o sal da desesperança
tocando meu lábio.
Seguimos assim
respirando o tempo que resta
nesse mar de melancolia.
Na terra onde habitam os deuses
e os sonhos
haveremos de aportar.
Então poderei ainda uma vez
escutar os seus sussurros.
E saberei das coisas que os seus olhos
me dizem a todo momento.
Rereading Lola.
Quando as gotas de chuva toca o solo muitas coisas já passaram por ela. Quando lágrimas caem muitos sentimentos já se foram
há sempre um mar invisível
despejado a conta-gotas
pingando nos olhos de quem sofre
o sal que queima a retina
e as veias
violentas ondas de miséria
só quem sofre
[por amor]
pode saber
as algas presas aos meus cabelos
e o sempre-mar
na ressaca dos meus olhos
Eu tempestade
E se sinto minhas gotas caírem na terra, me sinto viva.
Se clareio os céus em meio a escuridão me faço guia.
Se meus gritos se fazem estrondos em meio ao silencio, me encontro fria.
E se me embalam os ventos, secam também minhas magoas.
Mas se é de secura minha situação, me vejo rachar e cair em pedaços pelo chão.
Daqui o céu não se enxerga, pois a densa poeira cobre a claridade do dia.
Me faço noite.
Mesmo assim nada passa.
Os ventos cortam a pele como se carregassem pequenas laminas frias.
Me faço então poesia. Aceito a condição de tempestade sem vida.
A transparência das gotas de chuva me lembram sua sinceridade, me encantam igual. O tempo fechado me faz lembrar do seu mau humor, começa chuviscando e depois engrossa. Oh, moreno temporal. Nesse frio eu queria estar enrolada nos seus braços, você é o meu casulo. Mas não me deixa voar quando o sol aparecer, cuida de mim. Na tempestade eu me molho por ti, no calor, eu reclamo com você.
Estando angustiado, ele orou ainda mais intensamente; e o seu suor era como gotas de sangue que caíam no chão.
Doce despertar
Em verdes campos - infinitas gotas -
Vestígios duma madrugada fria,
quando o orvalho mistura-se à paisagem.
Do alto da montanha, avisto as gaivotas
que sobrevoam os pequenos barcos,
onde ainda dormem os pescadores,
Desperta, diviso o sol amarelo
que já desponta sobre o azul do mar...
A receita médica para curar um coração ferido é algumas gotas de tempo e alguns ml de horas em hora de um novo amor.
Cristal com pernas e abraços, ouro de arco íris em vasos, gotas de aço, pele macia pedindo o calor dos seus braços.
Brisa de manha de manhã, choro da chuva fina, o oceano Djavan, na voz de uma menina.