Fugaz
LIRA FUGAZ
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Dei amor sem amar; isso teve o seu preço;
entreguei um vazio que forjou essência;
tive tua fé cega num guia de gesso,
pela funda ilusão de vencer a carência...
O que fui para ti foi um caso de urgência;
fui ficando, e depois, me tornei endereço;
me deixei dominar ou cedi à dormência
e meu fundo sem alma se deixou do avesso...
Dei assim, sem doar, o melhor dos empenhos;
os carinhos e beijos foram meus engenhos
de levar uma vida que julguei a dois...
Mesmo assim fui sincero na minha mentira,
na canção passageira da qual foste lira,
mas mostrou, desde antes, não haver depois...
Na dança sutil entre sombras e luz,
A fuga se ergue como um véu fugaz,
Mas seu encanto é efêmero, ilusório,
Pois ao fugir, a alma se dispersa.
Quem parte carrega mais que seu fardo,
Leva consigo um eco de despedida,
Um eco que ressoa nos corações deixados,
Marcando-os com a tinta da ausência.
A fuga é uma coreografia de solidão,
Uma dança onde o vazio é o par,
E quem foge dança ao som do silêncio,
Deixando para trás um palco vazio.
No fim, as fugas são como poemas tristes,
Que desumanizam os versos da vida,
E quem parte, por mais que busque se esconder,
Deixa um rastro indelével de suas pegadas.
Então fique até ter coragem para permanecer e dividir as levezas, preencher os espaços para que o eco não dissipe ímpar as coisas não compreendidas. Deixe a tinta daquelas ausências insistentes escorrem sob os pés enquanto bailamos.
Ser Audaz e usufruir
de Um Instante de Paz
É tão Eficaz que ainda
que Este seja Fugaz
Faz um bem que Refaz.
Kantianamente Fugaz
Volumes
Raciocinam
No espacial
Planos
A duas
Dimensões
Retas
No
Unidimensional
Pontos
Sequer
Raciocinam...
Devaneios
Pois que
Mal
Não faz
Devanear
Difícil
Resistir
À tentação
De tentar
Enquadrar
Os
Que estão
Ou
Pretendem
Nos
Governar
Oh Deus eterno, Senhor da sabedoria infinita,
Guia-me através das ilusões deste mundo fugaz,
Protege-me dos desejos avassaladores que tentam me desviar.
Que meus olhos se abram para a verdade, afastando a cegueira das mentiras,
Não permitas que meu coração dite meu caminho, mas que seja teu querer a me guiar.
Direcione meus passos, ó Deus, nos caminhos da retidão,
Orienta meus pensamentos para que reflitam tua luz divina,
Ilumina meus olhos para enxergar além das sombras do engano.
Que meu viver seja dedicado a Ti, Senhor, glorificando teu santo nome.
Que minhas ações ecoem como louvor à tua grandiosidade,
Que meu modo de viver seja uma manifestação do teu amor,
Não permitas que eu me perca nas ilusões do meu coração frágil.
Que eu seja luz na escuridão, sal que dá sabor à existência,
Espalhando fé onde há dúvida, sendo um instrumento do teu amor.
Que através de mim, outros encontrem o caminho para Ti,
Que minha jornada seja um testemunho vivo do teu poder redentor,
Que eu seja uma ferramenta do teu amor, exalando a fragrância da tua graça.
Que, ao seguir meu caminho, muitos se aproximem de Ti, ó Senhor,
E que eu seja um veículo de amor, espalhando tua benevolência por onde eu passar.
Efêmera flor
A flor é Efêmera
Efêmero é o amor,
E tudo que é fugaz
Está ligado a dor.
O amor não é eterno
Infinita não é a dor
Tudo de bom
Que acontece
Tem o dedo do amor.
O vendaval amortece a chama
Que apaga
O Efêmero amor
Foi na brisa de mansinho
A devassa Efêmera flor!
MEU AMOR CONVIDO-TE 💕
Meu amor convido-te a beber um copo de vinho
Para viver esta fugaz harmonia poética
Fazer da nossa eternidade um sublime amor
Navegando no silêncio subtil do teu corpo
Acariciar o teu rosto, sentir o teu coração bater
Vibrar ao lado do meu, onde o meu olhar penetra
Viajando pelo teu corpo nas palavras que envolvem a alma
Somos dois mortais enrolados num vento implacável
Como um mar impulsivo nas estrelas de poeira
Pão e vinho para desfrutar na fragrância suave das rosas
Quanto altivo elas abrem as suas pétalas para a vida
Que esplêndidas são, iluminam uma noite de paixão
Pois estamos unidos pelo canto dos pássaros, num belo pôr do sol 💕
[...] destarte, descobri que a minha forma fugaz e clandestina de pensar, tão somente me denunciava. Ante a própria face da estupidez, esculpida numa moldura maravilhada e deveras curiosa pela vida. Ao descortinar a realidade, defronto-me com a torridez produzida pela convulsão dos meus pensamentos. É que a principio eu habitava numa ilha, a qual abandonei a nado. Hoje reportei-me àquela insula, aonde saudosa ensaiava o sorriso do muito pensar. E no meio desse mar, fui invadida pelo naufrágio comum aos balzaquianos. Ora, o sol aqui não brilha tanto, e aquilo que eu enxergava por trás da quimera, já não aguça mais os meus sentidos.
Ventania no Cerrado
Chia o vento no cerrado seco
Num grito fugaz de melancolia
Zumbindo a sequidão num eco
Nos tortos galhos em poesia
Este vento que traz solidão
E também traz especiaria
Dando aroma a esta emoção
E combustão a esta ventania
Calado pelo canto da seriema
Que com o sertão tem parceria
Choraminga o cerrado em poema
Das folhas secas em sua correria
Desenhando no vasto céu dilema
Do rústico e o belo em poesia
Musicando a natureza suprema
Da diversidade em sua agonia
(Vai o vento em sua romaria.)
Luciano Spagnol
IPÊ AMARELO (soneto)
No teu fugaz aflorar. És partitura
Duma melodia cálida fulgurante
De etérea figura num semblante
No ápice duma passagem pura
Se ergue na paisagem, vibrante
Em efígie no cerrado, escultura
Tão cróceo de aparata candura
Num teor pomposo e insinuante
Ave ipê! Natureza na sua mesura
Aos olhos se faz guapo arruante
Ao poeta estro em embocadura
E neste Éden de aptidão gigante
Ao belo, a quimera se aventura
Numa viagem de visão alucinante
Luciano Spagnol
Agosto de 2016
ROGO (soneto)
Senhor, Senhor, fugaz passa, e outrora
Sonhei sonhos sonhados, tive fantasia
Como jamais poderia sonhá-lo agora
Algum ter que fora, acervo na poesia
Passou o inverno, primavera e a hora
Passou o verão, também a noite, o dia
E na espera, me perdi no tempo a fora
E na quimera, o querer então persistia
Senhor, o meu poetizar está desnudo
Sem brado, cansado, o coração mudo
E neste vazio torpor, o amor é averso
Nada vem, porém, rude foi o destino
Ele marchou, Senhor, foi com destino
E comigo o desejo do incitador verso
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
07 de outubro, 2017
Cerrado goiano
IPÊ ROSA (soneto)
Cálice róseo de fugaz formosura
Donde vem teu matizado, o tom
Que o árido cerrado te escultura
No agreste, num veludo crepom
Sois volúpia em flor, tal bravura
Doidas da "sequia", audaz dom
Onde catou a tua cor, ó candura
Belo buquê em poema tão bom
Teus segredos ao olhar rouxinol
Em um canto dum verso e prosa
O teu frescor abrigo no avido sol
Ó almas feitas, casta, tal estriga
Copiosas a esvoaçar ipês, rosa
Na savana goiana toada cantiga
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Agosto de 2017
Cerrado goiano
novembro
já é novembro, dos ventos
o tempo fugaz caminhando
as quimeras em movimentos
rodopiando, e que seja brando
inflados de sentimentos...
as coisas já esquecidas
no bolso da promessa
que não sejam retorcidas
e tão pouco tenha pressa
que cure, todas as feridas...
há tempo após a existência
tenha fé, no nosso Criador
mais louvor... mais reverência
e assim, mais sal, menos dor
afinal, o penúltimo mês do ano
que o recebamos com amor
e que não sejamos, profano...
no coração todo o valor
lembranças, sem dano
mês de finados, luz, fervor...
bem-vindo!
- mês 11 do calendário gregoriano
chegou novembro, que seja lindo!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
01/11/2019, 05'35"- Cerrado goiano
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