Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz.
Parece que às vezes sou espontânea demais e isso me torna engraçada.
Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nota: Trecho da crônica Facilidade repentina.
...Mais Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer?
Que o Deus me ajude a conseguir o impossível, só o impossível me importa.
Clarice Lispector
Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo.
Não tenho nenhuma saudade de mim – o que já fui não mais me interessa!
Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres.
Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nota: Trecho da crônica As três experiências.
...Mais Entre as marteladas eu ouço o silêncio.
A verdade é que ser anjo estava começando a me pesar.
Clarice Lispector
Para não esquecer. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.
Nota: Trecho da crônica Mal-estar de um anjo.
...Mais Você há de me perguntar por que tomo conta do mundo. É que nasci incumbida.
Mais que um instante, quero seu fluxo.
Como um gato de dorso arrepiado, arrepio-me diante de mim.
Eu vou ter tanta saudade de mim quando morrer.
Mas eu sou uma chata que parece viver com medo de dizer as coisas claramente.
Clarice Lispector
Todas as cartas. Rio de Janeiro: Rocco, 2020.
Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, escrita em 5 de novembro de 1948.
...Mais E ninguém é eu. Ninguém é você. Esta é a solidão.
Sua sensibilidade incomodava sem ser dolorosa, como uma unha quebrada.
Clarice Lispector
Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
Nota: Trecho do conto Devaneio e embriaguez duma rapariga.
...Mais Eu não sou uma sonhadora. Só devaneio para alcançar a realidade.
Somos livres, e este é o inferno.
E todos os dias ficarei tão alegre que incomodarei os outros.
Clarice Lispector
Minhas queridas. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.
Nota: Trecho de carta escrita em 29 de janeiro de 1945 a Elisa Lispector.
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