gato no galho,
bem-te-vis na janela,
e eu no telhado
sobre a cerca,
os mais novos girassóis -
ninguém à vista
na parede, a sombra
do tigre andando na sala ?
no chão mia o gato
tomando banho só
no riacho escondido -
cantos de bem-te-vis
os aloendros
em fila
nos separavam do mundo
Rosa branca se diverte
Pétalas no vento
Imitam a neve.
a cigarra anuncia
o incêndio de uma rosa
vermelhíssima
tarde cinza
toda azaléia
arde em rosa
jardim sem flor
entre as páginas do livro
a rosa e sua cor
Sobre a laje fria
diz adeus à primavera
uma rosa murcha.
O amor não precisa de memória, não arredonda, não floreia:
faz forte estilo. E fim.
Um sentir é o do sentente, mas o outro é do sentidor.
O corpo não traslada, mas muito sabe, adivinha se não entende.
Significa que posso não ter muito conhecimento e/ou experiência, porém desconfio de como as coisas sucedem já que possuo imaginação. (Riobaldo - Grande Sertão: Veredas)
Pãos ou Pães é questão de Opiniães.
Mas; também, cair não prejudica demais – a gente levanta, a gente sobe, a gente volta! (...) O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.
Guimarães Rosa
Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
Nota: Os trechos costumam vir unidos, mas, no livro, eles são separados por algumas páginas.
...Mais No que vagueia os olhos, contudo, surpreende-se-lhe o imanecer da bem-aventura, transordinária benignidade, o bom fantástico.
A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero.
Coração da gente – o escuro, escuros.
Guimarães Rosa
Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
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