⁠A pergunta ecoou no vazio do... Eliete Ribeiro

⁠A pergunta ecoou no vazio do apartamento, fria e implacável, como um sino a anunciar a hora da solidão. "Como você está?", minha mãe perguntou, sua v... Frase de Eliete Ribeiro.

⁠A pergunta ecoou no vazio do apartamento, fria e implacável, como um sino a anunciar a hora da solidão. "Como você está?", minha mãe perguntou, sua voz carregada de uma preocupação que eu conhecia tão bem, mas que agora soava distante, quase irreal. Engoli em seco, a garganta seca como o deserto que se estendia dentro de mim. O silêncio que se seguiu à pergunta era denso, pesado como chumbo. Olhei para o telefone, para as mensagens não respondidas, para o café esfriando na xícara. Cada objeto era um testemunho mudo da minha solidão. "Estou bem," respondi eu com os olhos cheios de lágrimas, a mentira pairando no ar como um véu pesado, uma tentativa desesperada de esconder a verdade. A solidão era um monstro invisível, apertando meu peito, sufocando-me lentamente, e a única coisa que me restava era a máscara de um sorriso forçado, uma performance para uma plateia vazia. As lágrimas escorriam silenciosamente, traçando caminhos invisíveis sobre meu rosto, ninguém via as rachaduras em meu sorriso, as lágrimas que insistiam em permanecer escondidas, um segredo guardado a sete chaves em meu coração. A solidão era um abismo profundo, e eu estava sozinha, à beira do precipício.