Eu tenho um guarda-roupas recheado de... HELSINKI

Eu tenho um guarda-roupas recheado de calças, camisas e camisetas de cores variadas e exotéricas. Tons vibrantes, estampas ousadas, até aqueles padrões fora dos padrões. É engraçado! E, no entanto, dia após dia, continuo escolhendo o preto ou o branco. Como se, de alguma forma, essas duas cores fizessem mais sentido, como se elas fossem mais... eu. Um jogo simples e sem surpresas, mas que ainda assim transmite algo profundo, como uma dança sutil entre a luz e a sombra.
Acho que isso diz muito sobre mim, ou talvez apenas sobre o que eu sou hoje. Porque, se você olhar para o meu coração, verá algo curioso. Ele é como um grande tabuleiro de xadrez, cada movimento medido, calculado, mas sempre com o risco de um erro, de uma jogada que pode não dar certo. Preto e branco, sempre. Sem meio-termo, sem aquela confusão de cores que, por vezes, confunde as ideias e os sentimentos.
Eu, no fundo, sou como um peão. Tento, tento, tento, mas sempre há aquele medo de que a próxima jogada me faça perder. O peão não volta atrás. Uma vez que ele se move, não há como voltar para a casa anterior. E o meu coração sabe disso. Ele se entrega às escolhas com a precisão de quem está pronto para avançar, mesmo com o receio de que o próximo passo me leve para mais longe da linha de chegada do que eu imaginava.
Mas, por mais que o tabuleiro de xadrez da vida me desafie, eu não sou uma peça qualquer. O jogo nunca termina, e cada vez que escolho o preto ou o branco, estou, na verdade, me preparando para a próxima jogada. Mesmo que ela não seja perfeita, mesmo que eu perca uma ou duas oportunidades. No fim, o que importa é o movimento. E quem sabe, talvez o próximo lance seja o que finalmente me leve a algum lugar onde as cores não sejam mais só preto e branco.