Sou um pássaro que foi trancafiado... Gesiel Modesto

Sou um pássaro que foi trancafiado numa gaiola desde que nasci e, após 20 anos, liberaram-me unicamente por cuidado de outrem; eis, pergunto louca e fortemente: como poderia um pássaro que só conheceu uma realidade — aquela em que me foram inutilizadas as asas — voar para o além, sem ou com direção, para incitar-me a sensação relaxante que teria após ver o pôr do sol no sublime e infinito horizonte? Como poderia atravessar o mar, se nunca me foi criada resistência para sair do chão? Vivemos com o que temos; nascemos, alguns, com imposições duras que, infelizmente, perduram para a vida toda.