⁠Minha confissão... Hoje foi o dia do... Gabriel Hayashida de Arruda

⁠Minha confissão... Hoje foi o dia do meu último exame. Com as mãos trêmulas, entreguei a prova, sem ânimo. O mestre, com seu olhar sereno, mas impiedoso, pergu... Frase de Gabriel Hayashida de Arruda.

⁠Minha confissão...

Hoje foi o dia do meu último exame.
Com as mãos trêmulas, entreguei a prova, sem ânimo.
O mestre, com seu olhar sereno, mas impiedoso, perguntou:
"Que nota devo dar-te?"
Fiquei em silêncio,
E o silêncio foi o meu mais sincero exame de consciência.
Lembrei-me do ano que vivi,
E vi que falhei não apenas nas aulas,
Mas em tudo:
Nos estudos, no esforço, nas promessas feitas
A mim mesmo e ao que eu deveria ser.
Fui ausente, incapaz,
E o resultado da prova foi o reflexo do meu descaso.

Pensei, então:
Seria justo dar-me um 10?
Seria justo, após tanta negligência,
Receber o mesmo que aquele que se entregou,
Que se dedicou?
E, se assim fosse, qual seria a verdade?
Minha vida tem sido uma sucessão de mentiras.
Falhei na oração, no rezo, na missa;
Falhei no essencial, como quem falta a si mesmo.
E, diante do Senhor, como poderia justificar minha farsa,
Meu abandono?
Só há uma resposta honesta:
"Dar-me um zero, e lançar-me ao inferno,
Se assim for segundo a justiça de Deus."
O que há de mais justo do que minha condenação?
E o que há em minha aprovação senão uma injustiça?

Fui um péssimo aluno, Senhor,
E Tu foste o Mestre perfeito,
Com tua sabedoria infinita, com teu amor sem fim.
Como posso eu, um pecador,
Que falhei em tudo,
Olhar nos Teus olhos e considerar-me digno
De um galardão que só existe na mente dos que vivem no engano?
Como?
Paulo, disseste que tu eras o pior dos pecadores,
Mas, se me conhecesses, saberias que sou eu o pior!