A síndrome do pânico É noite... Bruna Longobucco
A síndrome do pânico
É noite
Madrugada
Acordo assustada
Sinto falta de ar
Dispara meu peito
Quero fugir
Quero correr
Parece que vou desmaiar
É dia
Coração acelerado
Compasso desatinado
Falta o ar
Gira o chão
Estou sem lugar
É essa fobia desajustada que me faz desatinar
Tantos médicos
Um diagnóstico
Síndrome do pânico
Não sei o que fazer
Sinto medo de sentir medo
Esse pavor que insiste
Desassossega
Mas desacreditam de mim
Duvidam
E até se divertem
Acham que é frescura
Fricote
Mas é tão forte
É dor de morte
Aprendo a respirar
Aprendo a controlar
Joguei fora a tarja preta
Minha mente precisa aquietar
Sem química
Sem me envenenar
Aprendi que o medo não pode me controlar
Conheço agora suas faces
Os disfarces
São linhas que não se veem
Caminhos que não se leem
Obscuros passos
Impensados espaços
Hoje não procuro aceitação de ninguém
Venço todos os dias
Já não sou toda do medo
Meu medo aprendeu a ser parte de mim.