Filósofos
Fazer a melhor escolha deve ser no máximo trabalhoso, nunca aflitivo. Se as circunstâncias que não dependem de nós são um limite, e nossos esforços e capacidades também são limitados, então no fim das contas não houve escolha. Houve apenas e justamente o que nos cabia.
A hiperpopulação, aliada à era da informação trouxe à tona o caos de opiniões humanas. Hoje somos ratos furiosos apertados dentro de uma caixa. Diante disso, me parece bem mais sensato olhar com honestidade para minhas próprias atitudes do que tentar convencer os outros das minhas vãs opiniões.
Não seria burrice insistir nessa compulsiva busca pelas melhores ideias enquanto a capacidade de diálogo (algo bem mais primário) permanece atrasada?
O exercício humano se divide em três coisas: ação mental, ação corporal e inação. A ausência injustificada de qualquer uma das três pode e deve ser considerada preguiça.
Ninguém duvida da existência do bem e do mal. Já a grafia com iniciais maiúsculas denota uma notória desassociação de responsabilidades.
A razão última de cada coisa e de todas as coisas nos é tão obviamente inacessível, que automaticamente passa a não nos interessar.
Quando o enguiço da máquina beira a cronicidade, é trivial surgirem vozes bem intencionadas questionando se a roda deveria mesmo ser redonda.
O bolo da felicidade se compõe de uma massa chamada "necessidades comuns" e de uma cobertura chamada "inutilidades individuais".
Prática consciente de injustiça, em si, não existe. O que existe é conceito de justiça que privilegia a si.
Não importa o que você faça, sempre terá alguém para criticar. Portanto, procure agir de acordo com seus instintos, seja fiel aos seus sentimentos, ao seu eu. Como já dizia Nietzsche, "nunca é alto o preço a se pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo".
Quanto às finalidades da sabedoria humana, entendo abrirem-se quatro ramos: autopreservação, justiça, conforto e distração. Talvez por isso aquela manifestação imaterial (que genericamente chamamos de amor) nos seja tão intrigante: não podendo caber na sabedoria, pode ao contrário abarcá-la, e eventualmente prover seus quatro ramos.
A maldade consciente só é praticada de duas formas:
A primeira, pelas pessoas sem senso de justiça.
A segunda, como reação à primeira.
Em ambos os casos, quem pratica se imagina na segunda forma.
A rigor, só existem duas maneiras de encarar a vida: questionado como ela deveria ser, ou tentando identificar como ela é. Desnecessário mencionar a mais funcional a longo prazo.
Odiar conceitos maus sobrepõe-se a odiar pessoas más. Mas aí esbarramos no direito que as demais pessoas têm de terem seus próprios conceitos. Eis que então só restarão conceitos em nós mesmos para odiar, quando a única e real evolução finalmente pode tomar curso.