Filosofia
Me conte mentiras sobre a democracia brasileira
Abarrote meu estômago com cerveja
Cubra meus olhos com futebol e novelas
Entupa meu nariz com fumaça
Recheie meus ouvidos com piadas estúpidas
Me conte mais, eu não suporto a verdade
Tudo o que é criativo aqui se contamina
O errado se torna normal, o certo é banal
Prevenir é papo furado, sujeira se deixa guardada
Me conte mentiras sobre a democracia brasileira
O passado e o futuro em minha mente brigavam,
o sangue transparente em meus olhos sussurravam,
aos baixos dele eu ouvia que no fim eu
seria o que eu era antes da
minha vida.
A vida e seus diálogos ...
Iludo-me pensando que sei
e assim sei o que ainda não cabe
preencho-me de algo que é nada
pois, é isso... nada sei...
Quando penso que sei
ali há o outro que vai além
disso que pensei saber
ilusório, este não sei
e base desse tudo e nada...
Por isso há o senhor
você, tu, o outro
pois também dentro do nada
sabe e cabe dentro do que sei
cala quando vê que sabe
fala quando o não saber não cabe
E assim crescemos, fazemos o saber
na troca do que não sabemos
na partilha desse nada
vamos conhecendo, transformando
por fim sabendo...
... que saber é movimento
diálogo entre eu e você!
Sou extensa, fluida ...
... carrego em mim o oposto daquilo, a que me entrego em definição. Portanto, expandir é meu prazer, a metamorfose diante dessa sutileza que não tenho, é o que tenho de mais concreto e o intangível é o que me contorna!
O INSENSATO
Hoje eu fui insensato...
Deiinformações relevantes para um SURDO.
Tentei tirar a venda de um CEGO!
Como fui insensato.
Ao escrever este poema perdoo a mim mesmo e faço votos de não cometer tal insensatez novamente.
Antes ficar calado e ser tido por MUDO, que falar de mais e ser tido por insensato.
Aja mais, espere menos. Suba o primeiro degrau, mas não se preocupe com o último. Viva o presente, não olhe para trás. Não questione, sinta, não pressione, liberte. Se você recebe o amor, você tem muito, se você dá, você tem tudo.
O grande disparate da humanidade está bem abaixo do nosso nariz: em nós mesmos.
Preenchemos nossa vinda a este mundo com demasiadas preocupações e criamos uma auto-proteção fúnebre guiada pelo medo e o ego. Sem percebermos, nos tornamos orgulhosos demais parar admitirmos nossa equidade, desconfiados demais para acreditar, egoístas demais para ajudar quem está ao nosso lado e covardes demais para amar. Mas não raro percebemos quão tudo isso poderia ser simples, e basta olharmos ao nosso redor. Há sempre alguém pronto para nos entregar amor, mas que, muitas vezes, não percebemos, ou até ignoramos, pois estamos ocupados demais com aqueles que não nos ama. Preocupados demais com o que não temos.
O problema está simplesmente na busca e esperança que cultivamos desde muito cedo ao nos espelharmos em um modelo de felicidade, de uma vida perfeita guiada pelo romantismo, quando a vida não é sobre ser perfeita.
E as nossas idealizações acabam por ser surreais...
Passamos então maior parte de nossas vidas em busca do que queremos, em prol das nossas projeções e coisas momentâneas que não precisamos,
e só nos damos conta quando já temos, e novamente insatisfeitos em busca de uma nova conquista.
Aí percebemos que a resposta pra tudo isso não está nas coisas, não está nas pessoas. Está em nós.
As pessoas lamentam por suas perdas porque muitas delas carregam consigo o peso do passado.
A culpa e a impotência de que podiam ter feito mais, fazendo a vida continuar a ensiná-las
nas perdas a valorizar aquilo que enquanto tinham não souberam.
A base ideológica de uma sociedade é a educação. O gestor público que não valoriza a educação, almeja usar a ignorância do seu povo como massa de sustentação de sua oligarquia no poder
"Há o descanso decerto
De um corpo num jazigo.
Mas a alma se vê num deserto
A procura de um abrigo."
Rogério Pacheco
Poema: Texto de rotina
Livro: Vermelho Navalha
Teófilo Otoni/MG