Fado

Cerca de 233 frases e pensamentos: Fado

⁠TALVEZ

Se no agrado do fado não puder te sentir
E se na prosa não acontecer aquele laço
Aquela emoção afável não mais existir
No amor, no afeto, no calor do abraço

E se não estiver junto aquele doce olhar
Sentir o desejo das magias enamoradas
E dos tão ardentes beijos a nos acalorar
Então, seremos recordações imaculadas

E, que seja breve se não puder me levar
Que leve minha poética na tua sensação
Suspirada da minha emoção, pra lhe dar...

E, se assim não puder, que seja singular
E me leve na nostalgia de o teu coração
Cá te terei na saudade, que quis te amar!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
26 setembro, 2021, 12’47” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠BENEFÍCIO

Resta-me compactuar com o mando do fado
Aceitar o que fadou pra mim, e então, assim,
Pouco a pouco outra sensação, cá no cerrado
Pois, a história de retornar, a dor é de festim

E, quantas venturas, emoções, num perdido
Da Cidade Maravilhosa silêncios tristonhos
Aperta e chora o peito, de um tempo partido
Pois, em cada saudade há pedaços de sonhos

E o meu poetar vagueia no revés eleito, feito
Vai despregando cada um dos secos espinhos
Deixando o sentimento planeado de bom jeito

Eu rogo a Deus que me permita mais existir
Fui mais, e muito mais tenho nos caminhos
Se passou, passou. Na gratidão quero sorrir...

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
27/09/2021, 09’55’ – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠UM FADO, POIS ENTÃO

Se, pois, então, és recordação
Uma ilusão que saudade gera
Lá por estar fundo no coração
O silêncio é bem o que ulcera
E essa sensação tão profunda
Não perece com a primavera
Dor que faz a prosa moribunda
Tristura que sempre se espera

E, eu sem amansar essa severa
Angústia, que me faz diminuto
Ao lado onde a sonho degenera
Fico a cada minuto a me abastar
Do teu nome, em um verso bruto
De um fado, pois então, a cantar!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
18’08”, 16/10/2021 – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠PORTA-VOZ

Cada naco do fado de que eu vivi
Resumido, desvairado e disperso
Suspirei, chorei, contentei e senti
E tudo o mais sussurado no verso
Amei, dos não amores sobrevivi
Em um trovar poético e diverso
Alguns com exatidão os escrevi
Amoroso, na imaginação imerso

Tudo passa, fugaz e tão fecundo
Poesia é vida e vive eternamente
E não é minúscula e ou teoremas
Tende. Intui. No inspirado segundo
Em cada sensação ali está presente
Deixo de porta-voz, os meus poemas

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
24, novembro, 2021, 20’07” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠ENTRELINHAS

Se o ledor pudesse ler as entrelinhas da poesia
Minha, que cada surpresa do fado me reservou
Entenderia os suspiros, a dor e toda a antinomia
Dos versos agridoces, que no meu versar chorou
A desdita está em cada poética, tanta a agonia
Imbuídas naqueles perdidos sonhos que sonhou
Cada desejo, num gesto que não era de alegria
E sim, apertos no peito, que o causar idealizou

Poeto sentimento, o sentimento inteiramente
E nunca indiferente, e tão pouco eternamente
Devaneio, amo, idealizo, busco ir sempre além...
Porém, do calvário não se pode ficar sem nada
Cada qual com seu traçado e com a sua estrada
Tudo passa! E do destino aquele servo e refém!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
04 agosto, 2022, 20’22’ – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

TRAIÇÃO (soneto)

Sobre o meu ser, como sobre o poetar
Tirano fado, cai o senhor brutal engano
Como numa tarde de outono a desfolhar
Tomba a decepção num recital ao piano

Oh! dor do falto no silêncio a embalar
Solitário, tão sem sonho, no abandono
Minha trova, no pesar põe-se a chorar
A perfídia, acordando o inquieto sono

Oh! lastimar aqui neste meu ensejo
Que me vejo, nesta madrugada fria
Ter a alma como uma fé sem oração

Deixando a paixão sem amor e desejo
Tristonha, cabisbaixa, desiludida, vazia
Aos desmandos da desatinada traição...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
22 de janeiro de 2020, 04’55”
Cerrado goiano - Olavobilaquiando
- quem nunca!

Inserida por LucianoSpagnol

IDENTIDADE (soneto)

Não sou assim nem assado, sou!
É o que tenho no fado, por agora
E, às vezes, tão poético vou afora
Que eu nem chego a ser.… estou!

Não sou isto ou aquilo! Eu vou!
Todavia, tento fazer de toda hora
Brandura, esquecendo o outrora
E das dúvidas um agradável voo...

Se acabou, passou, o que importa
Quero abrir no estro outra porta
E assim, então, eu decorro vendo...

A vida, que é curta, na sua temporada
Tento de estar igual em cada morada
E, ao poeta os devaneios pra ir sendo!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
26/03/2020, 09’34” – Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

EM CONFISSÃO (soneto)

Meu amor, minha paixão (dor e o contento)
Meu fado azarão, dedo turvo na predileção
O meu devaneio vestido, e desnudo o alento
Quanto o vulgo, sentimento, pura desilusão

Santo confessor! Ao meu flagelo fique atento
Sabeis tudo, tudo.... - dos segredos do coração
Meus lamentos, em vão, desastrado juramento
Nas juras, ao luar, evolou só insensata emoção

Um cativo na noite infinita, ó noite tão infinda
Sabeis que sem afeto o mundo é uma mentira
E que rude é a lágrima que escorre tão sofrida

Eis o meu amor, quebrável, em súplicas ainda
Santo confessor! Deste desventurado caipira
Quem pode detê-lo sem pô-lo de partida? ...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
28/03/2020, 23’13” – Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

AMOR DE POETA

De um lado, o sentimento, do outro lado
O fado, pelado, cru, desnudo de fantasia
O sonho no beiral do lampejo debruçado
Na alva, na lua, e no entardecer do dia

Se fala de afetos, lasso fica o seu agrado
É que a paixão o cega, e o pranto o guia
Nas sofrências que tatuam o seu passado
Cada verso dilacerado, senhora a poesia

Intenso. Emoção vaza em cada trova sua
Sem defesa, intacta, e de total entrega
Do silêncio, a ternura no estro profundo

Em frente as sensações, a tua alma nua
Onde a mais ingênua imaginação navega
O árduo amor, dos Poetas deste mundo!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
01/04/2020, 07’12” - Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

O que com o fado se fere, só com fado se cura!

Inserida por LiAzevedo

⁠Há um cântico de Coimbra,
Em alma minha!...
Ainda que mal caminha.
Canta um fado e uma guitarra, ainda vibra.



Fado de bom destino.
Como que um hino!
Fado de boa sorte!
E não de morte!


Porque nesta cidade,
Há um Deus de vida.
Um Deus de verdade!


Que aos homens salva.
E a mim ainda...
Minha alma torna alva!

Inserida por Helder-DUARTE

⁠Lamentação


Porque neste fado estou?!
Como quem foi mal fadado!
Porque não sou,
O que poderia ser, se estivesse noutro estado?!

Porquê? Mas porquê?
Pergunta alma minha.
Meu ser mal caminha.
Também para quê?

Sem força caminho,
Com rumo incerto.
Sem saber meu destino...

Só uma coisa sei...
Ao certo...
Contudo , no juízo a Deus verei!...
HELDER DUARTE

Inserida por Helder-DUARTE

⁠FADO
Nesse mundo louco
Dê-lhe esporas pro teu cavalo
Tudo escute um pouco
E cale o que não tem diálogo
Que gritem os roucos
Pratica firme o teu decálogo
Com ouvidos moucos
Faz do fado o teu regalo.

Inserida por alfredo_bochi_brum

Fado canta-se de boca fechada e de alma aberta.

Inserida por JoniBaltar

Na Têmpora do Fado

Dentro da voz
desata-se o fado
desamparado,
distópico, tão-só:
enxuga as feridas
abertas dos versos.


Ao colo da guitarra
rasteja a parafina madrugada.
Nos dolentes candelabros
escorre o atávico poema
na têmpora do fado
dos facultativos paradoxos.

O inábil silêncio ocultou-se
atrás dos poros do fado,
ouve-se a cor da noite
a cantar a idónea
leveza da existência
e a caridade da morte.

Inserida por JoniBaltar

⁠Sejas bem-vindo Agosto!
Deus te traga abençoado,
Como sublime Fado...
Com muita Saúde
Assim, bem amiúde...
Com positivo sucesso,
Progresso...
Muitas Alegrias,
Presentes todos os dias,
Na Alma e no Rosto...
Sem lugar para o desgosto!
E ainda a acrescentar,
Que o Amor tenha lugar,
Em cada Vida,
Em cada Lar!

Inserida por deolindascensaogrilo

⁠Só percebe o fado quem tem saudade, quem não tem mais quem já perdeu. Tem-se o fado na alma.

Inserida por JaneSilvva

⁠Vós que sois juízes do meu fado,
aqui no resplendor das antefaces,
protegei a minha vida com cuidado,
sem essa aberração das subclasses.

Dizei tudo o que sou e o que não sou,
velai a minha acção a descoberto,
e vede que meu mal não se acabou,
aqui neste arraial de peito aberto.

Por isso, olhai o circo, em traje puro,
os bons malabaristas e os palhaços,
mirai alguns funâmbulos do futuro
fitando os movimentos que aqui faço.

Defendei o meu feitio rude e tosco,
com esse bem-querer que vos conheço,
e sei que poderei contar convosco
enquanto eu divagar neste endereço.

Inserida por AntonioPrates

Minha poesia

Minha poesia não é de fado
nem de medo, nem de tédio
minha poesia não é de hoje
aos que dela se alimenta
não trás culpa nem remédio

Minha poesia é riso ao que chora
minha poesia nunca foi despedida
minha poesia, inoportunamente fica
quando lhe pedem pra ir embora.

Minha poesia não é de angústia
nem de saudade dolorida
minha poesia vislumbrar o futuro
se agarra ao presente e dele suga vida.

Inserida por EvandoCarmo

Sísifo

Vai e volta, vinda e partida, recomeço
Aí é o tal preço, nesse caminho duro
Da vida, afinal se não for com apreço
A angústia, o medo, inundam o futuro

Recomeça, se desejares, sem pressa
No passo o compasso do passo dado
Na liberdade doada, que a razão meça
Os alcances, pois, o desejado é alado

E enquanto, ainda, tu não alcances
Não descanses na ilusão da metade
Se saciares com os poucos lances
A sorte não lhe será uma realidade

Sonho tem sempre parte de loucura
Onde a lucidez reconhece cada azar
E nesta queda livre que é a aventura
Não esqueças jamais do vetor amar

© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Mês de maio, 2017
Cerrado goiano