Escutar
O Maior Sábio E Aquele Que Ver Tudo, Escuta Tudo, Ouvi Tudo, e Guarda Para Usar Como Arma Mais na Frente.
O passo da conversa
Iniciar uma conversa despretensiosa é quase sempre um prenúncio de tragédia. Já reparou como o passo da conversa distrai?
Mal começa-se uma conversa e pronto, distrai-se! Perde-se o último ônibus, tropeça-se, cai no buraco.
O passo da conversa parece ter a função de ninar a nossa atenção. Você está atento, mas a sua atenção foca no diálogo, esquece do mundo ao redor, transforma-o em cenário para que o diálogo se desenrole. E um bom papo desarma a gente não é mesmo?
Nos transforma em poetas, em filósofos, em heróis ou em vilões, em seres mortais ou imortais, transforma-nos em expectadores de nossa própria realidade. Desperta em nós toda humildade ou arrogância contida na mais profunda e insubstancial dimensão de nossa alma, e as fazem aflorar num regozijo de palavras fugitivas,que saltam de nossos lábios, feito prisioneiros escalando em fuga muralhas robustas quase intransponíveis, na busca por uma liberdade falseada e efemeramente transitória.
A verdade é que o passo da conversa deixa a gente mais lento mesmo, parece diminuir a marcha do tempo, conspirando para otimizar o instante que antecede a despedida, que nos torna novamente à realidade, onde distrair-se pode ser muito oneroso.
E por fim...Cessa-se a conversa, os passos aceleram, a distração desaparece, ouve-se as buzinas dos carros e sente-se o cheiro da fumaça produzida por seus motores embrutecidos, a poluição invisível faz arder os olhos e secar a garganta. Tudo volta a sua normalidade habitual. Até logo, até amanhã!
VAZIO
Quem intentará contra si
dizendo de sua força
negando a tua bravura?
Se és tu,
amargo feito sonhos não vividos
e transbordante de lampejos de dor
que embriagam a alma tua, de tristeza.
São feito tiros disparados a esmo na escuridão
almejando alvos possíveis,
irrompendo medos com violência bruta
fragmentada em momentos de pura ira.
Porque não consegues viver plena a tua vida?
Tens dois lados...
Serão esses os monstros que se alimentam de si?
Onde está a sua alegria, porque não vives plena as tuas duas vidas?
Se olvidastes os sonhos teus, descobriria que sonhas os sonhos meus.
E aí... Talvez ao fazê-lo, rache por dentro!
E talvez se encha de alegria,
e talvez sinta um pouco menos de dor.
Seus olhos e a inspiração que eu procuro todos os dias, queria poder decifrar seu olhar não só escutar o som da sua voz, você e como a lua, é pura, calma, e me traz inspiração.
O ar pra respirar e
sentir e relaxar.
Os olhos pra olhar e
sentir e apreciar
as mãos pra tocar
e sentir.
a boca beija e
sente e fala.
o coração escuta tudo e
sente e aceita
e se cala e passa e atravessa ...
Quando amor
Você leva um pedaço meu
Quando essa porta se fechar
De tudo que virou vício
Eu tenho que desapegar
Tipo mexer no seu cabelo
Te fazer rir até cansar
Ou aquela nossa música do Zeca Baleiro
Que eu não posso mais escutar
Quando não há escuta dos próprios sentimentos, a emoção tóxica se manifesta, o raciocínio se perde, o corpo perdido, adoece.
Há momentos em que a vida se torna um fardo tão pesado que o coração transborda em silêncio, e o outro, ao nosso lado, clama por algo além das palavras: clama por escuta, por acolhimento. Quando nos deparamos com a dor alheia, é um convite não para a solução imediata, não para o julgamento rápido, mas para a presença. Muitas vezes, o maior ato de amor que podemos oferecer é simplesmente estar ali, ouvir sem pressa, abraçar sem questionar, permitir que o outro sinta plenamente, sem interromper com opiniões ou conselhos impensados. A dor do outro é única, e, por mais que pensemos entender, jamais seremos capazes de medi-la com precisão.
Nosso erro, muitas vezes, está em julgar aquilo que não vivemos, em acreditar que somos senhores da razão, e que nossas soluções são universais. Esquecemos que cada alma é um mundo, e o que para nós parece pequeno, para o outro pode ser um abismo. Respeitar o sofrimento do próximo é, antes de tudo, um ato de humildade. Não cabe a nós decidir o peso do que o outro carrega, mas sim oferecer um ombro firme, um abraço acolhedor, e a paciência necessária para que o outro se sinta ouvido. Mesmo quando as palavras se tornam amargas, mesmo quando o desespero transborda em queixas contra a própria vida, devemos lembrar que o acolhimento não está nas respostas que damos, mas na escuta que oferecemos.
Assim como Jó, que enfrentou sua própria dor, seu luto e seu questionamento diante da vida e do Criador, todos nós, em algum momento, nos tornamos aquela pessoa à beira do abismo, buscando sentido no caos. E assim como os amigos de Jó, que o acompanharam em seu silêncio, há momentos em que nossas palavras se tornam desnecessárias. O que resta é a presença. A escuta atenta e compassiva, sem julgamentos. Pois a dor, como a vida, segue seus próprios caminhos, e o que o outro mais precisa, em seus momentos de vulnerabilidade, não é a certeza da razão, mas a certeza de que não está só.
A escuta de um trauma
O trauma é uma cordilheira de escombros.
Existe um sujeito soterrado nesse emaranhado de dor?
Existe vida, depois do trauma?
O trauma é afiado, e o trauma falado corta, rasga, craquela o sentido, a fantasia, o imaginário.
E nesse caos subjetivo, a escuta também dói.
A dor de quem ouve o trauma é a dor de presenciar uma avalanche, como um observador distante, de um lugar seguro e impotente, de quem vê a destruição passar, dela não faz parte mas é por ela tocado, e é dela também um sobrevivente.
Como num mar revolto, o terapeuta precisa saber nadar, mergulhar, respirar, numa posição peculiar de quem entra em cena para cuidar de alguém se afoga, sem poder no entanto, salvá-lo ou nadar por ele.
Sou eu quem vai te ouvi,
te fazer sorri e te ver sorrindo
quando o mundo não se importar,
não te enxergar,
não te escutar.
CALEI-ME NA ESPERA
Calei-me para que tua voz me ouvisse.
Sem saber se eras chuva se fazendo nuvem.
Fiz-me escutador do não proclamado,
Para sorver a sonoridade que te habita.
Almejei a resistência das pedras,
Para fazer-me mineral em tua estada.
Quis saber como crescias em mim,
Para ser-me tua raiz de espera.
A paz contemporânea que desejo, envolve meu passado. Dos dois lados do disco, só toca o lado B. Hoje, de tanto escuta-lo, sei as músicas decor. Estou à procura de um toca discos que toque o lado A desse meu disco. Quero poder saber as canções que sempre estiveram lá e eu nunca tive tempo - disposto - a escutar.
Se continuar escutando oque as pessoas dizem umas das outras , você não irá conhecer ninguém de verdade. Então se tem dúvida de determinada pessoa, vá lá e pergunte você mesmo. Atitude pense!