Engolir
Mais uma vez a vida me pede pra ser forte, me obriga a engoli todo esse sentimento surrado pra tentar buscar algo de digno ao final dessa guerra, guerra minha com você, minha com meu amor, minha com minha dor. Mas onde está meu amor próprio quando procuro nosso amor nos escombros, quando tento limpar toda essa ferida, sendo que nem saudável eu estou? Onde está toda aquela segurança de se saber insubstituível? Não era ele que devia ta chorando agora, me procurando, implorando por um nós no futuro? Então porque eu estou aqui com o celular na mão mandando a milésima mensagem, justificando o não recebimento das respostas pra mim mesma. Mas sempre foi assim, nunca soube lhe dar com rejeição. Rejeição pra mim sempre foi como asma, tira o ar, sufoca, comprime o estômago, e mesmo sabendo que não há mais o que tirar de nossa veia aorta, nosso sangue parou de bombear, foi morte na certa, ainda preciso ouvir você dizer que me quer, nem que seja pra mentir, inventar um mundo em que nosso afastamento não foi por falta de amor, por sua falta de amor. Deixa eu ficar quieta e buscar em mim essa força que me falta, porque ainda quero ser lembrada como a mulher fantástica que você conheceu, não como essa louca neorótica que te liga tarde da noite pra perguntar pela milésima vez porque que acabou. Porque a gente faz isso? Não seria mais simples entender que acabou, fechar a porta e ir embora, tirar um dia pra beber até cair, dormir no colo de um amigo exausta de tanto chorar, ouvir todas as músicas depressivas até toda essa dor virar pó? Tudo isso em silêncio pra que ele nem imagine. Porque a gente tem que gritar esse amor, se nem ele quer ouvir, porque a gente se vitimiza tanto e torna algo que um dia foi tão bonito em algo medíocre. Aquele sentimento que pra ele era tão bonito e atrativo, hoje apenas causa recusa, asco porque pra ele o amor acabou, pra mim ele ta vivo, agarrado aos escombros, implorando resgate, surrado, feio sem nenhum atrativo a mais que seja o suficiente pra trazê-lo de volta.
Não tenho culpa de te amar. É algo que sai do meu controle e vai engolindo-me sem a permissão devida. -Tenho o direito de escolher quem eu quero na minha vida e o que sentirei por ela- Era o que eu pensava até a lua aparecer e colocar-me para voar. Os meus pés não queriam voltar para o chão e tornei-me dependente do teu brilho extraordinário. Não sei bem o que anda acontecendo dentro de mim, é algo indecifrável, a muito tempo não pensava nela, mas tudo voltou a ser como era antes, intenso como o primeiro namorado de uma adolescente qualquer.
O papel da verdade
Vai se engolindo a verdade com menos temperos.
Real em essência e busca.
Com atenção.
Com pensamento.
De pé na fila.
Entre um bando de responsáveis.
Entre as modas por estação.
Com as patentes de presos políticos.
O preço do globo e números
Circenses ou teatrais, puramente instrumentais.
O cotidiano fim de semana,
Sempre no particípio.
Arte plástica.
Como ser mais de dois mil anos depois de Cristo e uns trinta a mais depois de Cleópatra.
Sem muito destaque para contribuição à memória.
É verdade agora e mais ou menos.
Já que 'sapo mora na lagoa e perereca na folhagem', o ideal é não comer qualquer perereca nem engolir sapo dos outros!
Naquele dia engoli o choro. E disse um tchau bem frio pra tentar esconder toda minha raiva por tudo que estava saindo do meu controle. Mas meus olhos ainda revelavam o quanto queria que ele ficasse o pouco mais. KC&Pensamentos
Quando uma pessoa não quer mudar, não adianta ficar martelando em sua cabeça. Quando engolimos nosso ego e percebemos que é hora de crescer, entenderemos e saberemos viver com mais intensidade e desfrutar das coisas boas da vida.
Acordei engolindo o dia, essa manhã quente, essa tarde macia.
E não quero que ninguém estrague a digestão!
Era o ilusionista do circo, mas se iludiu com a engolidora de espadas, que passou a cuspir fogo após o casamento.
Imprescindível diagnosticar todas as linhas tortas e aquelas palavras engolidas a seco. Tem dias que o paradigma é ser ruim, e duram além do próximo amanhecer. Tem vezes que perco a glória dessa existência ínfima. Tanta subjetividade para nenhuma certeza. Respostas que não existem são esperas cheias de ilusão.
Escrevo pra destrinchar o que eu penso, e em algum verso pode até ser que te entenda.
As palavras doem pra sair. Parece justificativa para a pouca frequência, mas é que a felicidade não permite intervalos. Todas as vezes que escrevo sou triste. Extensão de tudo que não sei falar e que tu nunca quis ouvir por medo de saber.
Só o que tento querer é mais de você, mas tropeço no silêncio que criou pra me afastar, ao mesmo tempo me prender, sujeito a ignomínima da ingenuidade em não saber o que fazer. Em tanta instabilidade enevoa-se os sentimentos. Se eu devo esperar, vai doer saber. Quis fazer parte da redenção, mas quase todos os dias acabam em desilusão.
Me sinto preso em parágrafos sem fim, e tudo que não foi dito corrói a dor até perder a sensibilidade. Talvez meu futuro seja relembrar. Buscar sentidos sempre tirou minha paz, mas não consigo ignorar. Se é mais do que consegue explicar, é só dizer, estou aqui pra você. Só não vamos falar em prioridades, meu amor… O orgulho já me abandonou também. Viver no por enquanto é muito menos do que preciso.
Essas palavras não eram pra você, mas já não há como evitar.
Orquestra
Eu hoje engoliria uma orquestra inteira, se possível fosse.
Só tenho música nos meus ouvidos,
E canção no coração.
Eu hoje engoliria uma orquestra inteira, para tocá-la internamente.
Mas como não posso, ouço-a com o coração.
E todos os meus problemas ficaram pequenos ... O PROBLEMA maior engoliu todos os menores.
Quanta dor, e ter que se segurar, ter que ser forte ... "sozinha".
Minha mãe, minha vida inteira. Meu tudo.