Descuido
O corpo do dançarino é uma ferramenta. Serve a um propósito maior. Beleza e perfeição absolutas. Ao menor tremor ou descuido, a magia desaparece para sempre.
Separação.
Quando me olho no espelho
Não o vejo na minha cama
Agora é outro que está na minha frente
Que não mais me ama
Dizendo elogios para se despedir
Crente
Que esquecerei dos seus
"Para sempre"
Para que tanta elegância
Para se arrancar das minhas flamas
Doravante fica comigo
Se eu sou perfeita de corpo em chamas
Facilita a minha indiferença
Não me elogie, apenas demonstra
O teu defeituoso ardor
Acabe com minha alma densa
Faça eu odiar o momento presente
Pode sair agora, já se foi o tormento
Hoje não mais me lembro
Da sua presença
Na minha frente
Vejo a magoa aflorar, a alegria morrer, vejo o dissabor arraigar, vejo o tempo parar pra vida passar sem esperar e sem dar a nós a oportunidade de reparar o que por descuido quebramos. Apressados seguimos ao fim de tudo que somos. pois antes mesmo que a morte nos separe de tudo o que se é possível viver, deixamos nos privar ainda em vida.
Quaisquer arroubos de vaidade quanto à nossa condição espiritual é mera invigilância e descuido, que pode ser comparado a um vaga-lume crédulo na sua condição de campeão da luz, tão somente porque lampeja aqui e acolá em locais sem luminosidade.