Cristianismo
Talvez alguém que possa horrorizar-se pelo saudosismo quanto ao Regime Miliar no Brasil por alguns brasileiros....mas fatos são fatos. Havia menos liberdades? Sim, havia. Mas o que o brasileiro faz hoje com sua "liberdade" trancafiado em seu luxuoso apartamento? Que liberdade ele tem ao passear com sua família em um parque ao anoitecer? Que liberdade ele dispõe em saber que pode ser taxado de fascista por este governo imoral ao expor sua opinião com base em princípios morais adquiridos em sua sofrida educação familiar? Que liberdade é essa? Liberdade para ofender? Liberdade para perseguir os "ultraconservadores" e "fundamentalistas"? Que liberdade é essa que tanto pregam em nome da democracia?
Não importa quantas e quais sejam as desculpas que você usa para se enganar. Enquanto o ódio e a mágoa habitarem sua alma, Deus não estará lá!
A coisa mais fácil do mundo é amar quem nos ama. Isso não requer esforço algum. Mas pessoa nenhuma é só qualidade. E o entrave da vida muitas vezes é esse: encontrar quem nos ame APESAR de todos os nossos defeitos, que nos ame quando menos merecemos.
Meu desejo essa noite é que você encontre essa pessoa... Que te olhe nos olhos e te faça perceber que você não precisa ser perfeito, que você é amado assim mesmo, cheio de defeitos. Mas, acima de tudo, que você também possa ser capaz de amar assim.
"Apedrejar profetas e, mais tarde, levantar igrejas em sua memória tem sido a prática do mundo durante eras. Hoje, adoramos Cristo, mas o Cristo encarnado nós o crucificamos."
Comparo cristãos à advogados que buscam brechas jurídicas, mas que no caso a busca se retém aos trechos bíblicos que possam justificar suas "verdades".
Foi Aqui
"Ele tornou-se carne e viveu entre nós".
Foi aqui, justamente aqui, que a divindade se revestiu de humanidade,
Foi aqui, justamente aqui, que mergulhou em nossas realidades,
Foi aqui, justamente aqui, que sentiu nossa precariedade,
Foi aqui, justamente aqui, que participou da nossa miséria, para que pudéssemos participar de sua plenitude,
Foi aqui, justamente aqui, que o autor tornou-se desconhecido,
Foi aqui, justamente aqui, que andou em nossas trevas, para que pudéssemos participar de sua luz,
Foi aqui, justamente aqui, que encontrou-se emudecido,
Mas também foi aqui, justamente aqui, que não se deu por vencido,
Foi aqui, justamente aqui, que foi enobrecido,
Foi aqui, justamente aqui, que o Cristo foi reconhecido.
E foi aqui, justamente aqui, que o Cristo fez sentido.
“Achismo ou acheologia (é a "ciência" em que o homem acha e pensa tudo do jeito dele pronto e acabou, não dando o braço a torcer), definitivamente não combina com o cristianismo!"
INJUSTIFICADO LIMPADOR DE PARA-BRISA*
Chovia mansinho. Ainda demoraríamos uns 20 minutos para chegar ao nosso destino. O limpador de para-brisa, em seu vai e vem vagaroso, embalava nossas conversas sobre a vida, amores, família, filhos, trabalho e feminices. Avistei a placa daquele quebra-molas e desacelerei o carro para ultrapassar suavemente o obstáculo arredondado.
Naquele momento, desacelerou também a nossa conversa frouxa. Dei conta daquele instante raro de silêncio entre nós, irmãs tagarelas, e vi ali a oportunidade de fazer uma pergunta polêmica, complexa e profunda, que andava borbulhando na minha cabeça nos últimos dias.
– Mana, preciso te perguntar algo – era o sinal para que ela já se preparasse para o “chumbo grosso”. – Sabe aquele tipo de pergunta que todo mundo tem até vontade, mas não tem coragem suficiente para fazer? Que todo mundo diz que é pecado, e se perguntarmos isso alguma vez na vida… Vamos direto para o Inferno?
– Pergunte – disse franzindo a testa.
– Desde pequenas nossos pais nos educaram dentro de Igrejas. Fomos motivadas a ler a Bíblia por completo várias vezes; foram infinitos os domingos em que nos dedicávamos a conhecer as Escrituras, os milagres de Jesus, do Gênese ao Apocalipse. Sabemos tudo de “cor e salteado” e fomos orientadas a viver uma vida baseada nos Dez Mandamentos, a não nos distanciarmos de Deus e evitar o Pecado a todo custo, a orar agradecendo pelo alimento, pelo dia e pela saúde… Conhecemos também o Mal, o Diabo e o Inferno… E todo o Lado Negro da Força. Sabemos sobre o Livre Arbítrio e que todas as coisas são permitidas, mas nem todas nos convêm. No fim de tudo isso, se formos bem boazinhas aqui na Terra, receberemos o nosso “Galardão” nos Céus…
– Tá, mas cadê a pergunta? – Bufou, já ansiosa.
– Calma, deixa eu terminar o raciocínio – retruquei. – Então, se obedecermos às Sagradas Escrituras e aceitarmos Jesus como nosso Salvador teremos um lugar nos Céus, com anjinhos batendo suas asas ao nosso lado, e, dependendo de nossas Boas Obras, poderemos morar em um grande palácio ou passar as noites em bancos de madeiras rústicas nas praças do Céu…
– Isso, você fez um bom resumo, – ela completou. – Nós aprendemos essas coisas em nossa infância e adolescência. Depois disso, cada uma de nós, da sua forma, foi pesquisar e aprofundar o que mais havia além disso. Nós duas somos muito curiosas e acabamos por entender outras vertentes, outras interpretações, outras crenças e religiões. Mas ainda não sei qual é a pergunta. Desembucha!
– Então… A sua fé faz com que você acredite que, quando você “bater as botas”, já que foi uma boa pessoa, vai ser recrutada para ir para o Céu, etc., etc. Tá, mas… E se você morrer e “perceber” que não tem nada disso? Que tudo isso foi construído pura e simplesmente para trazer uma Ordem Natural às sociedades, para vivermos uma Matrix equilibrada, sem fazermos muita m* o tempo todo? Que tudo isso não passa de uma grande ilusão? Tipo… Morreu e vira só um saquinho de lixo preto com ossos, só matéria, sem Espírito, Alma nem nada que não se possa provar.
– Hum… Eu tenho uma resposta, mas é bem pessoal. – Disse piscando rapidamente os seus olhos verdes.
– Antes de responder, não me julgue por isso. Nos últimos anos o meu apego à Ciência aumentou assustadoramente, e essa coisa de estudar demais apura o nosso senso crítico, e começamos a questionar sobre coisas que antes nós entendíamos como verdades absolutas, inargumentáveis… – Disse, já meio arrependida.
– Eu sei como é, maninha, não me importo e você está certa em sempre questionar, sendo a pessoa racional que você é, já me acostumei. Mas olha, minha resposta é simples. Se eu morrer e virar só um saquinho preto de ossos, e “descobrir” depois que nada disso é verdade, paciência. Mas pensa: Se eu morrer e tudo isso for verdade e eu for totalmente pega de surpresa? Se tudo o que aprendemos a vida toda for real e eu estiver despreparada? Quero morar em banco de praça não… Muito menos quero ficar voltando um monte de vezes aqui na Terra até meu Espírito evoluir a ponto de eu merecer morar mais próximo de Deus… Pensa que chatice? Que perda absurda de tempo? Prefiro ser mais estratégica. E pensar que existe um “além túmulo” me deixa mais feliz. Pronto.
Pensativa, concluí, já aliviando a tensão da conversa: – Então vamos combinar assim. Quem morrer primeiro vai dar um jeito de avisar para a outra; vai fazer um esforço absurdo para aparecer e contar tudo o que está acontecendo. O que acha? E olha, se eu aparecer bem linda, maquiada, perfumada, magra, purpurinada e de roupa branca em seu sonho tentando falar com você, faça-me o favor de levar a sério, não surtar e prestar bastante atenção, ok?
– Lá vem você com essas suas conversas idiotas. Você vai morrer com 125 anos como combinamos. E se morrer antes, arruma um jeito de não voltar, a direção é para cima, e não para baixo! Vai caçar o que fazer por lá, vai! Bruxa! Fantasma! – Esbravejou, com uma expressão que misturava raiva e a sua graça peculiar.
Explodimos as duas em gargalhadas, até verter água dos nossos olhos. Nesse momento, desliguei o agora injustificado limpador de para-brisa para admirarmos melhor o brilhante sol poente e aquele festival de cores sublimes que ele produzia, junto às nuvens, lá no horizonte… Até o nosso destino.
* Se você não entendeu o título, eu explico: Somente a chuva, que as vezes impede a nossa visão, justifica o uso do limpador de para-brisa para seguirmos bem e com segurança. Se a chuva cessa, nada deveria nos impedir de olhar o que tem de bonito no horizonte. Assim também são as nossas verdades absolutas. Elas são os nossos limpadores de para-brisas em dias de sol: servem simplesmente para atrapalhar ou impedir que enxerguemos melhor o mundo, o Universo e as riquíssimas concepções diferentes das nossas.
Bons tempos aqueles em que sua religião não definia como você é visto. Bons tempos aqueles em que as pessoas não se matavam para provar qual a "melhor" religião. Bons tempos aqueles em que não ter uma religião não era um tabu. Bons tempos aqueles que ninguém possuía políticos de estimação. Bons tempos aqueles que, infelizmente, não presenciei e que não hei de presenciar. Bons tempos...
A verdade é que com as mudanças da sociedade as instituições religiosas também tem que se reciclar, não necessariamente quanto ao que seria considerado pecado ou não, mas sem duvida é preciso rever a maneira de expor suas crenças e como conviver com a realidade da sociedade contemporânea. “Infelizmente” hoje já não é possível simplesmente “queimar as bruxas”, é preciso conviver com elas, e se quiserem ir ainda mais fundo e obedecer aos ensinamentos de Jesus, o qual segunda a fé cristã é Deus e perfeito, estas precisam aprender a amar, aceitar e até mesmo morrer por elas.
