Crime
A criminalização de qualquer preconceito é uma forma beligerante e burra de atestar para toda sociedade, o pouco investimento na cultura e na educação.
De todas as favelas do Rio, nenhuma tem uma porcentagem tão grande de criminosos quanto o Congresso.
Quando nem sequer a música é capaz de salvar-nos, um punhal brilha em nossos olhos; nada mais nos sustenta, a não ser a fascinação do crime.
Quem, buscando-se em um espelho em plena obscuridade, não viu refletidos nele os crimes que o esperam?
Alguém me deu veneno, mas este perdeu sua virulência ao misturar-se com a comida: ele, ao dar o veneno, implicou-se em um crime, mesmo se não causou mal.
Uma pessoa justa não se recusa a ser punida, recusa-se a aceitar uma punição que seja maior que o crime que cometeu.
Um dos maiores crimes do neoliberalismo é o fato de fazer com que aqueles que são vítimas da política excludente que o caracteriza, acreditar que o seu status quo é consequência exclusiva de sua incompetência de produzir um futuro melhor.
ORGANIZAÇÕES MARGINAIS
A violência dos meus olhos parece ser nada de mais
Eu entendo o terror que afasta meu sonho
Um dia sou feito de perdão
No outro sou feito de aço e assassinatos
Tudo depende de onde estou
Desde sempre armado até os dentes
Porque vivo entre meu ódio e minha paz
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Enquanto você me fala do efeito perigoso que essa vida tem
Eu lhe mostro o caminho da corrupção
Num pais para poucos cidadãos
Antes mesmo de nascer sou considerado um individuo qualquer
O feitiço do Estado está na cor da minha pele
Então faço minha lei contra as grades confessionais
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Do paraíso ao inferno, seja bem-vindo ao Rio de Janeiro
Terra das organizações marginais
Do inferno ao paraíso, seja bem-vido ao Rio de Janeiro
Fronteira das organizações marginais
Do paraíso ao inferno, seja bem-vindo ao Rio de Janeiro
Inferno das organizações marginais
Do inferno ao paraíso, seja bem-vido ao Rio de Janeiro
Paraíso das organizações marginais
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O asfalto é quente e estou acima de 50 graus
Desperdiçando minha vida pelo sucesso de não existir
Como tantos outros igual a mim
Nos destruímos em nome de algum poder
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Cada lágrima nas sombras da morte
São diamantes na lama
Não espere a luz através da escuridão
A fé que enganamos pertence ao velório de alguém
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Talvez, jovens demais para morrer
Velhos demais para viver
O crime é sua cicatriz...
Nessa guerra para bandidos e policiais
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Do paraíso ao inferno, seja bem-vindo ao Rio de Janeiro
Terra das organizações marginais
Do inferno ao paraíso, seja bem-vido ao Rio de Janeiro
Fronteira das organizações marginais
Do paraíso ao inferno, seja bem-vindo ao Rio de Janeiro
Inferno das organizações marginais
Do inferno ao paraíso, seja bem-vido ao Rio de Janeiro
Paraíso das organizações marginais
Carlos Alberto Blanc
O limite a inclusão de opinião divergente se estabelece, inevitavelmente, quando essa faz apologia a crimes contra à humildade.
Guarda cada farpa que lhe lançaram, para que enquanto durar o percurso, tenha material suficiente para tricotar um belo suéter de verdades.
Carrega na pasta um dossiê tão robusto que até as paredes do ambiente começariam a corar de vergonha se soubessem ler.
Guarda cada palavra como quem coleciona recibos de um teatro mal ensaiado — um dia, a bilheteria vai fechar.
Culposo é ter negligência,
imprudência, imperícia,
quando se faz sem malícia.
Quem estupra tem ciência,
o ato é sem inocência.
Juiz, não vacile não,
se for julgar essa ação,
condene o crime doloso,
e coloque o criminoso
para mofar na prisão!
DELITO
Literato poema, vós, estais, sabedor
De uma dor cometida pela saudade
Sagaz, traidora, ao infortunado autor
Que cá dá vida a tristura que invade
O verso, ferido mortalmente de amor
Por uma paixão, afiada, sem piedade
Que inflama até hoje com largo ardor
Causando um poetificar pela metade
Ó tempo, que é o apurado mediador
Da quietude, e, portanto, o defensor
Neste processo dum sentir constrito
Em nome da miseração, pede, urgente
Mandeis a censura ao verso insistente
E, então, privar a poética de tal delito...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05 junho, 2023, 15’57” – Araguari, MG
Antes um caminhar pacífico e lento com poucos recursos, do que ostentar e não poder ter paz e liberdade.
O autor de século das fraldes, do centro de luz
é o maior criminoso do século de todos os planos invisíveis da materialização.
A democracia relativa é pautada pela justiça relativa, que pode inocentar criminosos e condenar inocentes.