Coleção pessoal de LILIARAQUEL

Encontrados 16 pensamentos na coleção de LILIARAQUEL

⁠Sobre encontros…
Eu me perdi em um labirinto escuro no ano de 2018.
Entrei em coma profundo de 2018 a 2020. Dois anos de mais puro e denso nada.
Não me perguntem o que aconteceu nesse ínterim. Eu só respirava porque esse ato era alheio à minha vontade. Só me dei conta do meu fortúrnio quando vi milhares de corpos inertes levados pela covid. O luto das famílias e de todo um país foi o choque brutal que me fez levantar daquele sono profundo e interminável.
Desde então comecei a jornada árdua da busca por mim mesma, pra me encontrar.
Eventualmente a pessoa que queremos ser, se encontra com a pessoa que somos, mas como encontrar quem eu era? Eu me queria de volta. Queria aquela menina romântica e sonhadora que acordava feliz e cantando pela casa, que era o próprio sol mesmo em meio à chuva.
Havia um abismo que separava a gente. Eu sabia que ela estava logo ali, mas era preciso construir uma ponte e eu nem sabia por onde começar...
Me apresentaram vários atalhos, fórmulas, esquemas. Tudo em vão. E na busca de me achar, ia me perdendo cada vez mais.
Alguém oferecia os ombros para carregar-me, fazia promessas vazias e eu me entregava de olhos fechados, mas tal qual a mocinha do filme donzela, eu me via jogada ao fosso com dragões.
E lá recomeçava a busca. Não ilesa. Os machucados anteriores se misturavam aos machucados novos a ponto de adormecer a dor e ela se tornar parte de mim. Mas tal qual rato preso na armadilha por um mísero pedaço de queijo, eu me via presa à armadilha de buscar no outro a fonte da concretude da minha felicidade.
O último fosso me fez amiga dos dragões. Impossibilitada de me encontrar pelo abismo que nos separava, aprendi a domar o dragão. Usei o medo para subir em suas costas e voar em minha direção no outro lado.
Não foi fácil. Foi preciso um processo de muitas quedas, machucados, aprendizado, estratégia, disciplina, resiliência, muito choro e sofrimento.
E, “de repente”, como as nuvens de chuva se dissipam, um belo dia simplesmente aconteceu.
Acordei feliz, sorrindo, cantando como um raio de sol numa manhã de domingo... Eu voltei pra mim.
Eu me encontrei. Agora eu sei o quão preciosa sou. Não posso mais me perder. Tomarei mais cuidado. Me guardarei. Não me mostrarei mais a qualquer um. Não sou mais acessível a todos. Só terão acesso a quem eu sou de verdade, a toda luz que irradia do diamante aqueles poucos que tiverem acesso ao cofre. Os outros olharão por fotos, vídeos, através do vidro. Como uma peça de museu da qual você consegue até visualizar a beleza, mas não consegue sentir, nem tocar.
E não. Eu não mudei. Apesar de ter tido todos os motivos do mundo para isso. Ao fazer minha oração todos os dias peço a Deus que preserve o meu coração apesar de toda maldade à minha volta.
Quero continuar tendo o coração que eu tenho, mesmo carregado das cicatrizes que ninguém vê. Quero preservar minha essência. Quero continuar oferecendo o que eu tenho de melhor: A bondade que habita em mim, a beleza da amizade, a integridade da minha lealdade, o aconchego nas dificuldades, o acolhimento quando você se sente fora do lugar, a brisa suave num dia de calor, o furacão de alegria nos dias tristes e o amor nos dias sombrios.
Só não permitirei acesso àqueles que querem me tirar de mim. Quero continuar amadurecendo e evoluindo em busca da minha melhor versão.
O plantio é opcional, mas a colheita sempre será obrigatória. E eu sei o que estou plantando. Nem tudo na vida acontece como planejamos. Não adianta ficar revoltado. O contentamento é um aprendizado. Começar a agradecer era a chave que eu precisava virar pra me encontrar...

⁠De todas as mulheres que eu poderia ter sido, que bom que eu fui aquela encontrada por Jesus…

No princípio, Deus criou o mundo com sua infinita sabedoria. E ao criar o ser humano, percebeu que algo faltava: uma ajudadora, um complemento perfeito. Assim, da costela de Adão, moldou a mulher, alguém para estar ao lado dele, um reflexo do próprio Criador. Ela é a gênese da mulher moderna, feita pelo Eterno e forjada no Seu próprio Caráter, desde o princípio para ser a ajudadora.
A mulher, desde sua origem, carrega em si a essência divina da criação. Ela é a força que impulsiona a vida, a ternura que acalma a alma, a sabedoria que ilumina o caminho. Sua capacidade de dar vida, amar e cuidar é um dom celestial, um reflexo do amor incondicional de Deus.
Em um mundo onde o tempo dança em ritmo acelerado e exige que ela seja sempre mais, impondo um peso insustentável sobre os seus ombros, ela se ergue antes do sol, não para tecer fios de linho, mas para tramar sonhos em realidade, pela fé, de joelhos dobrados perante o seu Criador.
Seu coração, um diamante raro, irradia confiança e sabedoria. O lar, outrora seu único palco, agora se expande para além da sua casa. Ela é serva, mulher, filha, mãe, amiga, trabalhadora, economista, administradora, líder, artista, equilibrista. Em cada papel, ela tece fios de amor e cuidado, nutrindo a alma daqueles que a cercam.
A aurora a encontra vestida de determinação, pronta para desbravar o dia. Suas mangas arregaçadas revelam a força que impulsiona seus projetos, a paixão que a faz transcender os limites do tempo.
A noite a encontra com um sorriso sereno, o trabalho concluído, a alma em paz. Seus lábios, sussurram canções de ninar, proferem palavras de sabedoria e gentileza. Seus filhos a admiram, seu marido confia inteiramente nela, pois ela é a personificação da mulher virtuosa, aquela que excede ao valor de finas jóias.
A beleza que a adorna não reside apenas na aparência, mas na força que emana do seu interior. Ela é a mulher que teme o Eterno, que encontra na fé a bússola que guia seus passos. Seus feitos são celebrados, sua voz é ouvida, seu exemplo inspira gerações. Suas palavras são gentis, acorda sempre com um sorriso, faz da sua casa um lar, pois apesar de poder conquistar o mundo e fazer tudo o que quiser, escolhe todas as manhãs fazer a vontade do seu Pai, pois é nEle que encontra todas as suas virtudes, sabedoria, amor, paz, graciosidade, bondade, mansidão, alegria e força.
Somos a menina dos olhos de Deus, e apesar de nem tudo ser flores, ainda há flores. Resiste e perfuma, o bom perfume de Cristo!
Feliz dia mulheres.
08/03/2025

⁠⁠A noite é uma criança…
Quando foi a última vez que você convidou a "sua" criança para brincar? Não falo do filho, sobrinho ou afilhado. Refiro-me àquela centelha dentro de você, a criança que um dia correu descalça pelos campos da imaginação.
A vida adulta, com suas regras, convenções e o peso da opinião alheia nos afasta da essência do ser. Esquecemos de simplesmente existir, de sentir a alegria pura que pulsava em nossos corações infantis. Mas hoje, algo mágico aconteceu.
De repente, sem aviso, a criança que habita em mim me chamou para brincar. E sem pensar em nada, simplesmente dei as mãos à ela e fui. Abandonei as amarras do relógio, as preocupações que pesavam como pedras, e me entreguei à leveza da infância.
Comi doce, sem pensar no amanhã, aquele turbilhão de açúcar entrando na minha corrente sanguínea, que despertou não apenas as células do meu corpo, mas também a alma adormecida. Cada pedacinho de felicidade era uma rebelião contra a rotina da alimentação saudável, do comportamento socialmente aceitável. Um grito de liberdade.
Quanta rebeldia! Pensei eu, com aquele sorrisinho maroto de criança traquina estampado na cara.
Infelizmente a hora de ir embora chegou. Fui para o carro, a chuva chegou. Um convite irresistível. Vamos esperar a chuva passar ou vamos encarar? Segui o conselho de Lulu: vamos nos permitir! Com minhas amigas, transformei a rua em um palco de memórias, onde as gotas frias lavavam as mágoas e reacendiam a chama da alegria.
A água escorria pelo meu rosto, senti a textura do chão molhado sob meus pés, o cheiro da liberdade invadindo meus pulmões. Por um instante, o tempo parou, e eu voltei a ser aquela criança que não temia a água, não se importava se ia encharcar a roupa, se ia molhar os cabelos, e o mais legal de tudo: eu apenas vivi o momento.
A felicidade era como uma bolha de sabão, leve e fugaz, que explodia em risadas no ar. Descobri que a alegria não precisa de grandes planos, ela se esconde nos detalhes, nos momentos simples que a vida adulta nos impede de ver.
A minha criança precisou ir dormir. A vida adulta me chama de volta, com seus boletos e compromissos. Amanhã Colocarei meu salto, vestirei a armadura da responsabilidade e sairei para “vencer” a vida.
Mas Prometi à minha criança interior que a visitaria novamente, que não a deixaria esquecida em algum canto da memória. E sei que ela estará lá, esperando, com um sorriso travesso um convite para brincar.

⁠⁠Ao amado da minh’alma (Jesus)

A multidão em festa,
Mas Você me levou ao deserto
Pra ficar a sós comigo
E falar ao meu coração.
Aqui eu não tenho nada.
Nada além da tua companhia,
Um pedaço de papel e tinta…
É quando me dou conta
Do ar inflando meus pulmões,
Das batidas descompassadas do meu coração,
Do caloraquecendo a minha pele,
Do vento dançando nos meus cabelos,
E eu percebo que na realidade
Tudo tenho.
Dentre todas as pessoas do mundo, Você.
Dentre todos os abraços, o Teu.
Dentre todos os olhares, o Teu.
Dentre todas as vozes, a Tua.
Dentre todos os perfumes, o Teu.
Sempre foi Você.
Obrigada por me fazer entender.
Agora quebra o silêncio.
Nessa guerra interna,
No final, sou eu e Você.
É aqui com Você que eu venço os meus gigantes
Vem vencer o meu coração.
Você tem liberdade,
Por trás dessa dor,
Destrói o que impede o amor.

Lilia Raquel Farias Nunes

⁠“E respondendo Simão Pedro disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado a noite toda, nada apanhamos, mas, porque mandas, lançarei a rede” (Mateus 5.4)
Que garantia Pedro tinha senão confiar?
Muitas vezes será assim.
Uma palavra dEle.
E nossa obediência.
Num oceano infinito de dúvidas, a certeza de que, Aquele que ordena o lançamento da rede é O mesmo que cumpre Sua promessa.
Às vezes as frustrações são necessárias para desviarmos nosso olhar para novas perspectivas.
Às vezes as rejeições são necessárias para te manter humilde.
Às vezes tudo o que você precisa é exatamente isso que você está enfrentando.
Afinal, se soubéssemos tudo o que Ele (Deus) sabe, nossas preces seriam músicas de gratidão pelo que estamos vivendo hoje…
Quem sabe, um novo ângulo da história está sendo desvendado para você nesses dias?
Quem sabe, na solitude presente o coração de Deus está sendo revelado de uma forma profunda e única?
Quem sabe, onde menos se espera, um cardume de esperança aguarda um coração que, embora frustrado, anseia por lançar a rede?
A melhor “pesca” de todas,
Aquela “maravilhosa” que vem depois da frustração, só acontece depois que você obedece.
E não.
Não estamos falando de pesca.

⁠Ao meu futuro amor...

Estou orando por você.
Não estou com pressa de você chegar, porque falei com Deus que agora eu quero ser achada.

Então eu sei que talvez demore pra você chegar, ou talvez não neh? Por isso estou orando por você, pra quando você me achar, possamos viver uma história de amor escrita pelos dedos de Deus.

Eu já errei muito, já entreguei meu coração pra quem não teve responsabilidade e só me feriu e magoou. Já confiei em falsas promessas... Tô meio desacreditada. Mas nunca deixei de crer em Deus. Ele sabe, Ele sempre sabe o que é melhor e tudo o que vem dEle é bom, perfeito e agradável.

Eu sei que você deve estar por aí em algum lugar, e quando eu menos esperar você vai me dar um “oi” sem muita expectativa, e eu vou dar aquele sorrisinho de canto de boca com o coração quentinho, como se eu já te conhecesse a vida toda. Meu estômago vai estar preparado para receber todas as borboletas que virão com você quando vc sorrir pra mim...
A nossa futura crônica de amor vai ser digna dos best-sellers que embasam os filmes românticos que nos fazem suspirar...

Tô com o coração quebrado, despedaçado, machucado, mas aguentando firme e orando pra Deus deixar ele inteiro, livre e leve pra quando vc chegar. Estou me tornando a melhor versão de mim mesma pra te esperar.
Vamos viver as maiores aventuras como se não houvesse amanhã, quero te entregar todo o amor que não guardei pra você, mas que está aqui e eu vou entender porque não deu certo antes...

Estou orando por você e espero que você também esteja orando por mim, e que as nossas vontades coincidam com a vontade de Deus.

Lília Raquel Farias Nunes

⁠⁠O fim do meu quase (S.S)
O luto é uma coisa intrigante: ao mesmo tempo que a gente sente e sofre, com o passar dos dias ele também descama os nossos olhos, permitindo que a dor se dilua em lembranças.
Você já teve que sepultar alguém vivo? É uma dor que se prolonga, latejando no peito, pulsando em compasso fúnebre.
Você quer esquecer, mas a pessoa está a poucos segundos de uma ligação, a um botão de "enviar" no WhatsApp, e às vezes, a poucos metros de distância... E você tem que lutar contra a vontade de falar, o desejo de correr para os braços, o desespero de querer estar perto... É como se o tempo se arrastasse em câmera lenta, enquanto a saudade tece uma teia invisível ao seu redor.
Eu ainda guardava a caixa do "nosso 1º mês". A lembrança triste daquele jantar à luz de velas, flores e balões da minha explosão de amor por ter encontrado a minha versão idealizada de felicidade, que nunca se concretizou. Um castelo de areia que desmoronou com a primeira onda da realidade.
Agora estou aqui, diante das poucas lembranças que me restam, pondo fim a tudo o que não vivemos, um futuro que se esvaiu, como areia entre os dedos.
Eu fui apenas uma frase na tua vida, e ainda assim enchi meus pensamentos com imensas bibliotecas sobre você, sobre nós: as viagens que não fizemos, os roteiros rabiscados em mapas que agora amargam poeira. Idealizei nossas sextas-feiras cozinhando juntos, o aroma do molho de tomate caseiro impregnando a cozinha, as risadas soltas enquanto debatíamos sobre a vida. O gosto do vinho em noites frias, em dias quentes, o vinho de dia qualquer... as conversas na varanda de casa, nossas cadeiras na areia da praia vendo o sol se despedir no horizonte, as discussões acaloradas sobre nossas diferenças, que seriam pequenas desde que estivéssemos juntos. Os domingos preguiçosos, o café da manhã na cama, o cheiro de café fresco invadindo a casa... as visitas na casa da sogra, o bolo quentinho, o sorriso acolhedor... o almoço em família com aquele barulho de felicidade ensurdecedor, os cafés com amigos, as gargalhadas... A felicidade comum, aquela que se encontra nas pequenas coisas, na rotina extraordinária do dia a dia...
Agora tudo se resume a cinzas, literalmente. Difícil fazer morrer o que ainda está vivo, pulsante e palpável... é como arrancar um órgão do corpo sem anestesia.
O que fazer com tantos planos? O que fazer com tantas promessas? O que fazer com a nossa música, que tocava especialmente pra nós sem que precisássemos pedir, que embalava nossos sonhos e agora soa como um réquiem...
Uma vez o poeta perguntou se "se morre de amor"? Eu não conheço ninguém que tenha morrido de amor. Eu queria viver de amor. Ironicamente não morri de amor, mas estou tendo que matá-lo. E isso dói. Dói fisicamente. Aperta o peito, a alma chora, a sensação de morte é terrível. A dor nos mostra o quanto amamos. É a prova de que o amor existiu, mesmo que breve e incompleto.
O nosso "quase" ainda vai me assombrar por um tempo... Como um fantasma que habita os cantos da casa, sussurrando lembranças e reacendendo a chama da saudade.
Eu ainda acordo com coisas pra te contar. Como agora. Hoje eu decidi pôr fim a ideia que eu tinha de você. Queimei tudo o que me lembrava você, e com o coração ainda sangrando de tanto amor, joguei as cinzas no mar... e com os olhos cheios de lágrimas eu te disse adeus...
Mas ainda dói. E eu sei que ainda vai doer por um tempo, até que um dia o som de ouvir o teu nome me faça sentir nada... Apenas uma brisa suave, um murmúrio distante, uma lembrança adormecida.
Lília Raquel Farias Nunes
16/02/2025

⁠Amorzade...
Ah, essa palavra não existe!
Quem é que decide qual palavra existe? Quem inventou as palavras que descrevem os sentimentos? Não deveríamos ser nós, os que os sentimos?
Saudade, por exemplo, dizem que só existe na língua portuguesa. Mas o sentimento não é universal? Todos não sentimos saudade - a ausência do ser querido, amado?
Já dizia o poeta que a amizade é o amor que nunca morre…
Tenho experimentado, imerecidamente, uma tempestade de diferentes formas de amor dos meus amigos…
O "eu te amo" nem sempre está dito nas palavras, mas está expresso nos memes que me fazem rir depois de um dia difícil…
Algumas vezes chega em forma de música que me faz lembrar quem eu sou,
Outras vezes vem em vasos de plantas ou em alegres buquês de flores coloridas…
Muitas vezes é "uma carona" disfarçada de telefonema no começo da manhã, no trajeto para o trabalho.
Tem dias que é uma oração dentro do carro, no meio do trânsito, Alguns dias me leva pra almoçar…
Em outros, pra jantar ou simplesmente tomar um café…
Às vezes me faz arrumar as malas pra viajar… De vez em quando rompe a distância de milhares de quilômetros pra se fazer presente, Outras bate à porta sem avisar, só pra deixar afeto em formas diferentes: um bolo, um carpaccio, um vinho, um chocolate quente, uma panela, um jogo de xícaras para o chá da tarde, uma cadeira, um moedor de café... (é, às vezes o amor tem formas estranhas de se mostrar)…
As vezes te manda bilhetinhos dizendo que ama, que sente falta…
Outras te sequestra pra vc ver o mar e ouvir o barulho das ondas…
Te faz um caldo quando vc se nega a comer…
Os outros te olham, mas o amorzade te vê quando falta o brilho dos teus olhos e o sorriso nos lábios,
Os outros te escutam, mas ele te ouve quando você fala que está bem e não está.
Ele sente o peso do mundo que você carrega, mesmo quando você diz que está leve…
Às vezes segura os teus braços cansados… Outras vezes te desce pelo telhado quando você não consegue mais caminhar, porque te abandonar está fora de questão.
Sim, amorzade existe.
E se não existe, acabei de inventar.
Amorzade é aquele amor que te ama apesar de você, suas imperfeições, limitações e defeitos. Que mesmo quando há uma pedra no caminho em que você tropeça, te ajuda a levantar e continua a caminhada contigo.
Que entende quando você não quer falar, mas fica ali do lado esperando, esperando… Muito se fala em “ninguém solta a mão de ninguém”, que utopia mais besta. A verdade é que no primeiro obstáculo não só soltam a tua mão, mas te empurram penhasco abaixo.
O amorzade não.
O amorzade é como a chuva: um todo formado de pequenas gotinhas. Cada gota formando uma pequena tempestade de amor. E que bênção perceber essas gotinhas no dia a dia e se deixar molhar por elas…
Não é possível fotografá-lo, apalpá-lo, saber a hora exata ou o dia em que virá. Ele simplesmente está ali. Pronto. Atento. O tempo inteiro, basta sentir com o coração.
Em todo o tempo ama o amigo, e na angústia se torna irmão (Provérbios 17.17)"
São Luís 08/02/24

07.01.22

Então,
Minha razão, num lapso de tentar ressignificar minha dor, me íntima a aquietar meus pensamentos.
E eu cedo ao meu próprio torpor.
Há sol lá fora.
As pessoas estão vivendo freneticamente dentro de suas “matrixes”.
Há “vida”.
Mas aqui dentro de mim há apenas uma quietude - Antônima da paz - que me causa um desconforto ao tentar dar um passo sequer.
Hoje, após tentar comer algo por volta das 17h da tarde, o que senti ao ouvir aquela música no celular foi uma estagnação por completo ao ponto de me deixar incapaz de qualquer movimento, até mesmo o menor deles: respirar.
A bem da verdade, nada disso é inesperado oi inédito. Era como se eu soubesse, de antemão o que me aguardava: que tudo acabaria de uma forma abrupta, e que esforço algum seria capaz de curar uma ferida que se tornara incurável…

06.01.22


A dor que me pesa nesse momento
Vem da cruel constatação em aceitar que você é igual a tantos homens por aí.
Me enganei pensando ingenuamente que você poderia ser diferente deles todos.
Porém você simplesmente quis ser igual.

05.01.22

O que me dilacera e me faz lamentar e chorar é perceber cruelmente que em todas as relações românticas que eu entro, eu saio ferida.
Que tudo o que eu idealizo se esvai,
Ou desaparece…

MORTE

A única coisa inevitável na vida.
Sempre surpreendente da pior maneira possível.
Às vezes ela vem inesperada: debaixo de um caminhão, no céu dentro de um avião, na bola um ataque do coração.
Outras, ela é cruel: nos atravessa como uma bala perdida, queimando o corpo, afogando a alma.
E ainda, chega muito, muito cedo sem sequer nos deixar saber que havíamos vivido.
O que ela nunca faz é chegar tarde. Isso não. No máximo, excepcionalmente, marca hora.
E nunca nos acostumamos à ela. Na realidade, vivemos como se ela não existisse...
Fazemos planos, impomos condições. Quando... Se...
Mas ela não se importa.
Não espera.
Não quer saber se estávamos lendo um livro, se escrevendo a monografia, se o casamento dali a um mês, se o filho tava nascendo, se a viagem dos sonhos era agora, se tinha encontrado o amor da sua vida.
Ela nos tira tudo. Ela nos tira de todos. Deixa somente o vazio. E aquela sensação de que deveríamos ter feito, deveríamos ter falado, deveríamos ter vivido.
Deveríamos, deveríamos, deveríamos...
Mas agora é tarde. E não simplesmente tarde. Agora é TARDE DEMAIS.
Morte.
A única coisa inevitável na vida.

Sobre as guerras... Sobre os monstros que moram dentro de nós...


Dentro de mim existe um monstro. Egoísta. traiçoeiro. Usurpador do bem que há em mim. Embora não mostre suas garras, eu sei que ele está lá, adormecido. A espera de qualquer qualquer coisa que em algum momento lhe dê forças e lhe dê vida.
A minha luta diária é não deixar isso acontecer. Não deixar que ele cresça. Não alimentá-lo. É de nunca sequer olhar para ele, pois sei que nunca conseguirei aniquilá-lo. Para matá-lo, eu também teria que dar o ultimo suspiro. Não tenho saída, tenho que conviver com ele durante toda a minha vida.
As batalhas são constantes e diárias. Às vezes eu ganho. Às vezes, eu perco. Quando isso acontece, eu enfraqueço. E a reerguida sempre é mais árdua e difícil.
E ainda assim, ele continua lá. Esperando, esperando, esperando. E quando vê que não me lembro dele, que o esqueci, ele se faz lembrar, age como um bebê com fome. Chora, chora, chora... Me olha com aqueles olhos marejados pedindo compaixão, tentando amolecer o meu coração. Mas sei que não devo olhar, não devo ter compaixão. Preciso que ser inflexível. Não posso fraquejar. Não posso ter me entregar.
Se alimentá-lo uma única vez que seja, será fatal. Se apossará de mim. Da minha razão. Da minha percepção. Do meu agir. A única saída é fugir, correr, ficar bem longe. Não olhar. Não escutar. Deixá-lo lá. Sozinho. Com fome. Se não posso matá-lo, ao menos vou deixá-lo enfraquecido, à mingua, sem forças. Sou eu que tenho que estar forte, que ser forte.
Dentro de mim mora um monstro.
E eu sei que ele está lá.
Esperando...

CRÔNICS DO DIA A DIA...

Quando levantei os olhos vi um conhecido que já não é mais...
Veio a taquicardia... Não aquela gostosa quando vc olha alguém que faz a tua alma suspirar... Não. Definitivamente não. Foi aquela que te deixa sem ar. Sem ar mesmo. No sentido literal da palavra morrer. Com vontade de estar a km de distância.
Mas era aquela situação que não dá pra fugir. Tinha que enfrentar.
Na sala só máscaras.
Pelo menos ninguém mentiu.
Dizendo que sentia falta. Que estava com saudade.
Não seria justo.
Não houve nem a retórica "tudo bem?"
Papel pra lá. Papel pra cá. Silêncio. Constrangimento. E a vontade de estar a quilômetros de distância.
E era recíproco.

PALAVRAS
Não gosto muito do silencio mudo.
Mas se tem uma coisa que gosto menos ainda são as monossílabas. Ou palavras únicas.
Você usa toda a sua espontaneidade através de uma mensagem para que a outra pessoa sinta sua vibe ‘up’ refletida nas palavras, como por exemplo, aquele bom dia caloroso, animador e inspirador, carregado de positividade:
“Bom dia! que seu dia seja lindo, que a semana seja maravilhosa e cheia de boas e agradáveis surpresas e etc...”
E em resposta vc recebe um seco: “bom dia.” (e junto com a droga do PONTO.)
Detesto também pontos. Gosto de vírgulas, dois pontos, exclamação, interrogação e as minhas preferidas reticências... Adoro reticências...
Mas aí vc ainda insiste, pode não ser um dia bom, né?
“como vc tá? Tudo bem?”
“tudo”
“Blz”
“ok”
“o.k.”
Isso é tão... tão... Frustrante. Caberiam mais algumas palavras. Porém, resumindo é isso.
Cansei. Que se dane!
Adoro a pluralidade das palavras. Aquele agrupamento maravilhoso de letras que formam as P.A.L.A.V.R.A.S. Depois frases. Textos. Livros. Palavras me fascinam. Fico perplexa como, em plena evolução da comunicação, algumas pessoas são tão “sem palavras”...

Saudade de um tempo...
Arrumando algumas coisas hoje deparei-me com a "minha caixa". Por mais infantil que possa ser, ainda guardo, dentro de uma daquelas caixas enfeitadas - que hoje em dia só as mocinhas românticas da novela tem - cartas e cartões que ganhei ao longo desses 33 anos de vida.
Lembrei então, de um tempo gostoso, em que ainda não existiam os celulares. Por aqui eles só apareceram quando eu tinha 14 anos e só pude ter um aos 18, então... as cartas e o telefone - o fixo - não o celular, não o de casa (porque tb não tinha um) - o orelhão - eram os meus meios de comunicação.
Lembrei da sensação de esperar o carteiro. Nesse tempo conhecíamos o carteiro. Sabíamos o seu nome. Sim, esperar o carteiro era um evento! Era o ponto alto do meu dia quando eu estava aguardando ela - a resposta. Era assim: a gente mandava uma carta. Calculava-se 3 dias, que era o tempo de chegar ao destino. Aí a gente dava 1 dia para a pessoa responder (porque responder uma carta também era especial. Vc se preocupava com o que iria escrever, se conseguiria passar suas emoções, sentimentos, enfim). Depois, mais 3 dias para a carta retornar. E era assim que eu chamava: "o dia da resposta". Ah, que sensação gostosa! Sentir aquele cheiro de papel, de cola, de rasgar o envelope e ler aquelas palavras, que apesar da distância fazia com que sentíssemos a pessoa tão mais perto... e havia ainda as cartas surpresas, sem vc esperar. As anônimas. Minhas preferidas... Hoje em dia não conhecemos mais o carteiro, e a correspondência se resume a faturas das contas do mês.
Lembrei dos telefonemas. Com hora marcada. Comprávamos ficha - é gente, sou do tempo da "ficha". Enfrentávamos fila no orelhão, ouvíamos a conversa dos outros e os outros ouviam a nossa conversa no telefone, que na maioria das vezes, eram confissões apaixonadas... Até porque a gente não se abalaria a sair de casa, enfrentar fila para ligar pra tia, muito menos para a mãe, já que morávamos com ela.
E o que eu fico pensando é que apesar da falta de celular, facebook, whatsapp, instagran, nós sabíamos nos comunicar! Ah, como sabíamos...