Coleção pessoal de Josias__Doba
Estou vazio de Deus
Cheio do mal
É a verdade nua e crua
Os aposentos do meu coração são ocupados por um acúmulo de desejos errados
Me visto de uma capa
e engano os homens
Mas conscio que minha vergonha não passa despercebida diante daquele que tudo vê
Sou vazio e seco como poço esquecido em deserto
Sou a fraude que coabita entre os justos devotos
Sou nada
Sou tudo de mal
Quem me pode achar?
Como me vou recuperar?
Será que posso voltar?
Entrei tão fundo que temo que a luz machuque meus olhos
Que o mundo de cima seja demais para mim
Vale tentar? Não sei se vou aguentar
Por aqui é escuro, minha cegueira a isso entende
É meu medo a ser valente
Mas me quero curar
Eu quero me livrar
Do dom de errar
Vão entender depois do parágrafo,
Que mesmo de costas não podem faltar abraços, que erros são comuns, mas não devem ser lembrados.
Vão entender depois do parágrafo, quando a vida já não ter nada pra explicar, quando o fim só deixar lembranças pra chorar.
Em tendas humildes ouvirás palavras sabias, mas as que facilmente te motivarão serão proferidas por aqueles que com ações construíram mansões.
Quem pode ensinar o coração, que é tolo o tempo todo, ignora a lógica, é o mestre de decisões vãs e mesmo que o corpo definhe, nele não crescem cãs?
"Às vezes, olhar para o tamanho do problema na régua alheia, é suficiente para nos motivar a seguir em frente. "
"Não importa se tu és o guerreiro corajoso na linha de frente, ou o medroso no meio do batalhão. Importa mesmo é você correr para a batalha ao soar da trombeta".
"Quando te sentires cheio de conhecimento, tome uma dose de humildade, para ajudar-te a perceber, que foste pouco, para o muito que este imenso universo te pode conceder".
Tirem as vestes dos seus actos, deixem ver a nudes de vossas ações. Alguns nos deixarão mais chocados, mas, com certeza todos ficarão envergonhados.
Cacto
"Sou um cacto, conheço-me bem, meus espinhos são meu adorno. Abraçar o mundo seria doloroso, então me privo de muito, não porque me excluo, mas porque me recuso a ser a dor que eles não suportariam.
Ao invés de lamentar, ouço atentamente cada espinho, pois suas historias contam minha vida. Escrevo-as em papel, com tinta permanente porque não tenciono esquecer detalhes da razão de ser de cada um.
Talvez quisesse eu deixar de ter espinhos, mas teria de renunciar minha identidade, minhas diferenças, negar minha face à troco da aceitação, arrancar a alma da minha essência. Isso era perder tudo, para ganhar o mundo.
Mas eu sou um cacto e conheço-me bem, meus espinhos são meu adorno".