Coleção pessoal de joemarro
Não vim ao mundo para seguir caminhos prontos, mas para abrir trilhas onde a coragem guia e o impossível obedece.
Há quem diga que, na madrugada anterior à sua morte, o Papa Luciani teria escrito à mão um trecho apócrifo do Livro da Sabedoria, que nunca veio a público: "Quem olha o abismo pela lente do Alto, não cai — ele voa." O papel, encontrado carbonizado, tinha uma única marca intacta: um triângulo invertido com uma lágrima no centro — o símbolo oculto da última revelação.
Os iniciados nos Códigos do Céu sabiam que o verdadeiro poder de Salomão não estava nos demônios que ele aprisionou, mas nos anjos que o obedeciam. Diz-se que, ao traçar um círculo com o sangue de um cordeiro lunar e entoar os nomes sagrados invertidos, é possível ouvir o eco da língua original — o idioma que criou o mundo e que ainda pulsa entre os muros do Vaticano, aguardando o momento certo para despertar.
Michelangelo, segundo registros ocultos de um diário perdido de um discípulo dos Médici, teria recebido instruções cifradas para esconder fórmulas de geometria sagrada nos contornos dos corpos pintados — formas que, quando conectadas, revelariam a estrela incompleta de Metatron, chave para ativação de frequências que abrem o "Olho de Deus" no centro do Vaticano.
Alguns manuscritos codificados, atribuídos a alquimistas renascentistas, falam de um selo perdido — o “Selo da Boca do Abismo” — mencionado em apenas três grimórios conhecidos e citado com temor em uma carta enigmática enviada por Athanasius Kircher ao Papa Alexandre VII. A carta, guardada sob sete fechaduras no Vaticano, revela que o selo foi usado uma única vez, durante o reinado de Salomão, para conter uma entidade que não pertence a este plano.
Clavícula de Salomão e Malkuth
Dizem que entre os arquivos mais secretos da Biblioteca Apostólica Vaticana encontra-se uma cópia incompleta da Clavícula de Salomão, traduzida para o latim em tinta de mirra sobre pergaminho de cabra negra — um artefato que não deveria estar no plano dos homens, mas foi selado após o Concílio de Trento. Alguns estudiosos acreditam que o verdadeiro motivo da morte de Albino Luciani pode ter ligação não apenas com escândalos financeiros, mas com o risco de ele revelar a existência de tais manuscritos.
As chaves de Salomão, segundo os místicos, não abrem portas comuns, mas portais entre mundos, e há quem diga que um destes portais encontra-se escondido nos subterrâneos da própria Capela Sistina, codificado nos afrescos de Michelangelo. Gelli e os líderes da P2 não buscavam apenas poder político ou financeiro — buscavam controle sobre forças arcanas que escapam à razão, forças que, segundo a tradição cabalística, foram concedidas ao rei Salomão por um juramento com o próprio céu.
É dito que os pantáculos sagrados, gravados em prata lunar e ocultos em sete cofres selados com o Selo de Salomão, formam um mapa estelar que só pode ser lido nos dias em que Marte, Saturno e Mercúrio se alinham no zodíaco de Peixes. Um código celeste, inscrito em linguagem de fogo, conhecido apenas por três ordens secretas, ligadas à construção do templo original.
Em uma das últimas anotações do teólogo Luigi Sartori, jamais tornada pública, ele menciona o termo “Codex Caelestis” — o suposto código do céu, revelado apenas aos que carregam a Marca do Justo, um símbolo perdido que une a tradição judaica, a alquimia egípcia e os primeiros cristãos gnósticos. Segundo ele, este código teria o poder de romper o ciclo do mal — ou libertá-lo completamente.
Leonardo Boff teria confidenciado que a última palavra murmurada por Luciani antes de falecer foi "Malkuth", o Reino, a última das dez sefirot da Árvore da Vida. Seria um aviso? Um pedido? Ou o eco de uma profecia que ainda se desenha sob o céu?
No silêncio eterno dos arquivos papais, repousa um espelho. Mas ele não reflete rostos. Reflete almas.
Nos corredores secretos do Vaticano, a verdade é uma relíquia perigosa — e há aqueles que matariam para mantê-la oculta.
Dizem que os mapas mais valiosos não são desenhados em pergaminhos, mas sim ocultos na consciência dos que ousam ver além do véu da realidade.
Segundo a lenda, há um ritual específico para localizar tesouros enterrados, utilizando velas, símbolos mágicos e orações a entidades ocultas. Contudo, o verdadeiro segredo jamais esteve no solo, e sim naqueles que sabem decifrar os sussurros do invisível.
Os antigos afirmavam que o ouro da terra é apenas um reflexo pálido do ouro do espírito, e que todo tesouro material esconde um preço impagável. Aqueles que seguiram as marcas deixadas pelos mestres do oculto descobriram que nem todas as riquezas brilham ao sol — algumas queimam na escuridão.
Entre os iniciados, conta-se que cada moeda desenterrada possui um eco, um nome, uma história — e às vezes, um destino selado. Pois há segredos que não devem ser revelados, assim como há portais que jamais deveriam ser abertos.
E o mais perigoso deles... é aquele que se oculta dentro de nós.
Aqui, as palavras não são apenas letras impressas, mas chaves para portais esquecidos, onde o conhecimento proibido aguarda aqueles que têm coragem de buscá-lo.
O desconhecido não está apenas nas sombras da história, mas também na névoa do agora, onde cada passo pode revelar um novo desafio.
Os enigmas do passado intrigam, mas são as incertezas do presente que realmente testam nossa coragem e discernimento.
Nem sempre o passado esconde os maiores mistérios; muitas vezes, é o presente que nos desafia com perguntas sem respostas.
Às vezes, os maiores desafios não vêm de enigmas antigos, mas de confrontos com a incerteza do presente.
Ética é essencial a todos, e muitos afirmam possuí-la, mas poucos a praticam com rigor. No fim, ninguém é irrepreensivelmente ético, pois nossas condutas, por vezes, refletem nossas imperfeições.
Além do Tempo
A vida é um sopro que mal percebemos,
um verso perdido no canto do vento.
Quando se vê, já é outono…
Quando se vê, já partiu o momento.
Os dias se dobram, frágeis e breves,
como as folhas que o tempo carrega.
E quando se vê, já é passado…
E o que ficou? O que nos resta?
Ah, se houvesse outro instante,
um rastro de luz na estrada vazia,
eu não contaria as horas frias,
mas faria de cada segundo poesia.
E, livre, deixaria para trás
os grilhões do tempo, sem medo ou lamento,
pois só é eterno quem não se apega
ao relógio lento do esquecimento.