Coleção pessoal de hidely_fratini

1 - 20 do total de 70 pensamentos na coleção de hidely_fratini

⁠⁠⁠CÍRCULO
(Abre & Fecha: deixe a luz entrar)

E, assim, a vida passa,
Entre sonos, sonhos e luz!

Acorda, acorda, acorda.
Gritam!

A ilusão insinua-se,
Pega-nos pelos ombros
E, como num faz-de-conta,
Tudo se torna incerto!

Chacoalhe-se para não rir,
Nem chorar, nem cair.
Todos enxergam,
Só você não vê...

Pulo miudinho
Dentro desse labirinto
Sem porta, sem seta,
Nem janela.

Jogo-me nesse faz-de-conta
De surpresas -
Que se apresentam
Incertas.

Até a certeza retornar,
O círculo abrir-se,
Em flor,
Para a luz, enfim, entrar!

2017

⁠⁠Foco na construção da vida

Seguir reciclando a vida e o já vivido.
Basta de manter o que não é mais necessário e é supérfluo:
- seja em coisas materiais, relacionamentos, projetos ou pessoas;
- não fiquemos com os votos e os vínculos que se foram, apesar das marcas e das realizações já conquistadas.

Basta das coisas que não têm mais razão de ser.
Deixemos o novo penetrar os olhos, o coração e a mente.
É preciso abrirmo-nos para tudo que já foi pensado e sentido neste mundo.

Projetemos tudo em nossa mente e em nosso coração para, através de nosso corpo e de nossas mãos, modelarmos o ar, a terra, o fogo e o céu com sentimentos nobres.
Baixemos do Cosmos tudo que precisamos, toda a energia disponível.
Reencontremo-nos, pois nossos projetos eram embriões que, agora, fertilizados, pedem para brotar e nascer.

A vida é sempre bela. É o maior presente que os criadores do Universo nos proporcionaram.
Olhemos tudo! Mais que isso, enxerguemos a fundo tudo o que sempre esteve conosco, o nosso melhor.
Mas não esqueçamos dos nossos limites e dos demais seres.
Tudo nos indica que estamos neste mundo para evoluirmos, melhorarmos.

Viemos do pó do Universo, do Cosmos.
Nossa caminhada vem de longe e não tem fim.
A vida tem um sentido e uma razão de ser. Busquemo-los!

Nossa essência pessoal e a divina, entrelaçadas, nos conduzem.
Abram-se corações e mentes!
Deixemo-nos ser levados por seres de luz.
Aprendamos com a luz, as trevas e com as sombras!

Coloquemos tudo o que obtivemos numa nova gaveta, reorganizemos nossas coisas e atividades.
Vamos renomear e reorganizar tudo para termos mais clareza do que fazer da vida.

Estamos todos no mesmo caminho e no mesmo barco, apesar dos passos de cada um serem diferentes uns dos outros.
Não hesitemos!
Sigamos!

2021

⁠⁠⁠*QUATRO PONTEIOS*

• TEMPOS DE MENINA
• CIDADEZINHAS
• EMOÇÕES
• A TERRA E O OUTRO

TEMPOS DE MENINA
Numa tarde perdida hoje no tempo,
Atrapalhada, a menina interpretava histórias.
Como, até hoje,
Tenta essa alternativa,
Mas, sem êxito, indaga:
__ Onde, a linha divisória?
__ Onde, reunião de ventos?
__ Onde, homens, lutas, seduções e medos?
A menina buscava ligar o ontem,
Com o hoje e o amanhã,
Sempre difícil em sua memória!

CIDADEZINHAS
Ai cidadezinhas fora do tempo...
Lembro do bairro da minha infância,
tão ligado à memória
e cheio de pegadas.
Marcas de grandes ânsias e desejos.
Hoje, cidade grande, com pouco alento,
busco, pelos caminhos do país,
a raiz dos pais e do bairro
operário onde cresci.

EMOÇÕES
A emoção acabou?
__ Não, beija-flor!
Maços de rosas,
espalhadas na pele,
vermelhas e sem fim.
Odor à natureza
Querendo sair de dentro de mim.

A TERRA E O OUTRO
Trabalhar com terra
Não é trabalhar "a terra"
- e nem planetas.
É a forma enviesada de atitude e legado
Para, no decorrer dos tempos,
Ir-se tomando posse de todos os seres!

1992

⁠⁠⁠Descoberta do amor
(inspiração pós adolescente)

Nas reentrâncias imaculadas que se findam,
Não vi nada...
Rodei pelos caminhos atormentada,
Até que me depus adormecida.

Vieram mundos iluminados por luz límpida
Que transportaram, sem receio, você para mim.
Um outro ponto santo me transformou em amante
Para, então, sorrirmos um sorriso eterno.

Vê que mundo brando há em mim,
E quão importante é viver agora?
E quão necessário ter as mãos assim tão postas?

Não existe nada de irregular em nós.
Nem vantagens e nem martírios!
Só um grande amor a nos unir para sempre.

1971

⁠⁠Figura de farol
(inspiração pós adolescente)

Chovia.
As pessoas pegavam capas,
escondiam-se da chuva.

Enquanto todos fugiam,
um ser objeto continuava impassível.
Era o semáforo que acenava
suas cores gentilmente.

Não se abalaram as estruturas.
Só gotas d'água lhe escorriam
como lágrimas que fossem suas.

(São Paulo é um santo pesado que uma procissão carrega. Carlos R. S. Araújo)

1971

⁠Meninos da serra

Meninos,
Com pedras nas mãos no alto da serra,
O barulho do mundo
Por acaso não espanta
O choque das pedras nas águas do rio?

Nov/ 1974

⁠Cercas inúteis

Coloquei cercas em todos os lugares
E em todos os recintos de infinitos ais.

Coloquei barricadas,
Erguidas para delimitar fronteiras.
Cimentei o solo para não brotar pavios,
Nem de sentimentos,
Nem de quaisquer lembranças.
Para não deixar entrar sequer um fio
Da luz que chegava lá do norte.

Isolei-me inteira.
Inconscientemente, criei mundos,
Submundos,
E relações complexas:
*Sorridentes
*Infelizes
*Faz de conta
*Perigosas.

Onde amarrei meu insólito burro, sempre perguntava,
Dando asas a ditados sertanejos.
Estava bem lá, o burrego,
Dentro de uma caverna sem Platão
A sugar meus ossos e de donzelas!

Estava.
Finalmente, partiu!

Hoje, indago sobre o sentido de tudo.
E me cobro uma explicação certeira
Escancarada nas pedras e na linha do tempo
transcorrido e que não via.
E, como sempre, saio ao vento
Buscando todas as respostas!

2024
Madrugada

⁠Ponto longe
(inspiração pós adolescente)

Na palidez alva dos teus traços,
A tua alma revestiu-se humilde.
Os teus olhos choraram,
Apesar das lágrimas não rolarem.

Na contemplação do teu amor,
O teu ser, meio envergonhado,
Fez tuas mãos fugirem
Perante o primeiro contato de outra carne.

As tuas mãos vagaram pelo nada.

Ah, quantos vivem tristes,
Quantos não são como este ser amado e se repelem.
E quanta insegurança há neste mundo!

Agora, no fim deste poema,
Pela emoção, nenhuma palavra sai de mim,
não há mais nada.
A capacidade de mudar tudo
tornou-se ponto longe!

1971

⁠SAUDADE DOS ANDES

Sentimento invade o ser que dorme
Penetrando lembranças apagadas pela mente.
Ressurgem imagens que invadem o coração
Como presentes escondidos no inconsciente.

Pergunto-me:
__ Onde estou? Que lugar é esse?
Uma resposta apresenta-se em meio à névoa,
Evocada pelo som de uma orquestra
Que vem ao meu encontro.

Uma voz canta e ecoa reminiscências
De um passado ainda mais remoto
Que despertam pela vibração dos instrumentos:
Violinos, órgão, "chello" e uma voz de contralto a cantar!

Viajo. Vou longe. Aos picos dos Andes.
Vejo os incas: são mulheres, homens e crianças,
Cabanas, fogo, céu estrelado e a mesma lua.
Sons abafados, choros, canções e risos.

Não quero voltar!
Está tão frio lá fora...
Mas sinto um calor intenso em mim.

De repente, o som se transforma!

Uma buzina soa estridente do outro lado do mundo.
Retorno, sem piscar, rodopiando, ao mundo presente,
Ao plano material e dos corpos físicos!
São 23 horas de um dia 29 de outubro.
O ano é 2004!

Uma multidão discute embaixo da janela.
A noite está quente.
Água cai do céu...
E a orquestra já se foi...

Como nunca, estou mais do que presente!
Malgrado os ruídos que vêm da rua,
O quarto está calmo e em silêncio:
Reverência pelos irmãos que dormem nos Andes - como sempre!

out/ 2004

⁠Não sou, mas...


Não sou religiosa.
Não sou crente,
Nem descrente.
Creio
somente!

nov./2023

⁠A nova vida (nem tanto) paulistana


Praça do shopping
Almoço
Pai e filho ao lado
Nenhuma palavra
O adolescente curva-se ao celular
Olhos e mãos fixos no aparelho
De repente, nem tão de repente assim,
Quatro palavras saem do pai:
__ Vou ali. Já volto...
Filho continua mais curvado do que nunca
Mira e digita com dedos ávidos
Nem levanta a cabeça
Arre, que incômodo é esse que incomoda tanto!

Rio comigo, pois nesse contexto
Não é possível fluir palavras

Pai retorna
Arruma as coisas coletivas: mochila, capa, agasalho, guarda-chuva
Mais uma palavra é dita:
__ Vamos...
E lá se vão pai e filho
Cada qual em seu mundinho mundano e quadrado
Talvez redondo ou triangular
Tão paulistano!

Olho à minha frente...
Prato posto com alimentos saudáveis

Rio de novo...
Minha vida flui...

Cadeira vazia à frente transmite mensagens:
* Os amigos invisíveis estão por perto (parentes, mentores, guias, anjo da guarda)
* Os amigos encarnados, também presentes,
Estão em meu coração e em meus pensamentos
Isso é bom demais
Acalenta.

Rio...
A vida flui
Pois ela precisa prosseguir em seus intentos.

julho/ 2024

TRINTA E UM DE DEZEMBRO DE DOIS MIL E VINTE E UM

Mais um ano passou por mim
e por todos os seres.
2021 vai-se como todos os demais anos,
Apesar de ser, tão somente, ilusório,
O planeta retoma a trajetória a partir do mesmo ponto,
após 365 dias terrestres e uns quebrados.

Eu passei, também, com ele.
Envolvida no tempo,
Entrelaço-me com as estrelas
Querendo voar longe e bem mais...

Deixar os que estão por perto
Para perder-me em mim.
Se possível, com outro ser que adentre novos buracos luzes:
- um parceiro que busco por haver me enganado no passado
- estou na labuta por
(a)braços, cheiros e trilhas!

Mas quem se importa?

A vida,
penso saber,
é mais que ter parceiros individuais, ser d’um só coração

Precisamos de muitos braços e corações para os projetos verdadeiros,
indo além:
• pensar e encontrar novos caminhos
• enfrentar o que for necessário
• superar as mágoas e tragédias
• estender as mãos aos irmãos para ajudar
• buscar conhecimento universal e sabedoria
• ter sonhos e esperança
• realizar o que for possível e, muito mais,
• para encontrar o improvável!

As pessoas devem ultrapassar as barreiras...
dos preconceitos e das divisões sociais.
A Mãe Natureza, tão maltratada por nós todos,
reivindica seus espaçose os reconquistará,
pois é da sua essência não se submeter ao imponderável!

⁠Falso positivo


Minha união
parecia ser tão positiva e firme...
Até perceber, um dia, ser aparência,
o seu revés:
-- a necessidade de ser o que não era; ser o seu contrário.

O positivo
do não-ser.

⁠Anotações de ideias


As marcas do seu ser estão por todos os lugares.
Como pegadas, marcam meus olhos e meus caminhos.
Apesar de seguir por outras trilhas,
Por paragens que a vida me oferece e me conduz,
Vislumbro seu cheiro em cada livro aberto,
Em cada pensamento do passado que me surge.

⁠*Água sobre a cidade*


Num tempo, São Paulo seca.
Agora, encharcada...

Como se as águas conscientes,
Morando nas profundezas da terra,
Entendessem o seu lugar
para retornarem sempre:
Ora amigas.
Ora bravias.

Matando a sede,
Enchendo casas,
... Ruas
... e as próprias almas!

junho/04

⁠A extorsão de prazeres infelizes

A dor partiu o meu ser em nada,
Que se deixou paralisar em tramas várias.
A extorsão entrou pelas janelas sem pedir licença.
Esmurrou as portas,
Penetrou os cômodos
e se deitou calmamente em minha cama.

Foi mais fundo...
Estagnou os corpos, as mentes e as almas.

Permaneceu fincada no vazio
Para instalar-se no meio de todos os presentes.
Ditadora barata, mas que sabe o que fazer e onde quer chegar...

Vieram mais dores,
Maiores ainda que o primeiro round,
E, com elas, prazeres delirantes
Por suposta síndrome sem fim!
A dor escorria pelos braços,
Percorria pelas pernas,
Afundava o coração nas sombras.
Palpitando, este voava sem destino,
Asas quebradas e sem razão.

Dia a dia, puxando cada fio,
A teia toda revelou-se inteira.
Clarão nos olhos:
- iluminaram-se a razão, a mente e todo o ser!

Enfim, uma decisão podia ser tomada!

2021

⁠Retinas e vidraça

O dourado do pôr do Sol ficará retido em minhas retinas e memória.
Todas as imagens juntas.
Desde que nasci, ainda menina,
Sentava no chão e, ao pé da cama de meus pais,
privilegiada visão do todo me invadia.
Olhos fixos na vidraça e muito além,
Sob o astro rei que reluzia -
eu confirmava, ainda pequena:

__ É redondo como uma laranja; enorme como o fim do mundo e o começar dos tempos!

2021

⁠Dor no peito
(visão da morte e seus prenúncios)

Dor literal, não literária!
É no coração mesmo, no real.
Começou do nada,
quase sem sentir...
Foi aumentando devagarinho,
mas sem parar um segundo.
Tomou a parte superior do peito.
Adentrou as costas.
Respiração parecia até normal...
Um incômodo.
Uma tristeza.
Um ai...
Como se fosse partir
sem ter, ainda, onde chegar.

2021

⁠Outro no lugar

Quem pôr no lugar daquela que se foi?
O que colocar no vazio formado por ausências?
Tantas histórias enterradas
e saudades reveladas no dia a dia!
O tempo ameniza as dores,
mas não substitui pessoas!
Quisera partir de mim,
quisera.
Quem ousaria me substituir?

abril/2021)

Sonhos, pensamentos e visões

Estranhos...
ou
Distópicos?

Sonhar poemas e escritas, que vão:
além-túmulos,
além camas e divãs.
Além, além, muito além!

Firmes e acabadas,
as palavras são criadas enquanto durmo,
mas fenecem ao raiar do Sol,
logo ao me acordar.

Então, matuto:
__ Para onde foram, afinal?
__ Seguem para um mundo paralelo?
__ Ou para outra dimensão de mim mesma,
... para, assim, esculpidas no sutil,
permanecerem gravadas na minh'alma?

. . . Pontos interrogam.
! Exclamações ! advogam e me perguntam (?)
, . As vírgulas e o ponto final, calados, não se expressam.
Mas, todos juntos, compõem, em surdina, vários mundos entre si!

abril/2021