Coleção pessoal de EscritoNoVento
O ECO DO PECADO
O olhar vagueia, a alma vacila,
O doce engano sussurra e cintila.
Mas a taça dourada, que embriaga e seduz,
Esconde nas sombras o pranto e a cruz.
Davi, o ungido, provou desse fel,
Ergueu-se em glória, mas dobrou-se ao céu.
Pois todo prazer que se veste de engano
Traz sempre nos lábios o gosto profano.
No labirinto do moderno,
perdido entre fachadas de progresso,
o mundo desfila um futuro inóspito,
pintado de cores que desvanecem a verdade.
Em meio à anarquia velada,
os valores se invertem como sombras ao entardecer,
e o coração, em seu silêncio profundo,
choraminga a desilusão de uma humanidade esquecida.
Cada passo ressoa a tristeza,
um lamento que ecoa nas vielas da existência,
desacreditando na promessa de um novo amanhecer,
onde o sonho genuíno se dissolva na ilusão.
Ainda assim, entre as ruínas do que se pensava moderno,
um sutil sopro de esperança insiste em cantar,
recordando que mesmo na desordem da alma,
a verdade pode florescer, se a coragem quiser olhar.