Coleção pessoal de camyllag

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E neste mundo, em que falsidade e hipocrisia andam juntas de mãos dadas, tento achar um espaço onde eu possa ser eu mesmo, sem medo de julgamentos precipitados ou qualquer devaneio avassalador, em que a solidão não me encontra e a saudade não me toca.

O tempo não cura tudo. Existem pessoas que o tempo não é capaz de levar. Existem feridas que o tempo não é capaz de cicatrizar, existem lembranças que o tempo não é capaz de apagar. O tempo é a prova de que os melhores sentimentos nunca se perdem, de as que piores dores sempre te acompanham e que os sonhos não são meras utopias.

Ela sentiu tudo desmoronar mais uma vez. Não havia mais sorrisos, esperança ou gargalhadas. Ela só tem o silêncio que perdura em si, um “pequeno” vazio e um grande estrago. Ela só tem a verdade em que estonteantemente anseia por prová-la, a dor que insiste em persegui-la, a solidão que está sempre a acompanhá-la, o medo de machucar-se a ponto de dilacerá-la. Ela tenta fingir que tudo está bem, mas no fim do dia a sua maior fraqueza aparece a atormentá-la. Ela queria arrumar uma saída para isso, um antídoto totalmente curável, mas toda vez em que ela supõe não poder piorar, a coisa vai lá, e piora.

Não precisa me entender. Só fica por perto e me mostra que com você vai ser diferente. Que não desistirá de mim - de nós - na primeira dificuldade, como os outros o fizeram, como todos fazem.

Mais doloroso do que ir embora, é perceber que ninguém vai tentar te impedir e te convencer a ficar.

É uma insegurança, uma dor, uma falta, uma angústia que parece dilacerar. É como sentir uma dor sem sentido. É uma vontade de desabar. São tantas as aflições, são tantas as lágrimas, são tantos os medos. Queria que tudo voltasse a ser como antes, queria sorrir novamente, queria que você estivesse aqui. Tudo era tão fácil quando tinha você.

Ela mostrava ser capaz de se auto-regenerar. Parece ser uma saída não demonstrar sentimentos. Seu coração parecia gélido, intocado, tão frio quanto o restante de chocolate quente em sua caneca. Sempre buscava parecer fria, calma, controlada e tanto eram os pesos, as lágrimas, os medos. Ela parecia forte, no entanto, fraca. Parecia não ter cicatrizes, mas tantas eram mágoas e as frustrações. Parecia nunca ter sentido a perda e a dor. Só parecia.

É torturante suportar todos os adventos do dia. As lágrimas já estão escorrendo secas, o riso é forçado, e tudo o que se pode sentir é dor.

Ela espera acordar e dizer que tudo vai ser diferente. No entanto, acorda espichada na cama, com os olhos pesados como quem não dormiu. Ela costuma levantar e tentar se convencer de que é só mais um dia, mas dessa vez, preferia nem ter acordado. Ela pensa constantemente em tentar mudar, mais no fundo sabe, que só um único alguém é capaz de reverte-la. É um estar longe, e sentir-se perto. Querer fugir e não encontrar-se em lugar algum. É como abrir os olhos, e ouvir algo dizendo: “Acorda, bem-vindo a realidade”.

É como sentir-se tão só a ponto de esquecer-se. A cada minuto que passa as lembranças me atormentam intensamente, a cada segundo que o ponteiro marca é como se fosse um século, se passando. Quando me olho espelho vejo às lembranças mais tristes virem à tona, junto com as lágrimas de saudade que frequentemente choro por você.

Certas vezes, prefiro chorar um pouco sozinha, escutar o eco do vento aos meus ouvidos, ocultar meus sentimentos, me apegar ao inimaginável, guardar a dor. Não por indiferença, só quero evitar o julgamento de pessoas que não sabem o verdadeiro motivo das minhas lágrimas.

E quantas vezes ao abrir os olhos, você desejou que tudo fosse diferente?

Perdi as contas de quantas chorei até pegar no sono. De quantas vezes, abracei meu corpo fortemente, na tentativa de que a minha dor cessasse. Ontem meu choro foi abafado, tortuoso, escondido; para não incomodar quem estivesse dormindo. Literalmente, chorei até quando a dor existente em mim ameniza-se, até quando meus olhos não conseguiam se abrir de tanto arder, até quando abracei o travesseiro e fiquei ali, acalmando, até que minha angústia pudesse conter-se. Eu imaginei você ali, eu sentia o calor do seu abraço, o carinho do seu aconchego, e suas palavras dizendo: Vai ficar tudo bem. Dói perceber que mesmo depois de chorar tantas noites, você ainda consegue me machucar delicadamente com que diz. E com as que você não diz também.

E mesmo depois de tudo, ou talvez por causa de tudo, eu nunca vou deixar de me importar.

Acredito que as piores dores do mundo, são aquelas que matam lentamente e ninguém pode cessar em você; aquelas que conseguem desabar o seu mundo, e o de mais ninguém.

É Irrefutável. Quando a dor parece ter amenizado por um instante, ela volta ainda mais forte. Eu sou vulnerável, quando se trata de se machucar – para os outros, pode passar despercebido – mais só você sabe o quanto aquilo magoa, o quanto aquilo não cicatriza, que só em esbarrar dói.

Me peguei chorando mais uma vez. Não havia mais risadas, euforia ou brincadeiras. Sofrer é uma lembrança que se fixou no meu presente. Sorrir se tornou banal. Levantar, uma carga que não cabe a mim. O sono se assemelha a morte, o sonho a uma segunda vida e a insônia, a uma espécie de delírio.

Não importa o que aconteça, você vai continuar presente em mim. Não aprendi a esquecer com três dias de ausência, muito menos a amar com três dias de convivência.

Sabe quando você quer chorar, mas suas lágrimas já estão fracas de tanto caírem? Sabe quando você quer gritar alto o suficiente para alguém ouvir, mas sua garganta não consegue emitir som algum? Sabe quando você se isola de todos, por temer que eles te deixem? Você sabe o quanto dói?

Eu sinto a sua falta a cada instante que não posso estar perto, a cada instante que eu não possa estar presente, mesmo quando você não queira. A solidão divide o espaço apertado entre a saudade, a sua ausência, e a dor já tornou meu coração frágil demais para continuar suportando. Eu preciso você.