Coleção pessoal de branquinha_de_neve
Medo e Coragem
O medo chega sem bater,
sussurra dúvidas, espalha sombras,
faz da incerteza um abrigo,
como se o mundo fosse feito de portas fechadas.
Ele segura a mão que quer avançar,
desenha monstros onde há caminhos,
faz do ‘e se’ um labirinto
onde o coração se perde sozinho.
Mas a coragem, ah…
Ela não grita, não impõe,
ela apenas se levanta,
mesmo quando as pernas tremem.
Ela caminha ao lado do medo,
não para negá-lo, mas para enfrentá-lo,
porque coragem não é ausência de temor,
é decidir seguir apesar dele.
Quando é Amor
Começou como quem não quer nada,
um jogo de palavras, um riso escondido,
mas no fundo, a gente sempre soube:
o destino já tinha escrito.
Te penso sem querer, te sinto sem tocar,
e quando percebo, já sorri sozinha.
Se a saudade aperta, se o peito fala,
é porque tua falta me faz companhia.
A gente ensaia o silêncio, a distância,
mas no fundo, sabemos a verdade:
quando dois se encontram assim,
nenhum tempo apaga, nenhuma ausência desfaz.
E se um dia te perguntarem o que fomos,
só lembra:
fomos tudo o que um dia o amor quis ser.
Além das Palavras
Há um lugar dentro de nós
onde o tempo não alcança,
onde as dores se tornam ecos distantes
e o amor é mais que uma lembrança.
É lá que moram os abraços que não demos,
os olhares que falaram por nós,
as partidas que nunca aceitamos
e os reencontros que o destino guarda em silêncio.
É lá que sentimos saudade do que ainda não vivemos,
que fechamos os olhos e ouvimos risos
de quem já partiu, mas nunca foi embora,
porque amor de verdade nunca se despede.
A vida segue,
às vezes doce, às vezes bruta,
mas quem já amou de verdade sabe:
o que toca a alma nunca se apaga,
e o que é real sempre encontra o caminho de volta.
A beleza da vida está nos momentos que tocam a alma... Instantes que ficam gravados na memória, como uma melodia que ecoa dentro de nós, como a neve caindo, aquecendo o coração mesmo em dias frios e nebulosos!!!
A ilusão das vitrines humanas:
Vivemos a era da exibição, onde o valor não está mais no que se é, mas no que se aparenta ser. Os aplicativos, que poderiam ser pontes para o conhecimento e para o crescimento, tornaram-se espelhos da vaidade e do vazio. Não se compartilha mais sabedoria, mas sim imagens meticulosamente calculadas para gerar desejo e aprovação.
O corpo virou moeda, e a validação alheia, a nova forma de autoafirmação. O efêmero tomou o lugar do essencial. A profundidade deu espaço à superficialidade. O pensamento crítico cedeu à necessidade de aceitação. Assim, seguimos, como folhas ao vento, guiados por algoritmos que nos dizem o que admirar, o que desejar e até o que ser.
Mas o que é mais triste? Aquele que se expõe na busca incessante por atenção ou aquele que, passivo, se entrega ao culto do banal, aplaudindo o efêmero e ignorando o essencial?
Vivemos tempos de inversão de valores, onde o silêncio dos sábios é sufocado pelo ruído dos vazios. O certo virou obsoleto, o errado foi normalizado, e o superficial se travestiu de relevante. Mas a verdade não se molda às tendências. Ela permanece, imutável, esperando ser reconhecida por aqueles que ainda ousam pensar.