Cerrado

Cerca de 4455 frases e pensamentos: Cerrado

⁠ONDE O CERRADO MORA

Uma secura à beira de um barranco
No entorno: ipês, buritis, e o pequi
Por todo lado o agigantado céu rubi
No horizonte, um devaneio franco

O dia acorda na alva, num só tranco
Onde ouve o canto da brejeira juriti
E o passeio do solitário macho quati
Ali, alvoraçando a vida num arranco

À tardinha, em romaria, o regresso
A melancolia deitada na rede, espera
O entardecer mais bonito, confesso!

Se crês na quimera, ela existe, porém:
É no torto do cerrado de falsa tapera
Onde mora, que há encanto também!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
18/08/2020, 15’17” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol


VELHO CERRADO

Olha este velho cerrado, tão belo
De savanas cascalhadas e, antiga
Quanto mais desigual mais se diga:
- Triunfante na idade e no singelo

Buritis, ipês, horizonte no paralelo
Arranjam, livres, e o diverso abriga
Em sua melancolia e a árdua cantiga
Do vento nos tortos galhos em duelo

Não choremos, sertão, a tortuosidade
Admiremos cada traço, admiremos
Como obra prima deve ser admirada

Na glória do vário és tu, majestade
Governando o encanto que vemos
No mago fascínio da meseta velhada

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29/08/2020, 13’49” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠CERRADO DO GOIÁS

Quando, a primeira vez, lhe vi a vastidão
uma confusão fiz de sua sinuosa mesmice
e quedei-me ao parecer de quem visse
e sentisse, o desigual em plena evolução

Depois, no andejar, ao olhá-lo, disse:
é graça, é sertão na minucia e razão
do encanto, magia, mistério e criação
este chão, tão menino, na sua velhice

Os tortos galhos e secos barrancos
riscam planícies e maçudo abrigo
e o céu nos seus rubentes e brancos

E, ao aprecia-lo, agora, então digo:
vendo-lhe, diverso, e seus trancos
hoje o sinto poetificando comigo!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06/10/2020, 20’49” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠TORNAR

Agigantado cerrado, quão alterado
te vejo e vi, e ainda assim, resiste
te vejo a ti, em um suspirar triste
e tu no rogo suplicante e calado

A ti foi-te na quentura devastado
teu chão sugado, no penhor caíste
a mim o olhar aflito em que consiste
os teus dias, sufocado e tão mirrado

Já que somos no azar participantes
sejamo-los na mansidão, na espera
do suave, e tuas relvas verdejantes

Que venha a revirada da atmosfera
aí, tu será a ser quem eras dantes
e eu, quiçá serei quem dantes era.

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
10/10/2020, 19’53” – Triângulo Mineiro
paráfrase Francisco Rodrigues Lobo

Inserida por LucianoSpagnol

⁠[...]poeta é um ente que da palavra senti inteiramente...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Outubro de 2020 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠INQUIETO SONHO

Quando n’alma do cerrado andei perdido
Desencontros, os encontros e mudanças
A voz do querer sussurrava-me ao ouvido
- O afeto só é bem se existem confianças

Esperanças, e no muito esperar, cansas
E, assim, só o alcanças, sem ser temido
Onde a paixão lhe traz boas lembranças
E o haver o vínculo não lhe é proibido

Todavia, quando o olhar se faz perto
Tornando o incerto em um algo certo
Nessa vaga de encontro me desponho

E, se me proponho a este doce carinho
É porque no peito a afeição eu alinho
E no ter, o amor, é um inquieto sonho

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
23/10/2020, 09’50” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Cidade do pequi, do cerrado, do pôr sol de 50 tons...
Terra dos sons sertanejo, artesanato, do biscoito de queijo.
Agui no Goiás - Goiânia!


© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠O CERRADO É GRANDE

O cerrado é grande, de uma tal imensidão
O teu tempo, e uma lentidão e melancolia
Que a tua calma no silêncio acordar-me-ia
Da preguiça não, mas da sua orquestração

Atração mudável, todo selado. Ó sertão!
É tal vibração que em vós se tem melodia
Tingindo a vida, de um dia pós outro dia
Incertos todos, mas repletos de atração...

Eu vi por aqui, ipês e outras mais flores
Pequi, jatobás, a ventura e desventura
Os tucanos vi desenhar os fiéis amores

Sequidão, e verdura, tudo é mistura
Pintando o chão com variadas cores
Em um tudo mais, o renovo, fartura!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06/11/2020, 09’02” – Araguari, MG

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⁠CANTAR O CERRADO

É cascalhado e sinuoso, mas todavia
de um encanto lotado de um alento
no seu sulcado chão tão macilento
poema se lê com rimas de teimosia

E uma vez que na extensa pradaria
ao admirar o horizonte pardacento
hora se faz dia e o dia o momento
nascendo o diverso em desarmonia

A velha terra, de poesia e liberdade
com tal melancolia e uma saudade
que encharca a sequidão de sabor

Então, ao encontra-lo, assuste não
Logo terá acordo e muita emoção
Pois, o cerrado passa além do amor...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
11/11/2020, 08’47” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Mais um Natal
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

Na Vida quando me falaram de amizade, aquela que nos acompanham fazendo-se presente até mesmo no silêncio, achei que era somente fantasia de um sonhador. E é real! Os que se tornaram distantes, hoje não me dizem nada, mas também trouxeram uma carga de evolução em minha existência. Os verdadeiros são presentes e pulsam no coração. Como é fantástico como vemos as pessoas de modo diferente com o passar dos anos e aprendemos com elas os significados mais estranhos dos sentimentos que nos tocam... É tão bom saber que amigos fazem parte, e que também a solidão tem sua fração. Neste mais um Natal, quero olhar cada rosto que vai marcar presença, esses sim meus amigos verdadeiramente fraternais, e retribuir com meu sorriso sincero. Pois o tempo galopa mais que o nosso olhar possa perceber, e a maturidade nos faz saudosos dos tempos ingênuos da irresponsabilidade, dos amiguinhos sem interesse, das brincadeiras de adolescentes, do tempo maravilhoso de faculdade. Saudade! Então quero agradecer cada manhã amanhecida, um presente Divino, uma alegria pra ser comemorada, partilhada... E nestes momentos de comemorações, dividir com a vida todo este festejo, aquela música que marcou um segundo, um minuto, um beijo, a poesia escrita com a pluma da alma, a mão que afagou com suas palavras de conforto, olhar que acolheu o meu olhar absorto, o abraço que em meu corpo se fez laço... Afinal, mais um Natal!

Inserida por LucianoSpagnol

⁠A MINHA SORTE

Quis Deus dar-me a sorte dum amor amado
Como o pôr do sol no cerrado, pura poesia
Dar-me uma cumplicidade, ser apaixonado
Um bailado de emoção em boa companhia

Quis Deus dar ao fado fortuna e empatia
Com sensação ardente e olhar enamorado
No prazer ter a sede com volúpia e ousadia
Incrível, como é bom ter o afeto povoado!

Quis Deus mimar-me com áurea dourada
Da satisfação, e então, a graça encantada
Dos carinhos e dos beijos que eu sonhei!

Anda! Depressa! Onde? Eu posso embalar?
Nada mais se esconde, no vão, quero amar
E suspirar o viril sentimento que encontrei!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27/11/2020, 20’01” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠VENDAVAL EM CANTILENA PROSA

Cai no cerrado, ó chuva, e nos beirados
Sussurrando sons que o apavorar fiança
Em pingos d’água numa enfada dança
Purgando áridas angustias e pecados

Temporal no sertão, e tão agitados
Escoam nas planícies numa pujança
Deitando melancolias numa trança
De saudades e suspiros desolados

Do teu copioso gotejar, o luzidio
Relampejar, eriçando em arrepio
Que agita a tempestade tão furiosa

Troa lá fora, em um agravo vitupério
Estrondeando e envolto em mistério
De um vendaval em cantilena prosa...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
30/11/2020, 20’51” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠PRIMAVERA SEQUIOSA

Ó como a primavera caducou
Olha o cerrado, de letarga vida
- Ó chuvada, Vê! a triste ferida
No sertão, que a sorte faltou...

Tudo dorme, a ilusão perdida
Chora em derredor, chorou
A dor doída, que não rematou
E a forração que se fez abatida

Sequioso, que desdém o teu
Ó tempo, sem encanto seu
Sem canto, cor, sem graças

Quão desbotada a primavera
Sem hora, ó chuva em espera!
Ela que floresce quando passas...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06 dezembro de 2020 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠RENOVA

Caliandra, chuveirinho, pequi, lobeira
Florindo no cerrado pós a chuvarada
Maravilhando a renova por inteira
Do sertão pro verão tão camarada

E as águas cantam pela cumeeira
E as flores encantam na alvorada
Embalando a primavera Brasileira
Numa variação mística e encantada

Ao ritmo do rebento faz belo agora
Onde a sequidão vai nos longes fora
Longe da aridez, do vigor ausente

Os tons de esverdeado forte e pleno
Cobrindo o planalto, agora sereno
No ciclo vital de vida contundente

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
11/12/ 2020, 10’13” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠APENAS UM SUSPIRO

Na hora melancólica da luz poente
No cerrado, no ocaso do fim do dia
A voz de um desalento impaciente
Na sensação, um engano repetia

Na lembrança o lembrar ausente
Na dor, uma agonia que asfixia
O aperto em um tom crescente
Avivando o sentimento que jazia

E no entardecer o olhar morria
Nos perdemos de nós dois, fria
A saudade, no silêncio a cicatriz

Depois, sei lá depois, tudo calado
Vazio, sem vontade de ser amado
Pois, era apenas um suspiro, infeliz!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
12/12/ 2020, 08’59” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠O JATOBÁ DA PRAÇA

Rasgando o azul do cerrado
Copa densa, beleza colossal
Reina entre todas, encantado
O jatobá, é sombra, é casual

Afinal, o seu porte escultural
É vida, cor, sabor imaculado
Gosto exótico, fruto espiritual
Tem dinamismo, e é arrojado

Há mistério na sua ramagem
Juras de amantes, tatuagem
Entalhadas no tronco, ao léu

Ó jatobá! donairoso, de valia
Mergulha o sol por sua ramaria
Em pique esconde com o céu.

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
15/12/ 2020 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠INSATISFEITO

Cerrado, vivo tão só, na solidão
Aflige o peito, o peito em pranto
Distante ide o tempo, o encanto
Preso na tristura e na desilusão

Tão longe ando de ti, ó emoção
De ter-te no fado meu, no canto
Da prosa, amando tanto e tanto
Multiplicando, assim, a sensação

Ando calado, e inquieta a poesia
Desses desejos de mim ausente
Pelejo com o silêncio de cor fria

E nada me diz, nem o sol poente
Tudo é cinza e apagada a fantasia
Se sente querer, a força não sente.

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
22/12/2020, 17’54” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠NOITE....

Antes que a noite desça e o cerrado invada
O silêncio na vastidão, buritis prenda divina
Cuincando ao vento, na vereda da estrada
Aprecie o feérico entardecer em sua sina

Mergulhe na imaginação, se a te agrada
Rubra teu espanto que o carmim imagina
Há de ser encanto, assim, toda alumiada
Tão simples, tão grandiosa, e tão vitrina

Pousa o teu olhar no horizonte adormecido
Um poema de sensação que no céu se faz
Deixe tua alma se soltar no negror diluído

Esse cair da tarde do supremo entardecer
Só cá no planalto está joia rara e primaz
Cuja na lembrança não se pode esquecer! ...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27/01/2021, 18’30” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠EXPLOSÃO ...

Se o cerrado é imensidão, seja então
Mais vida, e a diversidade fomento
Ao diferente, inclusão em comunhão
Um só instante de puro sentimento

Ele hoje morre ao sabor do contento
Progressiva a sua leviana destruição
Se em combustão ou não, violento
Quando a mão do avança é em vão

Açula-se, a tristura em um dolo frio
É destruição que provoca arrepio
Choro e pesar, tal chaga duma dor

Que na extinção que se olha aqui
Os versos enturvam e não mais ri
É uma explosão de vil desamor! ...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
07/01/2021, 17’39” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠AGOSTO NO CERRADO ....

Não é sempre está melancolia
o morno mormaço, esta fereza
de agosto, a secura que tristeza
no cerrado, agridoce dura poesia

Bela diversidade a sua natureza
um vendaval de cores e de magia
devaneio, como é vária sua beleza
e seu renovo, insistente teimosia

Dia e noite, noite e dia, feitiça fonte
vencedor de borrasca e de empeço
e lá se tem o pôr do sol no horizonte

Tão inarrável, encarnado, inconfesso
o qual da glória doura-me a fronte
ao arrostá-lo, pasmo e fulvo excesso ...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14/08/2020, 18’01” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol