Carne
Angústia é descobrir que somos pedaços de carne largados num planeta perdido e menor, e que tudo isso não faz sentido algum.
o adultério é a semente
do prazer que tem como
gosto o desejo da carne,
a destruição do lar,
e a condenação do espirito.
Estava pensando sobre os zumbis, o que acontece se não comerem carne humana? Não podem morrer de fome, eles ja estão mortos!
Não adianta fazer jejum de carne vermelha na 'sexta-feira santa' se, no cotidiano, você 'devora' o próximo com mentiras, injustiças e corrupção...
Definição
O corpo é onde
é carne:
o corpo é onde
há carne
e o sangue
é alarme.
O corpo é onde
é chama:
o corpo é onde
há chama
e a brasa
inflama.
O corpo é onde
é luta:
o corpo é onde
há luta
e o sangue
exulta.
O corpo é onde
é cal:
o corpo é onde
há cal
e a dor
é sal.
O corpo
é onde
e a vida
é quando.
Publicado no livro Canto e palavra (1965).
(SOU MUITO MAIS)
Me oscilam essas idéias machistas,
de que somos feitas mera carne.
Ilusão?
Eu não.
Comigo é veia,é coração.
Oh, se esta carne sólida, tão sólida, se esfizesse, fundindo-se em orvalho! Ou se ao menos o Eterno não houvesse condenado o suicídio! Ó Deus! Ó Deus! Como se me afiguram fastidiosas, fúteis e vãs as coisas deste mundo! Que horror! Jardim inculto em que só medram ervas daninhas, cheio só das coisas mais rudes e grosseiras.
(Hamlet)
Não me julgue pelo que você ver por cima da carne, eu não sou a roupa que eu visto, eu não sou o batom que eu uso, e não tente me identificar pela cor do meu esmalte, eu não sou a comida que eu como, eu não sou o meu cabelo, esse nome não sou eu, eu não sou o que você vê. Não possuo cor nem cheiro, não sou o meu perfume, não sou a minha casa, eu não pertenço a lugar algum. Eu não sou o que eu estudo, não sou a música que eu ouço, não sou esse metal que me cobre, eu não faço parte da minha rua, não sou o que tenho, não sou o que eu falo. Eu só sou o que penso e o que reside dentro de mim, sou um fantasma, uma alma, uma vida incomum. E me sinto vigiada, rodeada de olhos que são acostumados a ver essa máscara, isso que visto todos os dias pra poder sobreviver, ela é uma camuflagem, como um muro impedindo que as pessoas vejam minha luz. Não me julgue por ser assim, e nem por conseguir agradar a você, eu nunca vou te olhar do jeito que você espera, não espere minha ligação pois não gasto dinheiro com ninguém, não espere uma resposta pois não devo explicação, não me venha com "Eu te amo", isso não vai acontecer, se pensam que eu vou ser mais um peixe em seus aquários estão todos muito enganados. Eu não sou toda certinha, nunca disse que sou santa, e tome cuidado, eu posso te enganar, eu falo e faço e você vai acreditar. Deixei de ser a garota boba que chorava por tudo. Hoje já mando todos se calarem, eu não tenho medo de ninguém. Abaixem suas armas.
nem só de pao vivera o homem... mas também de arroz feijão e carne assada, acompanhada de cerveja gelada...
Tudo que é feito de carne é como se fosse mato, e toda a gloria dos homens é como se
fossem flores campestres. O mato seca, as flores caem.Mas as palavras do Senhor Estarão
sempre presentes.
Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
(...)
Sou como você
feito de coisas lembradas
e esquecidas...
"É apenas mais um corpo, um corpo qualquer, fora de qualquer padrão.
É um composto de carne, sangue, ossos, que não definem quem eu sou.
E quem eu sou? Não ousaria me descrever, porque eu sou aquilo que os outros fazem de mim, eu mudo constantemente.
- Não, não é falta de personalidade, meu caro! Tenho que discordar.
Para mim, essa mudança é resultado do excesso de aprendizado que a vida nos enfia goela abaixo.
Carrego um amontoado de cicatrizes nesse corpo, de um passado judiado, de amores frustrados, de tantos desejos.
Desfruto do acúmulo de segredos que esse corpo esconde, e que ninguém precisa saber.
Dentro desse corpo existe uma essência. Essa vale muito mais que qualquer aparência.
E a minha essência está fácil de ver, porque os meus olhos falam! Ah, eles sempre disseram mais que as minhas palavras.
Eu nunca fui uma pessoa difícil de ler, só é preciso um pouco de silêncio para saber o que se passa dentro de mim."
Sobre um Poema
Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.
- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
Homi , cabra seu minino
Rapaiz dexe de besteira
Num permita a moça ir imbora
Que nem carne e macaxeira
Essa coisa de orgulho
De mostrar que não se importa
Pode acabá te fazendo
Batê com a cara na porta
Ela tá é te querendo
Tú viu aquele sorriso?
Se isso num bulí contigo
Outro cabra pode achar
A porta do paraíso
Homi, a moça é jeitosinha
E vocês já cunversaram
Dexe di enrolação
Peça logo a sua mão
E se acerte com o vigário.
Urbano Sertão