Autores Autocráticos
Canto meu Ensimesmado
Minha sina musical é um som ensimesmado
Com pitadas de ironia
Recolhido no meu quarto, toco, canto, encho o saco
Experimentando harmonias.
O som vem por um instante, um tanto quanto excitante
Com a mais crua poesia
Sai pra fora canto meu ensimesmado
Liberte este som aprisionado.
O meu sangue sergipano tem a fibra sertaneja
E o canto dos ciganos.
O meu sangue lusitano tem a saga do imigrante
Que cruzou o oceano.
Bebi na fonte dos tebanos, no talento dos baianos
Gil, Raul e Caetano.
Sai pra fora canto meu ensimesmado
Liberte esse som aprisionado.
Quando moço fui bem fundo, fui rebelde debochado
Bicho-grilo vagabundo
Não ligava para o tempo, ia em frente com o vento
Fui Geraldo Viramundo.
Mas vi meu lado aventureiro recolher-se por inteiro
E render-se acomodado.
Sai pra fora canto meu ensimesmado
Liberte esse som aprisionado.
A vida te proporciona aquilo que você deve receber de acordo com o que faz. A lei da física e da vida é que: tudo aquilo que vai, volta. Cultivai os melhores plantios, para que colhas aquilo que podes almejar um dia.
06.11.13
#Ao ver, compartilhe.
Contemplação e Consumação
PUREZA maior não há
Que a do azul de teus olhos.
Neste céu de verão não há...
E nem no mar de Abrolhos.
LEVEZA maior não há
Que a de meu voo no céu do teu olhar.
Momento que a vida há
De eternizar: um sublimar.
ALEGRIA redentora é receber
O Amor pelos raios de sol ao amanhecer
Do teu sorriso, e perceber
Meu ânimo alvorecer.
MAGIA é a tua silhueta de violão:
Inevitável sedução.
Estar em teu coração:
Minha elevação!
Rua sem fios
Profusão de equipamentos fotovoltaicos
Aurora de um novo tempo a cada dia
Transmissão de pensamentos e energia
Condução simbiótica, veículos elétricos
Um transitar de ideais fecundos
Postes escassos, fios ausentes
Visões científicas presentes
Seccionando diferentes mundos
Diálogos abrandados, cantos de aves
Espantoso cenário urbano futurista
Ouve-se dos pneus os atritos suaves
Reservas especiais de pensadores e naves
Vanguardas para astronauta e motorista
Passado é presente aperfeiçoado em caves.
Magnífico parque
"Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá..."
Gonçalves Dias eternizou tais versos
Simples... e gigantescos!
Analogamente, vejo concretude por tais versos
No parque amado da CATI Campinas
Na Cidade das Andorinhas
Parafraseio o nobre mestre da Poesia:
"Nosso parque tem palmeiras
Onde canta e se reproduz o sabiá..."
Há de se ter brando coração para emocionar-se
Diante da visão de um filhote de sabiá no ninho
Insetos e até jabuticaba: uma fartura ao diminuto ser!
Lar na árvore, dia após dia, até alçar imperativos voos
É a ordenança pela inadiável voz da Natureza...
Reverberada na verde mancha arbórea do setor da cidade.
No parque da CATI aglomeram-se árvores em diversidade
As tais metaforizam pinceladas em tons de verde
Assim são compostos esplendorosos quadros
E livres das telas estáticas das tradicionais pinturas
Estabelecem expressões tão características em movimentos
Vão interseccionando cenas mui exuberantes, de dia ou de noite
Certamente figurariam nos quadros de algum pintor inspirado!
Os que se enveredam pelas entranhas do parque: privilegiados.
Com olhos atentos, sobretudo com sensibilidade
Agraciados serão pela contemplação digna
De tudo aquilo que à retina se descortina
Sob o espectro ótico, é concedida uma oportunidade
Ensejadas manifestações metafísicas
Visto que a vida vibra em cada sussurrar do vento
Nas asas dos pássaros ou nas copas das árvores.
Se faz generosa na seiva mantenedora que se eleva pelos troncos
Vai pelos galhos alçando a metamorfose bioquímica
Manifesta-se a fotossíntese em suas fases clara e escura
Metaforiza-se o ritmo do alvorecer ao anoitecer no plano botânico
Revelada uma evidente expressão do Criador,
Imbuída de poder, mistério, simplicidade e arte.
É possível que a cada olhar com agudeza
Com certeza teremos uma nítida percepção
Sensação de se encontrar em meio a uma dádiva
Uma dinâmica galeria de arte botânica a céu aberto
Sem pagamento de ingresso...
As obras-primas mantidas com dedicação continuada
Fruto da contribuição de servidores, com ou sem camisas suadas
Ao longo dessa história do parque, os tais impregnaram-se nela
Artistas servidores em prol da continuidade da vida vegetal
Cada exemplar arbóreo é um símbolo de luta pela sobrevivência
É o que dá a riqueza de tonalidades em pinceladas
Representam frações da Arte Superior
Dela fazemos parte e com ela buscamos nos harmonizar.
Há árvores que até sobrevivem às descargas elétricas da natureza
Mas que sucumbem aos poderosos raios destrutivos humanos
É uma premissa para alertar sobre gestos cotidianos
Diminutas ações, objetivando gerar sinergia com nossos semelhantes
Os desdobramentos naturalmente nos tornarão mais conscientes
Nos anos vindouros haverá a perspectiva de uma maior conformidade
Ideal e concepção original do mentor e arquiteto botânico Dr. Hermes
Legado desde a implantação deste singular patrimônio botânico.
Secretos Desejos
Desce o Sol ao horizonte, suavemente;
Renasce do outro lado do mundo.
Interiorizas um sonho fecundo
Na noite, mais acolhedor ambiente.
Surgimento de repentinas manias.
Toques sutis, sussurros adocicados;
Lado de dentro, movimentos delicados.
Mulher, revela-se em fantasias.
Mistérios desfeitos na superfície,
Pele como folha de papel;
Dedo, insinuante pincel.
Arte dissimulada por artífice.
Momentos de indescritível sensação
Flor umedecida pelo orvalho,
Êxtase no diverso atalho.
Entregas o que negas pela razão.
Amada impiedosa, contraditória candeia.
Apelos por direta solicitude,
Sinais à merecida atitude.
Descortinas o que te incendeia.
Refeição
Sacra hora, azeite e reminiscências cristãs à Última Ceia
Celebração reflexiva com elevada alimentação na interioridade
Plenitude por nutrir sabiamente corpo e alma a qualquer idade
Reunião familiar, simbolismo em cada um que a mesa rodeia.
Há o clássico romantismo da celebração amorosa à luz de velas
Casais na paz do amor ensaiando o vínculo nesse encantamento
Nunca se deve perder a substancial chama durante o casamento
Ainda que venham jejuns, tristes indisposições, vazias panelas.
Simplicidade e requinte, tornam-se ao alimento um plano de fundo
Comida industrializada desumana é oponente do organismo humano
Esportistas-referenciais propagando hábitos saudáveis pelo mundo.
Escritor ou leitor, atleta ou sedentário, chef gourmet ou moribundo
Simbólico Mundo de fome e desregramento gera desvalidos todo ano
Palavra-alimento corrige o pensamento como ideal suprimento fecundo.
Personalidades estilhaçadas
Não caminhamos sobre um mesmo chão.
Não observamos as mesmas coisas,
Ainda que fitemos um mesmo objeto.
Não pertencemos a lugar nenhum.
Não usamos as mesmas palavras,
Ainda que tenham as mesmas letras.
Não sonhamos os mesmos sonhos.
Não pensamos igualmente o Pensar,
Ainda que tenhamos mesma opinião.
Não compartilhamos os mesmos anseios.
Não viveremos uma mesma vida,
Ainda que nasçamos com corpos unidos.
Não respiramos da mesma forma.
Não sentimos os mesmos sabores,
Ainda que saboreando as mesmas frutas.
Não percebemos a variação essencial.
Não enxergamos a nós mesmos no espelho,
Ainda que a imagem permaneça conosco.
Não nos tornamos infalíveis.
Não somos um mesmo personagem,
Ainda que atuemos num mesmo papel.
Não há diferença entre Eu e Nós.
Não existiu somente um em mim,
Ainda que atendam pelo mesmo nome.
Cem reais
Há quem não vê, cegueiras...
Há quem vê indiretamente
Há quem vê uma simbologia
Há quem vê um signo linguístico
Há quem vê o ovo de Clarice Lispector
Há quem vê a nota rasgada
Há quem vê cigarrinho monetário
Há quem vê um papel estilizado
Há quem vê a maior nota
Há quem vê um maço dela
Há quem vê o preço de um produto
Há quem vê lá e eventualmente
Há quem vê ali e sempre
Há quem vê o fim da sequência de cédulas
Há quem vê 10 notas de 10
Há quem vê a tarja, a marca d'água...
Há quem vê o que não é, a falsificação
Há quem vê a estética
Há quem vê uma garoupa que assistiu pela TV
Há quem vê e lembra dos tempos do "O Dólar Furado"
Há quem vê e quer na coleção
Há quem vê a inflação
Há quem vê um aumento salarial
Há quem vê o investimento multiplicado
Há quem vê um componente da matemática financeira
Há quem vê reserva de divisas
Há quem vê libra, euro, dólar
Há quem vê a bolsa de valores
Há quem vê um tributo
Há quem vê política nisso
Há quem vê uma propina
Há quem vê instrumento para Deus ou Diabo
Há quem vê oferta ou oferenda
Há quem vê filantropia
Há quem vê o sorriso estupefato do mendigo
Há quem vê uma filosofia de vida
Há quem vê a sorte de quem achou na rua
Há quem vê o programa de uma garota
Há quem vê seu valor diminuir
Há quem vê tal valor invertendo valores
Há quem vê o mal do mundo
Há quem vê e sonha
Há quem vê um centenário
Há quem vê aula sobre Saussure
Há quem vê um abstrato número
Há quem vê um retângulo alongado
Há quem vê uma dobradura lúdica
Há quem vê uma aposta
Há quem vê indo pelo ralo
Há quem vê e sente a mão coçar
Há quem vê e imagina cheiro de dinheiro novo
Há quem vê saindo do caixa eletrônico
Há quem vê sendo depositado no caixa
Há quem vê "sem" hoje e cem amanhã
Há quem vê cem hoje e "sem" amanhã...
Há quem vê o pagamento de uma dívida
Há quem vê uma ou mais coisas
O que é tua nota de cem?
E o que você vê?
Sementes
Sementes singelas semeadas;
Sutileza e continuidade;
Germinada nova verdade;
Brotos vitimados por geadas.
Sobrevivência vil ameaçada;
Galhos teimosos podados;
Seiva e tronco judiados;
Sentenciada atrofia forçada.
Milagres: pródiga natureza!
Cuidados à persistente planta;
Reduzidas aridez e aspereza.
Folhas e flores admiráveis:
Pólen, frutos, sementes.
Solo e raízes formidáveis.
Dia dos namorados
12 de junho, 22h10, César Magno se prepara para dormir, já na cama, envolve-se nas cobertas e em pensamentos sobre o dia, significativo dia...
O que povoa parte do rio de pensamentos desse homem no período antecedente ao sono em um dia como esse? Justamente em tal data, para tantos impregnada de legítima carga emotiva, embora não se possa desconsiderar o lado mercantil, quando tantos comercializam relacionamentos a dois.
Não se trata de nenhuma festa junina, mas sim do dia dos namorados, para César Magno é um dia augusto, revestido de anseios, sonhos, objetivos e necessidade de uma completude específica, que como algumas outras, não depende somente de si para alcançar.
Ele autoindaga:
- "Onde estará minha criatura feminina, companheira constituída de uma constelação de virtudes? Encantadora e recatada; elegantemente simples; com irrisória malícia de coração; sentimentalmente séria mas doce e meiga ao externar-se; dedicada e sem friezas; educada nas atitudes." (certos anseios)
- "Que seja bela, graciosa, distinta e polida nos modos, nas vestimentas, nos encantos, nas feições." (um arquétipo)
- "Que saiba se colocar em qualquer ambiente, e tenha sabiamente o que dizer de instrutivo, irradiando essencial cultura." (imaginado conteúdo)
- "Certamente terá um jeito reservado de ser com os homens e de se revelar na intimidade somente ao escolhido; incondicionalmente se envolver e tratar com respeito o amado." (subjetiva dedução)
- "Havendo o alicerce fundamental, o Amor, que isso desencadeie a coragem decisiva para entregar-se inteiramente, abrindo mão de algumas coisas em prol de outras; que esse sentimento não seja apenas uma bela palavra, e que não se parta o coração nem seja corrompido o amor pela deliberada infidelidade, que fatalmente o compromete irreversivelmente, ainda que se tente rejuntá-lo..." (solidez do vínculo)
- "Aquela que contribua com sua parcela para um resgate, nessa sociedade decaída, dentro do possível, mas acima de tudo, do perfil de mulher virtuosa de Provérbios 31." (uma crença)
- "Já encontrei algumas assim... e quão maravilhosas são... cada uma delas é capaz de tornar verdadeiramente feliz, completo e realizado o seu preferido." (alguns suspiros)
- "Mas não basta encontrá-la, é preciso algo de misterioso, um toque superior em um contexto favorável, sem certas barreiras... Nada é impossível na vida, e que ocorra benevolamente, como uma chuva após o plantio, ou mesmo uma rebrota após a geada." (elevada reflexão)
- "Que seu papel feminino de ajudadora seja retribuído em mão dupla, visto que elo amoroso implica crescimento pessoal, estímulo das virtudes e elevação mútua. Ao menos a tentativa e o esforço já serão válidos!" (missão de vida)
- "Que ela não tenha ares de perfeição, pois ao cotidiano do amor não cabem utopias, e as rosas naturalmente são dotadas de espinhos, e que exista um contraponto por meio de imperfeições, mas que a árvore seja sobretudo boa, seus frutos doces e alimentem amavelmente a quem a ela se achegar: quer seja o marido, filhos etc." (esteio familiar)
- "Mas a minha, aquela tão sonhada... ainda não a tenho hoje, deixo para o futuro, no devido tempo. Quem saberá dizer que experiências a antecederão, ensaios, até mesmo novas desilusões... dolorosas aprendizagens." (apelo à resignação)
- "Já tive namoradas que muito me amaram, mais e melhor do que fui amado nos últimos tempos... vi o outro lado da moeda, as quais extraíram de mim maravilhas superiores, o meu melhor, meu próprio Eu; por tal razão, por contexto, coisas da vida, agora que vou dormir recuperando um saudosismo, os desagravos e desapontamentos amorosos ainda me entristecem, maltratam o coração, insistem em querer afugentar o sono... mas amanhã é outro dia, outro dia... mais um dia..." (triste ansiedade)
Assim ele adormece. Mas não se distingue quando está sonhando, quer de olhos abertos, ou fechados.
Distâncias
O que quantifica e qual a natureza da distância? Do ponto de vista da Física, aplicada tanto no campo astronômico como no geográfico, a distância se configura mediante tempo e espaço; se a teoria da relatividade for aplicada, temos então um contexto mais complexo. Nada tão complexo (e por vezes tão simples) quanto a distância percebida sobre o prisma transcendental concernente à espiritualidade e aos sentimentos... Toda essa elucubração, para sondar parte dos mistérios que envolvem um coração enamorado... É fascinante como um sentimento amoroso é capaz de aproximar as pessoas, ainda que elas estejam "separadas" (é conveniente restringir o sentido da palavra) por quilômetros, oceanos, continentes... bem como barreiras sociais, econômicas, religiosas, culturais etc. Penso que está por ser descoberto um outro tipo de "Teoria da Relatividade" para determinar esse espectro proveniente do conceito bruto de distância... Me proponho a desvendá-lo um dia.
Entorpecentes bombas atômicas
Quem não se recorda, pasmo pelo terror, dos devastadores efeitos das bombas atômicas do século passado nas cidades de Hiroshima e Nagasaki no final da Segunda Guerra Mundial? Pois digo que aquele horror tão evidente não tem o impacto dos horrores causados por outro tipo de "Bomba Atômica": o advento das drogas. A partir da década de 1960, com a liberalidade exacerbada apregoada pelos quatro cantos do mundo como modelo de virtude, presenciamos o surgimento e a detonação da mais devastadora "arma letal" dos últimos tempos, a bomba das drogas, a qual repercute tão ferozmente e destrutivamente, sendo um tanto difícil mensurar em poucas palavras os estragos por ela causados... Inicialmente, dois tecidos são dilacerados, o epitelial, ou seja, a pele, o corpo, a saúde dos consumidores de drogas. Depois o tecido social, ou seja, a sociedade estabelecida e principalmente sua célula preciosa: a família. Em efeito dominó, bairros vão sendo corrompidos, cidades, estados, países, continentes... O poder público, notoriamente e historicamente corruptível, é mais suscetível aos desdobramentos e efeitos colaterais das drogas, pois alastrou-se pelo mundo todo um tipo de câncer causado pelas drogas que se configura pelo poder paralelo, uma criminalidade que produz drogas, forma marginais, gera enfim... morte! A bomba das drogas, ora silenciosa e sorrateira, ora escancarada e noticiada, é algo sem precedentes na história humana, pois repercute no âmago do indivíduo e da sociedade de forma incomparavelmente nociva, um cogumelo de irradiação dilacerante, ceifando vidas, estruturas familiares; corrompendo valores, princípios, democracias, leis... Os jovens constituem a faixa etária mais visada e mais vulnerável, um público cativo muitas vezes, tanto em bailes Funk como em campanhas de apologia às drogas e sua liberação... não têm consciência de que são contribuintes na lógica da arregimentação de partidários e na arrecadação de fundos da indústria armamentista da metafórica bomba atômica, entranhada nas hierarquias da governança que move o ser humano, criatura tão apegada ao poder e ao que ele simboliza. Com isso, governos mesclam o Estado de Direito com o Estado Paralelo, num enlace nefasto, por si só, outra "bomba atômica"... Reflito novamente sobre o poder de destruição das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, agora convido o leitor deste texto a fazer o mesmo, comparando-as com os rastros de destruições que presenciamos tão cotidianamente ocasionados pelas drogas... Portanto, proponho uma questão: o que fazemos para que não seja apertado o botão detonador da "bomba atômica" das drogas?