Jamile Martini
Por vezes me pergunto se estou preparada para encarar esse mundo de gerações inconsequentes. Mas então penso, se pra TI é irrelevante viver na verdade dos fatos, TU quem terás de estar preparado, pois carrego comigo a vantagem da consciência tranquila e a esperança de que a felicidade ainda irá surgir!
O mesmo amor que um dia acreditamos ser capaz de nos impulsionar, nos derruba, dilacera, estilhaça! É um ciclo vicioso no qual somos submetidos e do qual nos tornamos incentivadores!
Do amar intransitivo
Do amor platônico
Do amor fugaz
Ah, o amor!
Feito correnteza incontrolável
Vai ligeira e carrega a sanidade
Qualquer decisão sobre si será nula
Controla os sentidos mais profundos
Alimenta a esperança
Refresca a alma
Machuca, dói, concerta
Ah, o amor!
És único para quem o sente
Na falta do seu toque
Poder senti-lo, basta!
Ah, o vento!
Poucos sentem a pureza do seu tocar
Em dias de sol alivia o mormaço
Esfria os dias mais frios e liberta tudo o que toca
Quando permito-me sentir seu esplendor, sinto que posso conquistar o mundo
Meus sonhos tornam-se maiores e mais possíveis que nunca
Ah, o vento!
Tão sutil, és puro e libertador!
São os pingos de chuva no meio do asfalto
São os carros estacionados
É a chuva que cai
É o vento que balança as árvores
São as luzes acesas dos postes
É o carro que passa
É a TV acesa do vizinho
É a luz ligada no prédio ao lado
Sou eu observando
É a vida em movimento
Ah sua pele, seu toque, seu beijo
O intenso desejo enclausurado
As verdades não ditas
A indiferença no olhar
A fantasia perfeita, ilusória
A luta contra os desejos do corpo
O receio do sentir
O medo do depois
O grito do silêncio
O silêncio que oprime os prazeres
As verdades não ditas
O intenso desejo enclausurado!
Ah, desejos
Desejos obscuros
Desejos, desejos, desejos
O querer mais inusitado
O querer proibido
O querer dito como inalcançável
Ah, desejos
Caminhos que não se cruzam
Verdades oprimidas
Desejos obscuros
Desejos, desejos, desejos
Olhares quentes
A necessidade do toque
As ironias do destino..
Ah, desejos
Talvez, só por um instante
Prefiro crer que guardá-los assim
Os preserve para sempre com esta intensidade
Cada história se compõe por momentos e sensações
Atitudes definem momentos
Sentimentos definem sensações
E a união de tais geram ações ou até mesmo a inércia
O que nos leva a decidir por uma das opções é onde se encontram nossos ideais
Os quais nós mesmos desconhecemos
A profundeza do nosso ser vai muito além de qualquer definição que tentemos aplicar a ele
Nada nem ninguem é capaz de nos definir
Nem nós, empossados de tal corpo, temos tal capacidade
E eu fico na tentativa incessante de extrair poemas em momentos aleatórios, apesar de ter consciência de que só as profundezas do inconsciente são capazes de produzir a essência da escrita, e, portanto, do escritor
O corpo vaga, a mente viaja
Sentimentos rasos
Realidade perversa
Desejos oprimidos
Uma mente calejada de incertezas
Incendiada por rumores vingativos, infames, imaturos
A mente clama por sossego
O coração já não se importa com os alheios
O corpo, ah, esse só induz ao erro
Lamento o cruel informativo
Mas amar é para bundões sim
Felizes esses bundões que amam com reciprocidade
Felizes esses bundões que foram correspondidos
Felizes esses bundões por serem bundões
Bundões esses que só existem nos meus devaneios
E assim mais um coração se fecha
Um bundão a menos
Mais um dia normal por aqui!
Seja verdadeiro, com você
Sinta, explore, ouça, você
Percorra cada parte do seu corpo, de sua mente
Sinta, explore, ouça, você
Se encontre
Mova-se pelo que de fato és
Não se interrompa, não se influencie pelo banal
Reconecte-se, intensifique, redescubra-se
Apesar de tão pequenos ao mundo, somos imensos para nós
Apenas seja, você!
Aprecio a solidão
Nela encontro a liberdade
Acalento meus demônios
Instigo minhas fraquezas
Aprecio minha melancolia
Diluo com o café as doses de amargura do mundo
Embriago-me
Diluo-me na chuva e velejo por aí
Sem pressa, sem pressão
Eu, apenas
Velejando com sentimentos expostos ao tempo
Explorando cada um em suas profundezas
Assim, só assim
Nessa solidão libertadora
Permito-me afundar, inspirar e voltar a superfície
E só por isso, sigo!
É, por vezes a lei do retorno é implacável mesmo
Seja pelo agradecimento estampado em um sorriso,
pelos reencontros casuais,
pela esmagadora solidão que permite reviver cada ação com tempo hábil a se exaurir pelas culpas,
pelo ódio, desprezo e desconforto carregados no peito dia e noite,
pelo perdão dado e não esquecido..
Por vezes ela é imediata, a longo prazo ou parcelada
Como sugere a expressão, tudo provem do que concebes
Mas não cabe a você decidir o tamanho do fardo que retorna
A intensidade é variante diante aos olhos de quem sente