Dionisio Reis (ijoreis )
O Tempo no Tempo
(Tempo de viver)
Cada tempo é um tempo no tempo;
Aventuras que tão pouco dura,
São levadas nas asas do vento;
Para o tempo parar não há cura.
(Tempo de sonhar)
Só a noite escura é que cura,
Na visão do sonhar belo então;
É o desejo de quem só procura
Ver o tempo escoar na ilusão.
(Tempo de desfrutar)
E há tempos que nós relutamos
Não deixá-lo passar simplesmente,
Por haver algo que desfrutamos
Deu prazer viver intensamente.
(Tempo de recordar)
Há o tempo que perpetuamos
No profundo do pensamento;
Passe o tempo que for, recordamos,
Reprisando cada momento.
(Tempo de esquecer)
Tempo há que insiste a memória
Obrigando-nos sempre lembrar,
Se queremos da nossa história
Uma parte do tempo apagar.
(Tempo de cuidar)
Esse tempo tão misterioso,
Não há sábio que o possa entender;
No relógio se faz vagaroso;
Tão veloz é no nosso viver.
Mundo Ingrato
(musica de: "Lenha na fogueira")
Já não sei se sei
Já não sei quem sou.
Mas bem que tentei,
Saber onde eu vou.
Já perdi o rumo,
Qualquer lado é lado.
Assim me consumo,
Triste e calado.
Eu estou com medo,
Ver tanta injustiça.
Que ataca cedo,
Por ter quem atiça.
Quem tinha cem casas,
Já não tem nenhuma.
É melhor ter asas,
Pra sumir com a bruma.
Será preferível
Morrer bem ligeiro;
E não ver o incrível
Mundo traiçoeiro.
Abrigar o belo
E o que é querido;
Dar nosso castelo
Prato dividido.
É bem fácil, creio,
Mas não tem virtude.
Quero ver do feio
Quem é que ajude!
Descartar ligeiro é
Mais conveniente,
Que dar travesseiro
A um indigente,
Eta mundo ingrato
Que não toma jeito.
Quem é belo eu trato;
Piso em quem há defeito.