Árvore Ipê
Vejo o Sabiá-laranjeira pousado em um Ipê-amarelo.
Num tronco resistente, levemente tortuoso, canta forte e assustada a tênue avezinha.
Mas que raro e singelo ver esse monumental e pátrio dueto!
Aquele que muito reza – é o que designa – o cordial vozear do sabiá.
O pé de ipê explana ideal firmeza – cascuda árvore nomeia que é.
Girassol
Tão amarelo quanto o Sol
Apontando para o Sol nascente
Sua cor lembra um ipê em seu ápice
Os sábios dizem que ele simboliza esperança
A esperança de um novo dia, de um novo nascer
A luz do Sol nos traz a vida, o calor, a esperança
Além de nos acordar todos os dias, dizendo que é hora de tentar novamente
São poucas que escutam a sua canção
E despertam com a emoção
Como se estivessem desabrochando após longos meses de frio e solidão
Aguardando o Sol nascer
A Lua descer
E a vontade de viver.
Ipê
Seja marcante e belo como um ipê, seja único, seja o diferencial entre as árvores comuns, seja um ipê!
O tempo firme e incandescente se desenha na atmosfera; as folhas balançam levemente num ipê roxo, forrando o chão de flores, anunciando um novo tempo de amor e fraternidade
EM AGOSTO
Um pé de jacarandá para o outro:
-- Não aguento esse povo me chamando de ipê!
-- Não liga! Faz pose para a foto. O importante é aparecer.
Chove chuva
chove de mannsinho
levando ao ipê florido
terno gesto de carinho
Ouço pássaros a cantar
prá lá e prá cá a voar
eu de cá olhando
não deixando de admirar
Chove chuva
Chove sem parar...
Editelima60
SETEMBRO
Se o amor chegar agora,
tem uma primavera brotando
em mim.
Se é com a seca que o ipê floresce;
É com a dor que a gente cresce.
Para que chorar se existe amor.
A questão é só de dar.
A questão é só de dor.
Em um rascunho de poesia no chão ao lado de toco de cigarro e uma flor de Ipê amarelo:
Faz sentido ter caído
Aqui desse lado
Talvez eu seja lido
É certo que serei pisado
Sou como o ipê que se adapta ao mundo, floresce em cada ciclo e renasce com intensa vontade de viver.
Bom dia, dia
cristal
que a Lua reluzia.
Mas que a prendia
flor de Ipê
Amarelo como o sol
de dentro do quartzo
seria!
Pois, olhe
bem para a noite
e veja quem
está mentindo a cor
se é ele
ou o ar que dizia.
Sob o Ipê da Praça do Papa
Flores amarelas caem ao meu redor,
pétalas que pintam o chão,
e minha mente vagueia,
buscando raízes em sonhos antigos.
Entre Serra e Sonho,
sinto o peso das montanhas,
perco os devaneios,
no ontem e no amanhã
Ipê
A vontade da riqueza
E da pureza do amarelo
Se nossa alma fosse um castelo
Onde se vê as belezas do Ipê.
Eu já vi do branco, do rosa e do roxo na sede.
Eu lembro do amarelo e do verde.
Um arco íris de cores para ver
E se encantar com a beleza do ipê.
Vestuário de magia e alegria
Lugar de boas fotografias
Para namorar e entre família guardar.
Uma árvore de Ipê para ver da varanda.
Quem sabe eu possa lá te abraçar
Nas sombras do Ipê te namorar.
Escrever de amarelo nossa história.
Esse vento balançando nossa memória.
Quanta riqueza a gente tem para adquirir
Momentos na fazenda a gente curti
Olhando nossos ipês florindo a tarde que ri
E dentro da alma arde seu amarelo infinito por mim.
Um broa de fubá na mesa do café.
Um terço do dia bem vivido e rezado.
E o pé de Ipê faz sombra para os namorados.
Como é bonito essa doce lembrança agora registrado.
Na próxima estação lá estarei a namorar
A baixinha mais bela que meus olhos avistar.
Ela é dona desse ipê que não sabe o porque.
O mundo gira pra ela saber...
O tempo feito de mistério são muitos amarelo.
Ele muitas vezes ainda vai forte florescer.
E a gente ali vivo para tudo ver e sem saber.
Sonhos se realizando debaixo das flores do ipê.
Surrealidade Inapropriada
Magia
Imbatível
Do
Amarelo-Ipê
Sublime
De
Música-Tom
Letra- Buarque
Emissários
Alados
Sons
De almas
Ouvindo
Da juriti
O pio
Gastura
De cão
Vadio
Em
Noite
Fria
Riso-choro
Inexplicável
Coisas
De
Melancolia
Juntando
Histórias
De
Solidão
Alegria
Doce
Encanto
Presente
Passado
Surreal
Que só
IPÊ AMARELO (soneto)
No teu fugaz aflorar. És partitura
Duma melodia cálida fulgurante
De etérea figura num semblante
No ápice duma passagem pura
Se ergue na paisagem, vibrante
Em efígie no cerrado, escultura
Tão cróceo de aparata candura
Num teor pomposo e insinuante
Ave ipê! Natureza na sua mesura
Aos olhos se faz guapo arruante
Ao poeta estro em embocadura
E neste Éden de aptidão gigante
Ao belo, a quimera se aventura
Numa viagem de visão alucinante
Luciano Spagnol
Agosto de 2016
A MOCIDADE
A mocidade é tal qual a flor do ipê
Vigorosa, e na secura resplandece
Tudo pode, é formosa, sonha e crê
E suas inquietudes não lhe apetece
É a idade da beleza a sua mercê:
O presente não lhe traz estresse
E o futuro pouco ou de nada vê
O que lhe importa é a tua messe
Ousada, domina e brilha ao vento
Na desventura tem nenhum receio
Pois, é facilmente o esquecimento
Porém, o senhor tempo, tão voraz
Qual a flor do ipê, de frágil esteio
Cai ao chão, de um destino fugaz
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Novembro de 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
IPÊ ROSA (soneto)
Cálice róseo de fugaz formosura
Donde vem teu matizado, o tom
Que o árido cerrado te escultura
No agreste, num veludo crepom
Sois volúpia em flor, tal bravura
Doidas da "sequia", audaz dom
Onde catou a tua cor, ó candura
Belo buquê em poema tão bom
Teus segredos ao olhar rouxinol
Em um canto dum verso e prosa
O teu frescor abrigo no avido sol
Ó almas feitas, casta, tal estriga
Copiosas a esvoaçar ipês, rosa
Na savana goiana toada cantiga
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Agosto de 2017
Cerrado goiano
panorama...
meio a secura
o ipê com flor na rama
maravilha, perfumada ternura
pelo cinza, pontos amarelos
num matiz em mistura
grifadas em prelos...
queimada
nuveada de fumaça
e a estrada dourada
traçado cheio de chalaça
o cerrado. Vida enleada!
Visto pela vidraça!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
21 de setembro de 2019
São Paulo, SP (Guaianases)
FLOR DO IPÊ (soneto)
Pra o Ipê florar tal uma poesia, não basta
A poética e encantos dos seus segundos
Sua beleza acesa, são cânticos profundos
Que invadem o olhar na amplidão vasta
Do cerrado. Flor igual em todo mundo
Não há; tua delicadeza tão bela e casta
Declama graça que pelo pasmo arrasta
Ornando o sertão, no seu chão sitibundo
Mais terna, e pura, frágil, fina e à mercê
Do matiz: rosa, amarelo e branco, airoso
São essências vibrantes das pétalas do ipê
Hei de exaltar está flor além da sedução
Porque o meu fascínio, ao vê-la, é ditoso
Onde o poeta inspira a emotiva emoção.
© Luciano Spagnol -poeta do cerrado
20/07/2020, 18’48” - Triângulo Mineiro