Aprendeu
Só poderá gozar das delícias de um *Rei* , quem aprendeu a experimentar as agruras de um *escravo* .
💎👑💎
Feito de Teixo
Feito de teixo,
não dobra fácil.
Aprendeu cedo a ser madeira firme
enquanto o mundo testava o peso.
Carrega flechas que não disparou,
dores que não nasceram nele,
mas que aceitou guardar
pra ninguém sangrar ao redor.
É arqueiro que vigia em silêncio,
olhos atentos mesmo quando cansam, corpo erguido no
meio do colapso
— não por heroísmo,
mas porque alguém precisa ficar.
Quando tudo racha,
vira apoio.
Quando todos falam,
escuta.
E quem encosta
sente segurança
sem saber por quê.
O erro foi aprender a ser muralha
antes de aprender a pedir abrigo.
Confundiu força com solidão,
resistência com fechamento.
Mas ainda permanece de pé.
Marcado.
Mais denso.
Inteiro.
Teixo antigo, arqueiro do tempo:
aprendeu a suportar o vento por anos para, em um único instante,
ensinar à flecha o caminho do destino.
Hoje eu tenho tudo,
tenho você na minha vida.
E o resto que faltava no mundo
aprendeu a fazer sentido.
Tenho teu nome morando
nos meus dias,
teu riso ajeitando minhas dores,
teu olhar me lembrando
que amor também é abrigo.
Hoje eu tenho tudo
porque você chegou
e, sem prometer eternidades,
ficou.
E ficar, às vezes,
é a forma mais bonita de amar.
Clássico paulista
Palmeiras
O Palmeiras é floresta antiga que aprendeu a vencer o concreto.
Raiz profunda, tronco firme, folhas que não caem nem quando o tempo castiga.
Quando o vento sopra contra, ele range — mas não quebra.
É verde que cresce em silêncio e, de repente, toma tudo.
São Paulo
O São Paulo é torre erguida no meio da cidade, olhando o jogo de cima.
Tem a calma de quem conhece a própria história e a frieza do mármore.
Não corre atrás do caos: espera, calcula, decide.
Quando vence, parece simples — como se sempre soubesse o final.
Corinthians
O Corinthians é rua cheia, grito rouco e punho fechado.
Não entra em campo sozinho: carrega um povo nas costas.
Joga como quem apanha e responde com o coração antes da razão.
É fé que não explica, só empurra.
Santos
O Santos é mar aberto, menino descalço e bola leve.
Joga sorrindo, como quem aprendeu cedo a conversar com o impossível.
Revela talentos como ondas revelam conchas.
Quando toca a bola, o futebol parece lembrar de onde veio.
Se quiser, faço mais cifrado, mais épico, ou puxo pro lado romântico-nostálgico — do jeito que você gosta de lapidar poesia.
“Teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.”
Quem precisa ser visto ainda não aprendeu a descansar em Deus.
A solidão é minha velha amante fiel que já se acostumou e aprendeu a não reclamar comigo, nos momentos que quero ficar sozinho, introspectivo, sem a menor paciência de encontrar com pessoas infelizes sorridentes, enfeitadas com utensílios de marca baratos mas falsificados que orgulhosamente desfilam vitoriosas e especiais de fachada.
A gentileza, o respeito e as boas maneiras
nascem onde a alma aprendeu
a ser elegante.
Não se impõem, revelam-se.
O mundo, exausto de ruídos e atropelos,
carece dessa elegância silenciosa
que não humilha, não grita, não fere.
Essas prerrogativas
são luxos raros
de almas que recusaram
a brutalidade cotidiana.
O mundo, rude e vaidoso,
confunde grosseria com força,
arrogância com poder,
e dessangra-se lentamente
por absoluta falta de elegância.
✍©️@MiriamDaCosta
"Desde pequena, ela aprendeu a enxergar a vida com olhos que vão além do óbvio.
Enquanto muitos passavam apressados, ela ficava observando pequenos detalhes..."
O mundo aprendeu a fabricar certezas em escala; pensar, agora, talvez seja a última forma de coragem.
A leveza não está na ausência de peso, mas na força inquebrável da coluna que aprendeu a suportá-lo.
