Amizade e Moto
Celebração da amizade/2
Juan Gelman me contou que uma senhora brigou a guarda-chuvadas, numa avenida de Paris, contra uma brigada inteira de funcionários municipais. Os funcionários estavam caçando pombos quando ela emergiu de um incrível Ford bigode, um carro de museu, daqueles que funcionavam a manivela; e brandindo seu guarda-chuva, lançou-se ao ataque.
Agitando os braços abriu caminho, e seu guarda-chuva justiceiro arrebentou as redes onde os pombos tinham sido aprisionados. Então, enquanto os pombos fugiam em alvoroço branco, a senhora avançou a guarda-chuvadas contra os funcionários.
Os funcionários só atinaram em se proteger, como puderam, com os braços, e balbuciavam protestos que ela não ouvia: mais respeito, minha senhora, faça-me o favor, estamos trabalhando, são ordens superiores, senhora, por que não vai bater no prefeito?, senhora, que bicho picou a senhora?, esta mulher endoidou...
Quando a indignada senhora cansou o braço, e apoiou-se numa parede para tomar fôlego, os funcionários exigiram uma explicação.
Depois de um longo silencio, ela disse:
— Meu filho morreu.
Os funcionários disseram que lamentavam muito, mas que eles não tinham culpa. Também disseram que naquela manhã tinham muito o que fazer, a senhora compreende...
— Meu filho morreu — repetiu ela.
E os funcionários: sim, claro, mas que eles estavam ganhando a vida, que existem milhões de pombos soltos por Paris, que os pombos são a ruína desta cidade...
— Cretinos — fulminou a senhora.
E longe dos funcionários, longe de tudo, disse:
— Meu filho morreu e se transformou em pombo.
Os funcionários calaram e ficaram pensando um tempão. Finalmente, apontando os pombos que andavam pelos céus e telhados e calcadas, propuseram:
— Senhora: por que não leva seu filho embora e deixa a gente trabalhar?
Ela ajeitou o chapéu preto:
— Ah! Não! De jeito nenhum!
Olhou através dos funcionários, como se fossem de vidro, e disse muito serena:
— Eu não sei qual dos pombos é meu filho. E se soubesse, também não ia levá-lo embora. Que direito tenho eu de separá-lo de seus amigos?
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Amizade é mais do que uma palavra, é mais do que uma união, é mais do que um sonho, é mais do que a realidade, é mais do que confiança, é mais do que sentimento, é mais do que defender, é mais do que proteger, é mais do que querer, é mais do que estar, é mais do que os olhos podem ver, é mais do que o coração pode sentir, é mais do que minha felicidade pode transmitir, é mais e maior do que tudo e só uma amizade verdadeira é capaz de passar por tudo e por tudo juntas, porque quando a gente tem um amigo, a gente nunca está sozinho e o que era dois vira um.
Porque eu percebi que esse negócio chamado amizade não é sobre confortar ou colocar pra cima. Não. Amizade é quando - juntas - vocês sentem as mesmas coisas, sejam elas flores com fragrância de perfume francês, ou cogumelos bizarros vindos de seus corações cansados de sofrer. É quando você e outra pessoa se forçam a sentirem as mesmas coisas, e - mesmo que sejam dores e medos inimagináveis - deixam tudo mais bonito, apenas pelo fato de estarem compartilhando. Amizade é compartilhar. Não é oferecer o ombro amigo, mas chorar junto suas dores, para mostrar que ela não é a única capaz de sofrer.
"Todos já amamos, mas só sabemos que não é amor de verdade quando tudo acaba.
E se não existir um cara?
Ou dois, ou três, ou quatro, ou cinco?
E se o amor de verdade não existir e estivermos com medo de admitir isso?
Nós nos produzimos, fingimos ser algo que não somos, viramos nossa vida do avesso e nos perdemos em algo que sonhamos ser melhor do que o que achamos que somos.
E se aquilo que procuramos simplesmente não existir?
Por que tudo tem que ser tão... apenas tão?"
"Você namoraria o seu melhor amigo?"
Os verdadeiros amigos procuram conhecer nossa história. E nos ajudam a discernir os propósitos de Deus na nossa vida. Isso é amizade fiel semelhante à de Jônatas e Davi. Precisamos de amigos que participam da nossa história.
Naquele dia eu me dei a você, não foi momento, curtição... E nada me magoou tanto quanto o seu desprezo a toda aquela história.
Sempre que precisar de mim, pode chamar.
Quando estiver mal, sim, pode chamar.
Mesmo que tenha vontade de chorar, chama que eu vou lá para te abraçar.
Você precisa do meu apoio, daqueles abraços que te dou?
Você sabe como é que eu sou.
Entre nós não há falsidade, nada estraga a nossa amizade, essa é a realidade. É contigo que eu vou estar.
Quem ama, algumas vezes precisa ter a sabedoria de um agricultor, que sabe que nenhuma planta cresce e dá frutos da noite para o dia. É preciso muitos cuidados, dedicação e a crença de que após determinado período, caso pragas e intempéries não assolem a plantação, será feita uma boa colheita.
Viver é como andar de moto: para manter o equilíbrio, basta acelerar a mil por hora e seguir em frente.
O ser humano procura um grande amor como um cachorro corre atrás do pneu da moto ou carro com grande latido, mas quando ele para não sabe o que fazer e acaba por desistir.
Ostentação de verdade não e aquela que se possui dinheiro carro ou moto, ostentação de verdade e ter a alma limpa de maldade ostentação de verdade e saber agradecer pelo que tem...
Estou passando não é um furacão
minha moto corta o ar com o som de um trovão
estou rasgando a estrada voando colado no chão
montado em minha garota tenho o poder nas mãos.
Um mecânico está desmontando o cabeçote de uma moto quando vê na oficina um cirurgião cardiologista muito conhecido. Ele está olhando o mecânico trabalhar. O mecânico pára e pergunta:
-- Hei, doutor, posso fazer uma pergunta pro senhor?
O cirurgião um tanto surpreso concorda e vai até a moto na qual o mecânico está trabalhando.
O mecânico se levanta ecomeça:
-- Doutor, olhe este motor.
Eu abro seu coração, tiro válvulas, conserto-as, ponho-as de volta e fecho novamente e, quando eu termino, ele volta a trabalhar como se fosse novo.
Por que é, então, que eu ganho tão pouco e o senhor ganha tanto se o nosso trabalho é praticamente o mesmo?
O cirurgião dá um sorriso, se inclina e fala baixinho ao mecânico:
-- Tente fazer isso com o motor funcionando!