Amar a si próprio
Apara as tuas pontas todos os dias, mas não se compara, treine em ser o amor, talvez até apara-dor.
O amor próprio não existe para dar um sentido a solidão, ele é um mecanismo de defesa para que não aceitemos qualquer tipo de tratamento.
Declaro meu amor!
Eu te amo.
Eu te amo tanto e com tanto orgulho que faço de você minha mais pura ousadia:
transformo você na minha meta eterna, permanente, te alcançar é meu desejo.
Que você venha sempre a mim e que eu sempre te busque.
Dentro do seu coração que só cabe amor, onde já moram seus dois amores verdadeiros, é onde eu quero estar.
Te amo e te admiro.
Te olho e te preciso.
Te busco, te acho,
te perco e não desisto.
Persigo. Persisto ... é onde existo.
"Vai e volta:
Não se distancie além da conta",
me respondeu de volta o espelho.
Em última instância, o objetivo da terapia é: Reestabelecer o fluxo do amor. - - Qual amor?
- O próprio!
Quem ama, odeia amar. Quem odeia perdoa o seu próprio ódio, aprende que amar é fingir que tudo é eterno.
Mas deve ser por isso que eu sinto essa afeição tão grande ao mar.
Ele é o próprio amar numa quantidade infinita, como o meu amor por você.
Só ame quem te ama, é a maior máxima dita por todos. Mas, isso não te impede de amar seu próprio amor.
Não se ama visando retribuição. Ama-se porque o próprio ato de amar é o caminho de Deus. Ama-se porque no próprio fato de amar está a felicidade.
Amar não é celebrar o próprio reflexo diante do outro, mas reconhecer o valor daquilo que nunca saberemos como é.
Amar é dar o que se é, o próprio ser, no sentido mais absoluto, mais descaradamente metafísico, menos fenomenalizável dessa palavra.
Quem diz o sentido de amar é o próprio coração, ele pode não pensar, mas é responsável por todas as suas ações durante a vida.
Quando perdemos pessoas que nos amam por orgulho próprio perdemos também oportunidades de amar um verdadeiro amor.
Como posso amar, se nem a mim eu pertenço?
Me saboto ao ver o ideal, meu próprio cárcere imenso.
Por que amar, se amor nunca conheci?
Se ninguém me tocou, se ninguém surgiu para mim?
Eu sou do silêncio, da solidão confortável,
Poucas palavras, uma vida impenetrável.
Feliz estou quando estou só,
Mas se alguém invade, sinto-me em pó.
Cada um me vê de um jeito diferente,
Alegre, triste, bravo, indiferente.
Sou o reflexo do que sentem por mim,
Mas eu, no espelho, nunca me vi assim.
Vivo nas sombras, sem me encontrar,
Espero, um dia, pela gratidão chegar.
Ajudo sem esperar nada em troca,
Mas a alegria deles me faz sentir mais forte.
Quando sorriem, sinto-me leve,
Quando choram, o peso em mim se atreve.
Ser bom ou ruim, já não sei discernir,
Só sei que a pena eu não quero pedir.
Queria que entendessem quem sou de verdade,
Mas como, se em mim, também há essa dualidade?
Subo, mas querem me manter no chão,
Quando conquisto, olham-me com estranha visão.
Comemoro suas vitórias, com o coração aberto,
Mas quando é minha vez, o olhar é deserto.
Percebi, querem que eu permaneça pequeno,
Subordinado, preso no mesmo terreno.
Falam que desejam meu crescimento,
Mas na verdade, temem o meu alento.
Inveja, essa planta que cresce no escuro,
Amar é complexo, e o respeito é tão duro.
O amor, agora entendo, é ilusão,
Ninguém ama, ninguém com devoção.
Neste mundo, dor e sofrimento imperam,
Os pequenos momentos de luz logo se encerram.
Damos o melhor, com o que nos foi dado,
Oportunidades raras, conhecimento moldado.
E no fim, talvez seja melhor assim,
Sozinhos, em paz, sem esperar o "fim".