Âmago
No âmago do meu enternecimento, esbarro-me cotidianamente com a decrépita e impertinente aflição.
Agarro-me na credulidade e velejo na inquirição.
Atino a refutação veraz que me traz paz, seguindo com a mesma amabilidade de sempre! remando para os verdes campos do contentamento.
POR ONDE ANDASTE?
Palavrei todos sentimentos que saíam do meu âmago
E pronunciei todas letras que vinham em minha mente.
Entoei todos hinos que invadiam o meu espírito
E dancei todos passos que excitavam meus pés.
Escalei montanhas, zanzei em todos cantos do mundo te procurando,
Mas lá não estavas.
Gritei pelo teu nome o mais alto que pude,
E podes crer que até os surdos ouviram;
Consultei adivinhos e ciganos
Mas nenhum deles soube me dizer do seu paradeiro.
Rasguei as vestes, rebolei sobre o chão
Como se de um maluco me tratasse.
Por tua causa perdi tudo que tinha
Até o meu "eu" ficou sem norte;
Era tanta dor que para suportar a tua ausência,
Só me restava a morte.
Foram tantas estações de surto
Que sobrevieram chuvas ácidas sobre os meus olhos.
Houve tempo em que já não podia mais chorar,
Pois as lágrimas já estavam escassas em mim.
Orei e jejuei mesmo sendo ateu
Nem sei o que me deu.
Afinal, por onde andaste?
Escrever era uma derrota, era uma humilhação, era deparar-se com o próprio âmago e perceber que aquilo não era bom o suficiente.
O meu âmago acende e apaga nas escuridões dilaceradas.Entretanto brilha uma constelação perene, só que tênue, tênue por causa dos cactos estilhaçados pelos caminhos inóspitos. Transcrevo e apago, amargo o ardor desprovido, comido pelo mal abrigo. Desabrigo de um devaneio múltiplo, alumbrei as vísceras num tom estonteante. O afago me cobria naquela estação, canção não cantada em voz alguma, em tons de aquarela encontrei-me numa mistura homogênea, meandrica. Choveu cor, e eu me inundei até o último pote de tinta revirado. Dancei só nessa chuva, as tintas dialogavam comigo, e diziam que eu era meu abrigo, caiam feito as águas do céu, cantavam feito um cantor, e susurraram em meus ouvidos, que nem toda cor veio pra fazer aquarela, simplesmente se misturam e desaparecem.
Meu âmago transcende em poesia, deleite entre a Costa do oceano teu. Nele coexistem a fúria das tuas ondas e a calmaria de seu tom azul, anil, primaveril. A primavera habita. Em tuas entrelinhas, em tuas cores, amores. Na imensidão do coração, canção ao som da voz tua ao pé do ouvido. Numa ventania de um dia girassol, soletrava palavras nuas ,vestidas de ressignificados.
Essência
Oh bela rosa,
Você é o âmago de tudo o que escrevo,
Tão importante para mim quão o meu coração.
Rego-te com o meu amor,
Para que os teus espinhos não machuquem.
O eixo da tua essência é princípio tudo,
De tudo aquilo que venho relatar.
O eflúvio da sua essência pouco a pouco
Esvaía, invadindo o meu ser
E se tornando ainda mais presente em meu quarto,
Na minha cama e nos meus lençóis.
Quando a manhã finalmente acordar,
Você deixará de ser botão e se tornará uma bela rosa,
O seu sorriso se torna as tuas pétalas,
E a tua cor branca me atraí.
Sua beleza é o âmago da rosa,
O teu corpo se torna o pólen,
As abelhas são atraídas pelas cores das pétalas,
E se embriagam com o seu doce néctar.
Sou atraído pela cor do seu sorriso,
Mas ainda não saboreei o teu pólen.
Escrito por
Luan C.
Meu insta: @recite_ou_excite
No âmago do meu ser
Vê-se a quididade do meu canto
Que teu olhar cerúleo
Me trouxe profundo encanto
Digo-te, que do plano azimutal
Ao zênite austral
Tens meu amor incondicional
Pois a essa opressão vou anuir
Acolho com prazer
Enquanto viver
Pelos relentos a trovar
O embeiçamento que me alavancas
Costumo andar pelas nuvens quando chateado,Ir até o fundo do meu âmago oceano amargo,A sopa de plástico sempre me deixa ensopado aos olhos.Olhos vermelhos do choro sem o gozo em vc ,eu sonho.”E sem você realizo o desejo real”Não ando pelas águas tenho jesus no nome,porém dos milagres eu clamo pelo nome.
“A incivilidade bárbara arraigada no âmago de cada ser medíocre — sim, desta vez é pejorativo — da instituição de ensino não é senão um dos traços mais evidentes da coisificação dos humanos e humanização das coisas. Isto fica claro, a não mais poder, quando se pergunta exatamente aquilo que está escrito no que acabara de supostamente ler.”
Agora me vou para minha triste solidão, onde estou rodeado por todos, mas no meu âmago, estou só. Afogado num mar de sentimentos, preso numa cela de pensamentos. Meu coração dói e meu mundo se corrói, enquanto lá fora a chuva cai e o vento sopra, fico aqui ouvindo a infinita ópera que se tornou o meu pranto, e que hoje eu me espanto, mas que já não posso abandonar, pois, aqui, nesta cela escura e fria, aqui é o meu lar.
E o fundo do poço nos leva ao nosso âmago, ao silêncio. E no silêncio encontramos respostas, nos (re)encontramos.
Ouço o sussurro da poesia
Toda volúpia que cabe em mim
Até o âmago do teu ser
Para que o meu olhar
Se perca no nada
As vezes algumas coisas acabam por si só. No começo vai doer no seu âmago, mas aos poucos algo em você vai se afrouxar, e por fim abrir espaço para que novas realidades te deslumbrem e te preencham.
Rosa Branca
Sobre o âmago de meus alicerces
Imaginei que em chuvas dançaria contigo
Soube que seria um cálice doce ao meu paladar
Pensava em teu olhar como as luzes de um túnel
Observando como o simplório brilho delas
Me lembravam as noites em que você me apreciava
Minhas percepções permitiam lhe evitar
Permitiam amar-te com todas as minhas possibilidades
Reconstruir o trajeto dos meus sonhos por você
Ofuscar minhas ilusões por um segundo da sua presença
Pela maneira como você me olha
Os modos que o teu olhar entrega
Evitando em si mesma a fraqueza por desejar meu corpo
Sabendo que meu laço trará a tona um íntimo perfeito
Requerer que desvies teu olhar para mim não irei
Caso não o desejardes
Não optarei por encontrar-se contigo
Mesmo dominando o caminho que teu coração lhe reside
Desejo tocar os profundos sentidos de seu carinho
Apenas esbarrar-me contigo pelas surpresas do amor
Em um dia tão frio e chuviscado
Em uma ponte envolta de mansas águas
Para dizer-lhe amargamente que ainda te amo
Para colorir o seu mundo com uma rosa branca.